O herói da bicharada

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É feito à imagem e semelhança dos seus apoiantes esta nova glória da situação. O seu último serviço prestado foi claro, do alto da sua grande autoridade, dizer que o  jornalismo da TVI insultava os verdadeiros jornalistas. Tudo isso, depois de ter dito que o caso Freeport não existia, dado que tinha começado numa denúncia anónima – como se grande parte dos casos investigados não fossem assim; depois de se pronunciar sobre um caso em julgamento, como se a deontologia, a cortesia e o simples bom senso não o devessem impedir de se pronunciar sobre o trabalho de colegas de profissão; depois de acusar advogados de corrupção, sem concretizar nada; depois de pretender mudar as regras na Ordem, para liquidar aqueles que estão contra ele. Depois de tudo isso,  Marinho Pinto incomodou-se que o confrontassem e resolveu partir para o insulto, deixando governo e amigos à beira do orgasmo mariano. Para quando uma comenda à criatura? Pelo menos uma ordem agrícola de segunda classe!

Sejamos claros, o que incomoda muita gente no noticiário da TVI, não é o estilo da apresentação, mas o conteúdo das investigações. Era tudo tão simpático quando uma notícia podia acabar com um simples telefonema. Os novos apoiantes de Marinho Pinto estariam dispostos a elogiar o Le Pen se isso lhes garantisse que o jornalismo de investigação em Portugal fosse totalmente amestrado.

PS- Para os poucos que não sabem, eu sou jornalista da TVI.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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39 Responses to O herói da bicharada

  1. JDC diz:

    “Marinho Pinto incomodou-se que o confrontassem e resolveu partir para o insulto”

    Eu não vi MP a insultar ninguém. Vi Manuela Moura Guedes a instigar MP e a receber uma resposta ao mesmo nível. A partir daí serviram-se epítetos de parte a parte.

    Por mim falo, mas não me sinto incomodado com o conteúdo do noticiário da TVI. Sinto-me, isso sim, incomodado com os sucessivos comentários de MMG no pós-reportagem, com insinuações, cinismo ou mau carácter. O noticiário deve ser um espaço de divulgação e não uma ferramenta de manipulação ao serviço de agendas pessoais. A entrevista não é um debate e já por diversas vezes, e até com os comentadores residentes, MMG transforma o espaço numa espécie de tertúlia pessoal.

    No entanto, tenho sempre uma liberdade, que, de resto, exerço largamente: não ver o noticiário da TVI.

  2. LAM diz:

    NRA,
    (Como jornalista trabalhador da estação, não se ofenda com isto), mas quem tem uma palhaça a apresentar o telejornal arrisca-se a que os critérios de avaliação da mensagem passem muito pelos números da “artista”. Desta vez passou-se isso, mais uma vez.

  3. Pingback: cinco dias » Bloguer “p.socialista”, orgasmo e Fátima

  4. Ibn Erriq diz:

    Não se gastou, já, tempo demais com tão fraca figura?

  5. LAM diz:

    Para além de que (isto sem a palhaça como intermediária), o que diz no seu post não foi o que se passou:
    1-Marinho Pinto não disse que “o caso Freeport não existia, dado que tinha começado numa denúncia anónima”. O que ele disse foi que tinha sido apresentado como denúncia anónima, quando na verdade essa denúncia tinha sido instigada por um agente da PJ. Coisas diferentes.
    2-os casos de corrupção de advogados, membros da ordem de que Marinho Pinto é bastonário são, muitos deles, de conhecimento público. Os mais mediáticos serão o do foragido Vale e Azevedo cujo advogado é sintomaticamente o grande opositor de Marinho Pinto, o Dr. Barreiros.
    3- Não é verdade que Marinho Pinto pretenda mudar “as regras” na ordem. Nem de regras se fala. A ordem é regida por estatutos que têm sido cumpridos. O seu não cumprimento era a destituição por Ass. Geral como pretendem os opositores de Marinho Pinto.
    4- Como Marinho Pnto passou para o insulto quando, segundos antes, a palhaça o apelida de bufo?

    NRA, há aí coisas deturpadas e outras mal estudadas. Há que ajudar mais a palhaça.

  6. Ana Paula diz:

    Oh Nuno, desculpa mas, o Bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, disse que na TVI há bons profissionais, explicitando que era o tratamento de que estava a ser alvo que envergonha o jornalismo!… É diferente! Marinho Pinto não merece este post. Um abraço.

