A verdade do 25 de Abril foi (é) o PREC (I)

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Guy-Ernest D.

O Partido Comunista Português convoca-nos a todos, militantes e não militantes mas militantes das suas causas, para uma grande manifestação ou marcha de protesto contra a actual situação política, e contra o despudorado reaccioniarismo económico deste governo em Portugal (dia 23 de Maio a partir do Saldanha).
Os professores, por seu lado, e com toda a justiça, descerão à rua dia 30 deste mesmo mês. Vivemos tempos agitados, e tempos que traem o 25 de Abril em termos de políticas governativas e falência na justiça (o que significa que, tudo leva a crer, o PS cumpriu “bem” a sua missão). Um novo PREC, portanto, não seria nada indesejado – para nós, poderia ser um regresso à vida plena, e para o PS um retrato do seu fracasso histórico. Como todas as utopias, pode ser coisa realizável (e pode não ser).

Vêm estes pensamentos a propósito de uma releitura: de uma carta de Guy Debord ao seu tradutor e amigo português A.M., datada de 8 de Maio de 1975 (publicada no volume 5 da sua correspondência, Janeiro, 1973 – Dezembro, 1978, Paris, Fayard, 2005, pp. 156-157). A carta é longa e mostra um Debord muitíssimo empenhado na situação da revolução portuguesa (dedicar-lhe-á momentos do seu filme Réfutation de tous les jugements, tant élogieux qu’hostiles, qui ont été portés sur le film “La Société du Spectacle”, 1975). E que nos propõe Guy Debord? Uma agitação permanente, claro. Uma lição para o tempo presente. Que lemos na carta que eu deva sublinhar? Isto, que é óbvio e muito simples de perceber:

“Quanto às temáticas de uma agitação permanente, julgo que as primeiras que se impõem são: embarque e regresso imediato das tropas de África; denúncia quotidiana de toda e qualquer aproximação dos partidos de esquerda em relação a António de Spínola, à Igreja e aos banqueiros; autonomia das comissões de trabalhadores e seu armamento (…).”

Sabia ele mais de nós do que nós de nós mesmos (digamos deste modo). Batalha perdida?
(Continua)

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4 Responses to A verdade do 25 de Abril foi (é) o PREC (I)

  1. Lá estaremos para que seja uma grande manifestação, uma grande jornada de protesto e de luta.

  2. Joane, o Parvo diz:

    Guy Debord diz umas verdades de que eu também partilho, fala, expõe, denuncia a decadência material de toda uma sociedade, as falsas verdades (que nos impingem dia sim, dia sim). Mas, fá-lo com outro estilo muito superior, através dos seus filmes: onde expõe preto no branco a “distance organizé entre chacun et tous”.
    “Critique de la Séparation” está muito bem meditada.

    Sendo Parvo, só não percebi uma coisa: isto do “armamento” é para ser levado à letra?
    É que sou pacifista.
    Defendo a mudança, se quisermos a “revolução” através da denúncia das falsas verdades, de contraposição de ideias, muita argumentação… e por aí fora… É mais por aí… “pera mi” que sou Parvo.

  3. Paulo Ribeiro diz:

    isto sim, é loucura de rasgar dinheiro. topo. vidal, pode contar comigo, lá estarei. nessa altura, vai ser aquele “aperto”! vai preparando esses ossos.

  4. Patricia diz:

    Começa por referir o PCP,que participou nos governos provisórios,e que desde sempre não quis nem quer importar modelos (que só anos mais tarde percebemos a razão) de governação de outros paises.Em 1975 Alvaro Cunhal conseguiu evitar uma guerra civil em Portugal,não acredito que alguem soubesse mais sobre nós mesmos.Em relação ao tempo presente penso muitas vezes que há pessoas a quem não devia ser permitido morrer.

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