Por favor, morda-me o pescoço

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Todos os dias multiplicam-se os livros e os filmes de vampiros. Os antigos malditos passaram aos saldos da indústria cultural. Qual é a razão desta moda?
O romantismo descobriu o diabo romântico e saudou aqueles que em troca da paixão e conhecimento vendiam a alma ao Diabo. Os anjos caídos eram um grito contra as novas prisões da modernidade. Uma espécie de ludistas, falhados como as suas revoltas, que pretendiam impedir um progresso violento que os transformava em engrenagens e em meras mercadorias.
O culto dos vampiros, em pleno século XXI, significa certamente outra coisa. A repetição tende a ganhar contornos de comédia. Claro que precisamos de adrenalina para ter a excitação do tédio. Claro que o terror tornou-se uma espécie de montanha russa de feira. Claro que receber umas dentadas em troca da imortalidade não parece um mau negócio. Apesar de tudo isso e das lantejoulas, o vampirismo parece a forma distorcida que a fantasia romântica ganha numa época em que o mundo se autodestrói de uma forma autofágica, mesmo quando tem poster na Bravo.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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