  7. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Lam,
    Desculpe, mas a sua reposta não está correcta. Acha que as outras denúncias anónimas são instigadas pelo menino Jesus? Para sua informação, deve ser o único em Portugal que não sabe: você vai à PJ denunciar um crime, e diz que tem medo de assinar a denuncia e eles pedem para que a faça anónima para eles poderem avençar com uma pré-investigação , para perceberem se os factos denunciados têm alguma relevância. Não conheço nenhum caso importante que não tenha sido assim: Os P3 Orion, a Cova da Beira, o Isaltino, O Freeport, etc…
    O Marinho Pinto dispara para todo o lado, tirando o Sócrates, sem concretizar nada. É uma espécie de bastonário dos taxistas, sem ofensa para os digníssimos profissionais.
    Acha que liquidar os conselhos distritais, sem uma discussão alargada da classe, não é pretender concentrar todo o poder em si?
    A palhaça é quem? Acho mal que chame dessa forma carinhosa o bastonário.

  8. J. Tavares Moura diz:

    Este post deve ser o exemplo de excelência e isenção do jornalismo da TVI. Chamar jornalismo ao incitamento ao linchamento popular praticado pela “artista de variedades”, ás 6ªs. feiras, é um insulto aos verdadeiros jornalistas, sérios e isentos. A instrumentalização e manipulação ao serviço de uma agenda pessoal e a sanha persecutória são tão evidentes que é revelador que só se encontre defesa na procura de diminuir os seus críticos com ataques pessoais.

  9. Chico da Tasca diz:

    O Ramos de Almeida quer é que o Sócrates seja culpado à viva força, por isso vem para aqui com a treta do cde um qualquer Smith onteúdo.

    E eu pergunto : mas qual conteúdo ?

    As divagações de um qualquer Smith que primeiro se diz corrupto e depois se diz aldrabão ?

    A TVI apresentou alguma prova insofismável de algum crime por parte d Sócrates ?

    O que a TVI revelou foi um tratamento vergonhoso e persecutório de uma informação transformando tudo aquilo num telelixo informativo.

  10. LAM diz:

    NRA, entenda: eu não estou nem quero que passe de alguma forma que comungo das mesmas opiniões de Marinho Pinto, principalmente sobre o caso Freeport, sobre o que estou convencido de que há fumo a mais para que seja só um fósforo aceso. Aliás e já muitas vezes neste blogue dei a minha opinião sobre isso. O que quero sobre o “caso” Marinho Pinto vs. palhaça é reafirmar que, por culpa exclusiva da segunda ou de quem a lá pôs, o efeito está a ser absolutamente contrário ao pretendido (i.e.) o esclarecimento e a confrontação do 1º ministro com os indícios relevantes sobre o Freeport.
    O problema está não na mensagem mas no mensageiro. Enquanto a direcção da estação não perceber isto. (se calhar já há muito percebeu, o que leva a outra interrogação sobre se os reais propósitos da TVI serão jornalísticos como pretende fazer crer ou luta pelas audiências como de facto aparenta). A verdade constatada é que a cada telejornal de 6ª da TVI se diluem mais as suspeitas sobre o 1º ministro. São tiros no pé para quem quer ver esclarecidos estes casos. O de 6ª feira foi mais um “número” nessa sequência.

  11. Carlos Fernandes diz:

    Meu caro NRAlmeida (gostava de lhe dizer isto pessoalmente e cara a cara, para o elogiar e lhe dar um abraço pelo seu trabalho jornalistíco e investigativo, mas aqui vai por aqui): como já deve ter reparado por muitos comentários que já aqui fiz neste Blog, eu tento sempre pensar pela minha cabeça ( coisa que, aliás, recomendo a todos), donde, eu não formo a minha opinião sobre um assunto seguindo a versão e o tratamento dado a esse assunto pela televisão A ou B ou pelo partido político X ou Y. Claro que uso todas as informações – válidas e não desmentidas- de todos os sítios que as emitem para formar depois a minha própria opinião.

    Dito isto, sobre este caso Freeport digo-lhe apenas que, neste caso, mesmo provando-se que há fogo neste imenso fumo, e que há corrupção “da grossa”, isto não vai dar em nada, daqui a umas semanas está tudo esquecido, para além disso a Prisa, que controla a TVI é socialista ( versão laico/maçónica, que controla o Partido Socialista), o que quer dizer que mesmo estes ataques estão sob controle, ao mais alto nível, ou tem dúvidas disso?

