Ora, pode acrescentar-se mais alguma coisa?

partido20socialista

Eu confesso estar preocupado, muito preocupado, com o futuro e a cota de empregabilidade com sucesso deste tipo de gente que João Gonçalves assim descreve:
«(…) a imensa variedade de papagaios, lambe-botas, cúmplices esperados e inesperados, bloggers, “jornalistas”, “comentadores” e assim sucessivamente que têm passado os últimos anos a apascentar e a acarinhar o absurdo regime absolutista de Sócrates». Estou preocupado, pois sei que vai haver aqui muito sofrimento, muita perda. Só não concordo com uma coisa, caro João Gonçalves: como é que se pode classificar o «regime» de Sócrates como sendo alguma coisa, seja o que for, «absolutista» nomeadamente?

Ora, como bem sabemos, Sócrates não é de esquerda, nem é de direita, não é absolutista nem é liberal, não é socialista nem é social-democrata nem neoliberal, não é culto (apesar de se ter confessado, num «perfil» de um magazine qualquer, «JN», acho, «viciado em filosofia» !!!!!!!!!!!!???????????), não é culto nem é inculto, não é adepto de políticas sociais nem a elas contrário, não tem «densidade» (humanística, política) nem deixa de a ter, não é uma «qualqueridade» (diria Agamben) nem deixa de ser. É, sim, o maior vazio político que já surgiu neste país desde 1974. Como, pois, classificá-lo de «absolutista» ou «liberal» ou «libertário» ou «socialista», ou…?

Mas talvez possa vir daqui uma pista: se bem se recordam, alguns leitores, Mário Soares, que consta ter uma biblioteca, terá dito numa conversa com Clara Ferreira Alves que Marx era um chato, a sua obra era uma «chateza» imensa e que nunca conseguiu passar da página 4 ou 5 de nenhum dos seus livros ou estudos. Acho que é esta a matriz do Partido (por assim dizer) Socialista, onde se está porque sim, podendo-se também estar noutro sítio qualquer. Não é um pouco esta a trajectória de Sócrates, primeiro militante do PSD, depois do PS, etc?

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15 Responses to Ora, pode acrescentar-se mais alguma coisa?

  1. Carlos Fernandes diz:

    Eh, eh, aquela do “viciado em filosofia” só se for para fazer jus – mas aqui de uma forma literal – ao seu hómonimo grego quando este dizia que “só sei que nada sei”.

  2. mlk diz:

    Bem,pode dizer quase tudo mas,dizer que não é de direita?Se não é de direita é de esquerda?

  3. jcd diz:

    Essa foi uma das poucas vezes que Mário Soares teve razão.

  4. Carlos Vidal diz:

    Caro mlk, o que eu disse foi que, no fundo, Sócrates, politicamente, não é nada, não tem programa, não tem saber, não tem realidade, ou, como alguns dizem também, não tem “densidade” para ser o que quer que seja: como flutua apenas ao sabor da corrente do mercado e do capitalismo neoliberal, e flutua sem saber onde e como flutuar, é aí, de facto, nessa extrema direita económica que ele se situa. Mas não programaticamente, antes por vazio absoluto.

  5. Carlos Vidal diz:

    Não entendi bem, jcd.
    Soares teve razão porque Marx é um “chato” ou porque nele (Marx) está tudo errado.
    É que, quanto a chateza, é onde eu gosto de “viver”, de Giotto ao conceptualismo aqui acumula-se chateza por todo o lado. Você não se relaciona com coisas chatas.
    Invejo-lhe a felicidade.
    Disfrute pois.

  6. cristina ferreira de almeida diz:

    Tem realmente graça.

  7. almajecta diz:

    de um lado e de outro da iconostase mais em lord chandos, um verdadeiro relógio de corda. Rolhas dinâmicas e flutuantes para começar a assistir à fuga para a frente, até ao vórtice do pequeno ralo.

  8. Tenho uma vaga desconfiança de que também o Mário Soares para alem do “parlamentarismo” tenha mais alguma coisa na cabeça, mas lá conseguiu perceber que havia uma “economia de casino” por aí, em artigo no LM; será que Sócrates consegue perceber? de qualquer modo um e outro não são uns lambe-botas ao neoliberalismo?
    O resultado dos partidos “socialistas” a nível europeu mostra bem a desconfiança que o eleitorado tem nessa gente sem ideologia, sem autonomia programática e sempre curvados em nome do mal menor.

  9. José Sócrates acredita numa coisa, numa coisa só, e acredita nela com todas as fibras do coração: acredita no que “está a dar”.
    O problema dele é que perdeu o norte ao que “está a dar”…

  10. carlos graça diz:

    O Pai Parménides no seu célebre Poema, fala acerca da unidade e indivisibilidade do Ser. Mas há aqui matéria para reflectir. É que quando tomamos consciência da nossa presença-no-mundo, estamos já posicionados numa cultura, ideologia, modus vivendi, etc. O que Carlos Vidal aqui refere, é que, o “Socratas” (como se diz na província) não é, não está, não se posiciona de forma determinada, vive em não-lugares, enfim, é algo de inclassificável. O PM já tem idade para saber-de-si-no-mundo, e portanto, optar, decidir, relacionar. Se nada disso sabe, ou faz , estamos mal, deveras! É que o ponto é este: É MUITO GRAVE QUANDO UM LÍDER POLÍTICO NÃO TEM UM PROJECTO PARA O SEU PAÍS!!!!

  11. portela menos um diz:

    “o pai da democracia” já comentou os resultados eleitorais ou adormeceu a ler Marx?

  12. john steel diz:

    Sócrates foi o único político com coragem para tomar medidas . E fê-lo durante estes quatro anos coisa que o s seus antecedentes nunca o fizeram. Há por aí umas dores de corno por o homem não ter receio nem medo de ir a votos com medidas impopulares que infelizmente tiveram de ser tomadas. As pobres bonecas de palha como Mouras Guedes e Cª que apenas sabem fazer jornalismo de sanita tentam a todo o custo deitar abaixo o Governo fazendo o jornalismo mais nojento de que há memória em Portugal desde o sagrado 25 de Abril. E há gente por este país que se intitula democrática e que lambem estes despojos de jornalismo . Felizmente há muitos bons jornalistas que se arrepiam quando a Marionetta abre a boca. Mas em Democracia temos de aceitá-la mesmo não valendo nada. John

  13. Carlos Vidal diz:

    Excelente questão, portela menos um, excelente questão.

    Eu, por mim, não ouvi nada de nada.
    Mas já tinha falado antes: e tinha dito que não se resolvem crises sem o PS – ele há cada uma!!

  14. Ai, John Steel, John Steel!

    Com que então a “coragem de tomar medidas” é uma coisa boa, independentemente de essas medidas serem boas ou más? Com que então o problema com as medidas tomadas foi o serem “impopulares”, e não o serem erradas? Com que então, essas medidas “tinham que ser tomadas”? Onde estão, nesse caso, os seus resultados benéficos?

    Nenhuma medida tomada por este governo beneficiou Portugal ou a maioria dos portugueses. Todas elas favoreceram interesses particulares, muitos deles criminosos, em detrimento do bem comum.

    E não deixa de ser significativo que José Sócrates tenha o apoio de quem, como você, se refere com desdém ao 25 de Abril. Isto diz tudo sobre ele.

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