reacções primárias

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O episódio Vital (e o 1º de Maio) provocou muitas reacções. Algumas delas “primárias”, no sentido de pouco elaboradas, tidas a quente, e bem populistas.

Clarificando:
– mandar umas bocas – apupar – não me parece ser de todo problemático em democracia;
– a agressão física é sempre um acto extremo, neste caso claramente individual, que deveremos condenar (por uma questão de urbanidade e respeito pela integridade do outro);
– a CGTP esteve muito bem na gestão da coisa (Carvalho da Silva é mesmo um grande líder);
– estou de acordo com o Daniel Oliveira no seu segundo texto sobre o assunto (mais do que com o primeiro);
– acho delicioso o desenho do Pedro Vieira (que ilustra este texto, obrigado Pedro!) e não percebo reacções tão violentas a este exercício artístico e humorístico;
– a SIC deu um tempo de antena patético a Vital Moreira (coisa que interessará, pois a estratégia das múltiplas vitimizações parece ser o caminho);
– tentar limpar a imagem a uma organização atingindo outra – vulgo “sacudir a água do meu capote” – só reforça a ideia de que se tem algo para “lamentar” e demonstra que pouco se aprendeu com a situação;

Conclusão: foi um momento triste da nossa democracia, triste essencialmente, porque não se interiorizou depois de toda esta polémica a necessidade de pensarmos como fazemos política. E acima de tudo não se percebeu que esta violência discursiva só empobrece o debate político democrático.
Vamos pensar: a quem interessa este empobrecimento da política em Portugal?

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2 respostas a reacções primárias

  1. Teodoro Silva diz:

    Nem Vital Moreira, nem Mário Soares, beneficiaram com as agressões de que foram vítimas. O primeiro, por ser cabeça de lista, já está eleito. O segundo, na segunda volta, teria sempre o apoio do PCP, que nunca votaria Freitas do Amaral.

  2. Pingback: PCP, sozinhos e sempre sós « Aventar

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