    Ora vá lá ver o noticiário da TVI de hoje, no arquivo, e veja lá na notícia sobre a maçonaria se não aparece lá o seu colega jornalista – ah pois é- Vitor Pinto em pose maçónica…

    Neste país havendo crime e corrupção desde que toque algum Lobby poderoso a coisa nunca dá em nada, meu caro. È a democracia de merd… que temos, verdadeira ditadura disfarçada, onde nunca tão poucos – e intocáveis – mandaram em tantos…

  12. Meu caro, para os poucos que não o soubessem rapidamente o percebiam!

  13. quinta do infantado diz:

    Marinho Pinto disse que Manuela Moura Guedes envergonhava os verdadeiros profissionais que trabalhavam naquela casa.

    Por isso penso que a carapuça não serve ao Nuno Ramos de Almeida

    Sobre o caso Freeport, tudo o que ele disse foi investigado há anos, não é nada de novo, está nos autos assinados por uma magistrada, levou na época a suspensão de um inspector da Judiciaria, e toda esta celeuma, é porque realmente a TVI não está a fazer investigação nenhuma, e sim a fazer guerrinha pessoal ao Socrates.

    Alguem se recorda que na mesma altura surgiu tambem a historia que metia o Diogo Infante ao barulho?

    Ambas tinham o selo de Santana Lopes adversário de Socrates nessas eleições legislativas.

    Isto nada tem a ver com os factos que actualmente estão a ser investigados pelo MP, havendo factos novos, o processo seguiu o seu curso, estranho para Marinho Pinto e para muita gente é que só em ano de eleições este caso volte á baila.

    Socrates é responsavel pelo desemprego galopante, pela insensibilidade para com os desempregados sem subsidio de desemprego, pela delapidação de fundos publicos para tapar os desfalques dos banqueiros , por um código de trabalho, que é um ataque aos direitos dos trabalhadores, em suma pela crise em que vivemos, e é aí que quem se diz de esquerda deve centrar as suas criticas a Socrates, e não distrair-se com casos Freeport, porque esse é trabalho da justiça.

    Marinho Pinto frontal e desassombrado , diz aquilo que pensa, num país de meias-tintas, muitos não gostam do estilo.

    Eu que sou apoiante do Bloco de Esquerda e abomino totalmente Le Pen, até porque vivi em França, e sei bem o que é racismo e a xenofobia, não entendo nem aceito que alguem possa comparar a frontalidade de Marinho Pinto, com o fascistoide françês.

  14. Sérgio Pinto diz:

    Caro Nuno Ramos de Almeida,

    O Marinho Pinto não disse que a Manuela Moura Guedes (e não o jornalismo da TVI) insultava os verdadeiros jornalistas, o que é bastante diferente.

    E, convenhamos, jornalismo de investigação não equivale (longe disso) a espalhar acusações a torto e a direito.

  15. Nuno, serei dos poucos que não sabia que eras jornalista na TVI. Leio os teus posts com atenção mas quanto à televisão, deixei de ver há muito tempo. Mas só uma nota, sem ter assistido ao frente-a-frente que citas: a MMG não é a Oriana Fallaci.

  16. Mas o “cinco dias” está a gozar comigo? Vejo e ouço o M.P. ainda antes de ser eleito Bastonário dessa coisa que é a Ordem dos Advogados. Vejo e oiço a M.M.G. desde a adolescência dela (incluindo a TVI).
    Que se passa com Vossas Senhorias? Estão a gozar comigo? O homem não tem o charme do James Bond, mas o que conseguiu articular do que queria dizer, merece um aplauso. Mesmo que isso sirva(aparentemente e no imediato) o Poder. A verdade, seja ela qual for, é um valor em si. Mesmo que “mal dita”.
    Atinem!

  17. Nuno, eu sei que tu es um jornalista independente (e os blogueres do 5 dias tambem), mas nao consigo separar o 5 Dias da TVI presentemente. Ja te disse isso uma vez. Desculpa mas e verdade. O 5 Dias e a TVI sao duas entidades independentes (ninguem poe isso em causa), mas perfeitamente analogas. Analogas porque as criticas que eu faco a um faco ao outro. E eu faria esta analogia mesmo que tu nao tivesses nenhuma ligacao profissional com a TVI (ou nao fizesses parte do 5 Dias) – ve se entendes isso.

