Ah, pois é, a democracia, sim, a democracia, a “nossa democracia”, e eu já me esquecia….


Richard Prince. “Debutante Nurse”. 2004

[ A superioridade da “nossa democracia”, sim, muito bem alimentada e regada a Maizena, aqui exemplarmente retratada por Manuel António Pina, num texto de grande oportunidade: ]

ACREDITE SE QUISER

Notícias surpreendentes lá de fora: o primeiro-ministro belga, Yves Leterme, propôs hoje (19/12/08) a demissão de todo o Governo, na sequência de acusações de alegadas (alegadas, imagine-se!) pressões sobre a justiça. Leterme nega qualquer pressão sobre o poder judiciário e apenas admite ter feito “contactos”; Michael Martin, presidente da Câmara dos Comuns, anunciou hoje (19/05/09) a demissão, após acusações de alegadamente (alegadamente, pasme-se) ter consentido alegados (só alegados) abusos nas despesas de representação de alguns deputados; dois membros da Câmara dos Lordes foram hoje (20/05/09) suspensos (suspensos, a democracia inglesa está maluca!) por alegadamente (outra vez só alegadamente) terem aceitado dinheiro para votar projectos de lei.

Nenhum deles foi, pasme-se de novo, condenado por sentença transitada em julgado, e mesmo assim, pasme-se ainda mais, tiraram consequências políticas de alegações fundamentadas que os visavam. Então e aquela coisa da “presunção de inocência”? As democracias belga e inglesa têm que comer muita papa Maizena para chegarem aos calcanhares da nossa…

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1 Response to Ah, pois é, a democracia, sim, a democracia, a “nossa democracia”, e eu já me esquecia….

  1. Sejeiro Velho diz:

    Ou as notícias dos jornais estão mal dadas, ou nenhum dos casos que cita foi “alegadamente”.
    E se foram, então prefiro a nossa democracia! A calúnia e a suspeição não devem ser armas para derrubar governos, sejam eles quais forem.

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