O último ROLANDO VILLAZÓN: uma recomendação

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Dizer de Rolando Villazón (Cidade do México, 1972) que é talvez o melhor tenor lírico do momento, ou um dos melhores e mais dotados da actualidade é uma quase banalidade. Nos últimos anos foi norma frustrante o cancelamento de récitas e concertos, por problemas vários, nomeadamente de saúde. Entretanto, este homem dotado como mais ninguém para o bel-canto (mas talvez não para o canto ornamentado barroco, antes para um outro arco que nos leva de Donizetti a Verdi), decidiu recuar, recuar muito, apaixonar-se autenticamente e gravar reportório barroco: Monteverdi e Handel. Em 2007, grava Il Combattimento de Tancredi e Clorinda, obra-prima de Monteverdi, com Emmanuel Haïm e o seu ensemble barroco Le Concert d’Astrée. Patente obviamente a desadequação de Villazón para este reportório, Haïm é acusada naturalmente de pretender apenas uma operação comercial aproveitando o “divino” Villazón para esse fim. Decididamente, Monteverdi não é compositor para um bel-cantista que quer fazer Barroco só porque se “apaixona” subitamente pelo barroco. Este Monteverdi não é pois recomendável. Agora, tentou Handel com os Gabrieli Players do experiente Paul McCreesh, e os problemas da adequação de Villazón a este reportório continuam, mas…. apesar da desadequação, estranhamente, este disco é recomendável e mesmo lindíssimo. Pode-se dizer tudo: que Villazón não tem, nem por sombras, a agilidade de uma mezzo experiente no barroco como Bartoli (que, sim, talvez devesse ser ela a fazer estas arias), Kozena (a minha preferida) ou DiDonato. Pode-se dizer que o timbre, estilo, legato ou vibrato de Villazón dão uma espécie de mistura de Handel com Verdi, pode-se dizer tudo isso, e isso ser verdade, mas não sei porquê, gosto imenso deste Handel. Enigma Villazón, é o que é (e mais não digo porque sou apenas crítico de arte).

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