    “Sejamos claros, o que incomoda muita gente no noticiário da TVI, não é o estilo da apresentação, mas o conteúdo das investigações.”

    Nada mais errado, Nuno. O que descredibiliza o noticiario da TVI e o estilo da apresentadora. Tal como o que descredibiliza o 5 Dias e oi estilo de alguns dos seus membros. Eu afirmei isso claramente antes de sair: em ultima instancia, eu sai do 5 Dias por questoes de estilo, mais do que por divergencias politicas (que tambem as tenho, mas conviveria bem com elas).

    “Os novos apoiantes de Marinho Pinto estariam dispostos a elogiar o Le Pen se isso lhes garantisse que o jornalismo de investigação em Portugal fosse totalmente amestrado.”

    Nao, Nuno. O Jornal Nacional da TVI e que estaria disposto a elogiar o Le Pen se tal prejudicasse o Socrates. E o 5 Dias tambem. Alias, nao foi por aqui que alguem elogiou o Pinochet? Ve bem as criticas que fazes.

    Abracos da URSS.

  18. Estou a olhar bem para o titulo do teu post: “o heroi da bicharada”. E se alguem chamasse “heroina da bicharada” a Manuela Moura Guedes (e o que eu penso dela)? Ou “herois da bicharada” ao 5 Dias?

    Estas cego, meu caro. Cego.

  19. António Figueira diz:

    Caros comentadores, das 23h de ontem para cá:
    Desculpem o atraso na aprovação dos V. comentários, mas o Nuno está ausente e sem acesso à net até à noite, pelo que só nessa altura há-de dizer de sua justiça, eu sou só locutor de continuidade, estou aqui apenas para vos pôr no ar (a todos menos um, que o pudor não me permite).
    Cumps., AF

  20. Devo ter visto outra “entrevista” então.

  21. ..a que eu vi era de uma Srª que mais parecia uma gata assanhada, cega de raiva e com muito pouca curiosidade sobre o que o convidado tinha para dizer.

  22. Tiago Mota Saraiva diz:

    O que tem graça nisto tudo é o facto de nenhuma das notícias da TVI ter sido desmentida. No fundo é curiosa a desproporcional preocupação de alguns sobre o jornalismo da TVI por comparação com a preocupação sobre a veracidade dos factos aprovados.
    Será mais nocivo para o país o mau jornalismo com que adjectivam a TVI do que um poder corrupto?

    Filipe essa da famosa aliança “TVI+5dias” é fantástica!

  23. Su diz:

    O que faz o ressabiamento! Esta “analogia” entre o 5Dias e a TVI…

    Não duvido que na TVI hajam bons jornalistas, mas é inegável a formatação “baixo nível” e sempre a puxar para o escandalozito que a estação imprime aos conteúdos, sobretudo no noticiário de 6ª. Para quem quer sempre expor as promiscuidades do poder (o que é positivo), deveria ter mais pudor, afinal se MMG não fosse mulher de quem é, continuaria a apresentar o telejornal?!
    No caso em apreço, parece que estiveram bem um para o outro, muito alarido e de mão na anca.
    Sugestão para aumentarem audiências: pegarem nestes 2 e em mais uma mão cheia de outros ao nível, enfiarem-nos numa casa e transmitirem o Big Brother Cromos Pé de Chinelo…

  24. joaquim borges diz:

    Votei, por duas noDr MarinhoPinto; Nunca estaria ao lado do Le Pen.
    Para um jornalista que se preze,defender a MMG,mulher do Boss,entende.se…agora por convicçao,francamente…

  25. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Ana Cristina Leonardo,
    Falas da Oriana Falacci que comparou os manifestantes do Fórum Social Europeu, em Florença, com Mussolini? A mesma que pediu a expulsão dos árabes da cidade? Aquela que inventava entrevistas? Nunca achei que fosse uma grande jornalista.

