“Panégyrique” (G. D.)

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“Eram aquelas meninas da escola, fugindo dela, de olhos ufanos e tão doces lábios; as rusgas frequentes da polícia; o fragor de catarata do tempo. ‘Nunca mais tão jovens beberemos’.

“Pode dizer-se que sempre amei as estrangeiras. Vinham da Hungria e de Espanha, da China e da Alemanha, da Rússia e de Itália as que cumularam de alegrias a minha juventude. E mais tarde, já com cãs, acabei por perder a pouca razão que o longo caudal do tempo tão dificilmente pudera porventura transmitir-me; por uma de Córdoba.

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“Na Itália, nem por toda a gente certamente fui bem visto; mas pude ditosamente conhecer as sfacciate donne fiorentine, na época em que vivi em Florença, no bairro de Além-Arno. Por lá andava então aquela jovem florentina, a quão graciosa. À noite atravessava o rio para vir a San Frediano. Bem inopinadamente por ela me apaixonei, quem sabe se por causa de um belo sorriso amargo. E em suma lhe disse: ‘Não guardeis silêncio; pois ante vós como estrangeiro sou, e viandante. Dai-me algum refrigério, antes que parta e de todo cesse’. Foi também porque nessa altura, e mais uma vez, a Itália se perdia; era preciso voltar a adoptar distância suficiente das cadeias onde ficaram aqueles que por demais se haviam demorado nas festas de Florença.”

(G. D., Panégyrique, da tradução magnífica de Júlio Henriques)

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