para que permaneça no nosso quotidiano

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Morreu Augusto Boal. Tinha 78 anos de uma vida de luta, de solidariedade e de criatividade que influenciou o teatro em todo o mundo. Conhecido muito pelo trabalho do ‘teatro do oprimido’ estamos perante uma das mais fascinantes personalidades do século XX no Brasil. Um homem belo que (re)descobria o belo e o trágico dos nossos dias. O meu amigo José Soeiro, apaixonado e investigador desta fascinante personalidade, enviou-me um texto do qual retirei o seguinte parágrafo para partilhar com vocês:

“A ideia de Boal é simples: todos somos teatro. E, sendo o teatro a capacidade humana de nos observarmos em acção, precisamos de recuperar a nossa capacidade de actuar. Como dizia de forma provocatória, na medida em que for passivo, um espectador é sempre menos que um ser humano. Daí ter inventado o termo de espect-actor: uma combinação da capacidade de observar e de reflectir (própria do espectador) mas que nos restitui também a de agir nas situações que vemos (típica do actor), não reduzindo a realidade àquilo que existe, mas abrindo-a às possibilidades que sempre tem de ser diferente. Há cerca de um mês, na mensagem do Dia Mundial do Teatro que este ano escreveu, terminava dizendo que “actores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma!”.

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Uma resposta a para que permaneça no nosso quotidiano

  1. maria monteiro diz:

    Meu Caro Amigo (dedicada por Chico Buarque a Augusto Boal em 1976)

    Meu caro amigo me perdoe, por favor
    Se eu não lhe faço uma visita
    Mas como agora apareceu um portador
    Mando notícias nessa fita
    Aqui na terra ‘tão jogando futebol
    Tem muito samba, muito choro e rock’n’roll
    Uns dias chove, noutros dias bate sol
    Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
    Muita mutreta pra levar a situação
    Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
    E a gente vai tomando que, também, sem a cachaça
    Ninguém segura esse rojão
    Meu caro amigo eu não pretendo provocar
    Nem atiçar suas saudades
    Mas acontece que não posso me furtar
    A lhe contar as novidades
    Aqui na terra ‘tão jogando futebol
    Tem muito samba, muito choro e rock’n’roll
    Uns dias chove, noutros dias bate sol
    Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
    É pirueta pra cavar o ganha-pão
    Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
    E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
    Ninguém segura esse rojão
    Meu caro amigo eu quis até telefonar
    Mas a tarifa não tem graça
    Eu ando aflito pra fazer você ficar
    A par de tudo que se passa
    Aqui na terra ‘tão jogando futebol
    Tem muito samba, muito choro e rock’n’roll
    Uns dias chove, noutros dias bate sol
    Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
    Muita careta pra engolir a transação
    E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
    E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
    Ninguém segura esse rojão
    Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
    Mas o correio andou arisco
    Se permitem, vou tentar lhe remeter
    Notícias frescas nesse disco
    Aqui na terra ‘tão jogando futebol
    Tem muito samba, muito choro e rock’n’roll
    Uns dias chove, noutros dias bate sol
    Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
    A Marieta manda um beijo para os seus
    Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
    O Francis aproveita pra também mandar lembranças
    A todo o pessoal
    Adeus

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