    Filipe,
    Em intervalo de reportagem, tenho pouco a dizer-te. Tu nunca argumentas limitas-te a insinuar. As reportagens podem ser discutidas pelo seu conteúdo, coisas que não fazes. As nossas críticas ao governo podem ser discutidas, também, no seu conteúdo. Era o que faltava que fossemos obrigados a ter a tua opinião simpática e veneranda do governo. A comparação da TVI e do 5 dias é imbecil. Era o mesmo que eu passasse a comparar-te ao ministério do ensino superior. Não me esqueci que no teu último comentário cá, insinuaste que eu tinha essa opinião pq recebia da TVI. Eu não faço o mesmo. Acho que a tua opinião é completamente errada, mas é a tua.
    De resto, aquilo que me separa de ti, não é a divergência, essa pulsão que tens de nos atacar.

  26. Tiago e Nuno, ninguem falou de “alianca” entre 5 Dias e TVI. Que nao passe pela cabeca de ninguem achar que alguem do 5 Dias faz fretes a TVI – nunca foi isso que eu quero dizer (essa ressalva e importante, especialmente para o Nuno, por motivos obvios). Apesar de ja nao ser membro do 5 Dias, conheco o blogue e eu proprio afirmo o contrario perante seja quem for. Agora, ambos tem o mesmo estilo (e isso nao tem a ver com o Nuno ser membro de ambos, o que neste caso e uma coincidencia). Quem gosta de um, gosta de outro – nesse sentido, e so nesse, e que eu digo que sao analogos. E e um estilo de que eu nao gosto. E um gosto meu, que eu sou livre de ter.
    Da minha parte, Nuno, nao faco insinuacoes nenhumas. (Se achas que faco insinuacoes estas a entender-me mal.) E nao tenho que provar nada – nao sou jornalista.

    Ana Leonardo, tambem tinha essa pergunta. Dizer “MMG nao e a Oriana Fallaci” para si e defeito ou elogio? Nao percebi.

  27. Luis M. Jorge diz:

    Bem, a magna questão é: se você não fosse jornalista da TVI estaria a defender a Manuela Moura Guedes? O corporativismo chega longe cá na aldeola.

  28. Luis M. Jorge diz:

    Bem, a magna questão é: se você não fosse jornalista da TVI estaria a defender a Manuela Moura Guedes? O corporativismo chega longe cá na aldeola.

  29. Paulo Ribeiro diz:

    vamos lá ver. o que doi ao nra é que perdeu o pé na defesa do que não tem qq defesa. tramou-se. agora, está completamente subjugado aos interesses da sua entidade patronal. triste sina para quem rasga as vestes acusando o capitalismo que oprime e subjuga os trabalhadores, ver-se assim, oprimido e subjugado pela linha editorial do “seu jornal nacional”, enfim, pela “patroa”, e, pela boca vai morrendo o peixe. o nra não tem a capacidade de pensar por si, e agora, de beiço trémulo e olho rútilo, desata numa sem vergonha toada de má criação a quem lhe chama a atenção do demasiado óbvio: que o rei vai nú e que não passa de um comissário. nra, até aceito que o amigo me mande à merda, apesar, de não precisar de o fazer, afinal, e apesar de tudo, não resisto a deambular por aqui. aceito que não compreenda os meus comentários, mas aí, sempre lhe digo, que, vexa não tem moral para falar. não é o meu amigo que desata, por tudo e por nada, a conformar a realidade ao seu juízo pré-formatado. sabe? eu compreendo-o mais do que imagina. quem cresceu numa casa de incansáveis revolucionários na clandestinidade, quem foi educado, desde a mais tenra infância, pela sacrossanta rédea do socialismo real, não pode, não consegue, dar noutra coisa que não seja a prosa que o define. o nra não passa de um “victimae errorum patrum”! não é para lamentar, é apenas, para relativizar. e eu relativizo.

  30. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Quinta do infantado,
    O que você diz sobre o caso Freeport é uma caricatura da verdade. Vamos por partes:
    1. Há dados novos no caso Freeport senão ele não estava ainda a ser investigado.
    2. O Inspector da PJ foi objecto de outro processo que nada tem que ver com o conteúdo do Freeport, mas sim a violação de segredo de justiça.

    Paulo Ribeiro e restantes,
    Eu não defendo a minha entidade patronal, eu defendo a investigação, em que eu participo, e que é feita por jornalistas da TVI. A insinuação que as pessoas que não concordam com o Paulo Ribeiro e restantes são vendidos, é todo um estilo de argumentação que qualifica , antes de mais nada , quem a faz.
    Voltamos ao mesmo, não há nenhum facto noticiado que tenha sido desmentido. O resto é conversa.

  31. Paulo Ribeiro diz:

    caro nra, o conhecido argumento de que “não há nenhum facto noticiado que tenha sido desmentido”, curiosamente, faz lembrar, aquele que vem de sócrates, o ateniense: (de memória) – “ó amigo (para um sofista), não me perguntes pela equação cujo resultado final, pela simples soma, dê quatro. sobretudo, quando, em simultâneo, me dizes que eu não venha com um mais um mais um mais um, ou, dois mais dois, ou, três mais um”. pois é! da mesma forma que um qualquer nra diz o que diz e defende o que defende, um qualquer paulo ribeiro, diz o contrário e defende esse contrário. uns são pelo “iuri malus fumus”, outros são pelo “iuri bonus fumus”. dito de outro modo. uns alimentam-se da má-fé, custe o que custar. outros, ainda que não gostem, esperam com serenidade, que, a haver fogueira, pelo menos, haja fogo. ora o fogo queima e resolve. o fumo só conspurca e deixa mau cheiro. penso que os “lança fumarada”, não têm grande futuro. não há nada como um dia atrás do outro, já dizia a minha avô.

  32. sobre a Oriana Fallaci e a MMG; esqueci-me que era politicamente incorrecto defender a jornalista italiana mas pronto: punhamos a coisa noutros termos. Fallaci tem biografia, que é uma coisa que passou a contar pouco nos dias que correm em que só se vê gente a nascer das ervas; mas permito-me dizer que despachar em três penadas uma senhora que participava na resistência ao fascismo ainda nenhum de nós era nascido, é obra!

  33. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Ana Cristina Leonardo,
    Lamento muito que uma antiga resistente tenha dado numa velha racista. Basta ler o Orgulho e a Raiva para ficar com nojo. Basta ter assistido as tentativas da senhora para proibir o primeiro Fórum Social Europeu para perceber as tendências políticas da senhora. Basta conhecer umas tantas entrevistas arredondadas da senhora, para perceber que a Oriana Falacci não era assim um modelo de jornalismo tão perfeito.
    Agora estás enganada, é politicamente correcto dizer bem da Oriana Falacci em Portugal e Itália os principais jornais, proprietários de jornais e jornalistas dizem bem dela: do Berlusconi ao José Manuel Fernandes. Até tu, não escapas a essa maleita. O que quer dizer que ninguém é perfeito, nem mesmo tu. Mas, para mim que te leio, tens um crédito tão grande que vou-me esquecer do facto. 🙂

  34. Há qq coisa neste post que não bate certo. Dizer que «Marinho Pinto incomodou-se que o confrontassem e resolveu partir para o insulto» não é propriamente verdade. O que é verdade é que toda a entrevista é agressiva (o que até me agradou) e Marinho Pinto aguentou-se. O que o fez perder a estribeiras foi outra coisa, foi quando MMG afirmou: «você é que não está a fazer muito pelo nome da sua classe». Com esta afirmação, na minha opinião MMG perdeu a razão porque ela não está ali para fazer este tipo de afirmações. E o MP respondeu-lhe à letra. Muito justamente, eu faria o mesmo.

  35. SeaKo diz:

    Proponho um cenário ao NRA: imagine q a mesma peça jornalística tinha ido para o ar não na 6ª-feira, mas na 5ª ou no Sab., e que a conduzir a entrevista ao Bastonário estaria um Pedro Pinto ou um Júlio Magalhães…

    Ou todos os outros jornalistas (até os da tvi que folgam à 6ª!) estão todos no bolso do Governo, ou então só é cego quem não quer ver.

  36. Sérgio Pinto diz:

    Nuno Ramos de Almeida,

    Há um problema básico com o ‘jornalismo’ estilo ‘Manuela Moura Guedes, que é a falta de escrúpulos com que se queima alguém em praça pública. Basicamente, foi à conta de lindos episódios deste calibre que a carreira política do Ferro Rodrigues e do Paulo Pedroso (ao nível a que estavam antes) acabou. E abjecto que assim tenha sido.

  37. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Sérgio,
    Não cabe aos jornalistas julgar, mas noticiar. Repara, usando o caso extremo de uma pessoa que foi considerada inocente pela justiça, o Paulo Pedroso, pessoa estimável que eu conheci no ISCTE, achas que a prisão dele e o facto de estar no processo não devia ser noticiado? Achas que o facto de se noticiar, por exemplo, que existe um DVD, que consta do processo britânico, em que Sócrates é acusado de ser corrupto, por um responsável de uma empresa que tratou do processo de legalização do Freeport, não devia ser noticiado?
    O problema nesta sociedade não está nas notícais, mas na ausência delas e na falta de transparência da justiça, veja-se o caso das alegadas pressões de Lopes da Mota.
    O bastonário da Ordem dos Advogados passa os dias, de uma forma irresponsável, a dizer que o caso da Casa Pia foi uma conspiração para retirar Ferro Rodrigues da direcção do PS. Retirando o facto que a violação das crianças da Casa Pia me parecer um crime que mereça ser investigado, vamos tentar investigar estas declarações sensacionalistas do Sr. Bastonário: quem conspirou? A quem serviu essa conspiração? Por que razão não se investigou essa alegada conspiração?
    Parece-me interessante que nessa alegada conspiração esteja João Guerra, irmão de Carlos Guerra, que ajudou aprovar o Freeport e de José Guerra, que está no Eurojust com Lopes da Mota, todos próximos do PS. É possível imaginar que haja uma conspiração dessas pessoas para prejudicar Ferro Rodrigues? Eu acho muito difícil. Está ao nível das teorias da conspiração mais estapafurdias e qualquer dia , o Sr. Bastonário está a falar dos marcianos e do triângulo das Bermudas.

  38. Sérgio Pinto diz:

    Nuno,

    Eu não estou a defender nem a subscrever as visões conspirativas do Bastonário, longe disso. O que, no entanto, não me impede de concordar com ele (acho que pela primeira vez) na repulsa pelo género Manuela Moura Guedes.

    Em abstracto, dir-te-ia que concordo quando dizes que aos jornalistas cabe noticiar. No entanto, passando da abstracção para o mundo real, sabes também que nada é tão linear assim, e que o que aparece num Jornal da Noite tem enorme impacto concreto sobre os visados. Objectivamente, a carreira política do Paulo Pedroso foi arrumada com tudo o que aconteceu em redor do caso Casa Pia; não implica que estejamos perante teorias da conspiração, pode simplesmente tratar-se, por exemplo, de falta de ética jornalística, em que a busca das audiências (e, por arrasto, o lucro, que é o objectivo final de qualquer entidade privada) sacrifique deveres deontológicos.
    Por outro lado, parece-me ser inerente ao senso comum que os escândalos ou as notícias surpreendentes em geral atraem mais atenção (e audiências); nesse sentido, compara o número de notícias (e respectiva exposição) sobre o envolvimento do Pedroso (ou do Ferro Rodrigues) na Casa Pia com o número das que os inocentavam. Ou ainda quantas vezes foi um possível envolvimento do Pedroso notícia de abertura de Telejornais? E quantas vezes aconteceu isso quando afinal foi declarado inocente?

    Repara, estou a dar o caso do Pedroso por ser mais marcante e próximo, mas não seria assim tão complicado imaginar outros.
    Em certo sentido, Nuno, o argumento de ‘os jornalistas devem noticiar, sem se preocuparem com o resto’ faz-me lembrar o do ‘os empresários devem preocupar-se com os seus lucros, porque os problemas trabalhadores não são preocupação deles’. E tenho a certeza que não concordarias com esta última frase…

  39. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Caríssimo Sérgio,
    Creio que a absolvição do Paulo Pedroso foi igualmente noticiada. Mas a questão que te coloco é outra. Por exemplo, no caso Freeport acho que faz parte da função dos jornalistas investigar e parece-me impossível não noticiar o DVD e a carta rogatória britânica. Parece-me que o maior problema do jornalismo português não são aqueles que investigam, mas aqueles que silenciam os factos que não são convenientes aos proprietários ou às tutelas.
    Infelizmente, a justiça e o jornalismo não são ciências exactas, mesmo Paulo Pedroso, que eu estou convencido, desde sempre, da sua inocência, teve sentenças diversas: por um lado, foi absolvido e por outro, uma sentença em outro tribunal, considerou inocentes do crime de difamação os jovens da Casa Pia que o denunciaram.
    Estou de acordo contigo que a vida das pessoas exige cuidados acrescidos, mas também defendo que os titulares de cargos políticos possam ser escrutinados pela comunicação social e a justiça.

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