Do país de Abril às contradições do capitalismo

«E, daqui mesmo, nós exortamos o nosso povo que, para comemorar esta vitória sobre a reacção o próximo domingo seja um dia de trabalho nacional, um domingo em que o povo vá para a oficina, vá para os campos, vá para a fábrica, trabalhar, como (manifestação de alegria por esta vitória que obtivemos sobre a reacção. Estamos convencidos de que o povo compreenderá e que poderá fazer do próximo domingo como jornada de vitória nacional, de vitória do 25 de Abril. E no trabalho demonstrar que está, de facto, interessado, verdadeiramente interessado, no progresso da Nação. Não pretendemos que o fruto desse trabalho seja entregue, nem ao Governo Provisório, nem ao Movimento das Forças Armadas: o produto desse trabalho será para quem trabalhar. Mas nós sabemos que esse produto irá juntar-se ao produto nacional.
O que pretendemos é que as massas, quer no campo, quer na cidade, os intelectuais, etc., demonstrem ao País uma unidade com as Forças Armadas, alicerçadas no trabalho quotidiano. E por isso aqui exortamos que façamos do próximo domingo uma jornada de trabalho nacional, comemorando a vitória que acabamos de obter»
– Vasco Gonçalves

Num domingo de 1974 (6 de Outubro), o governo entendeu pedir ao povo que fosse trabalhar para aumentar a produção nacional. Hoje, depois de anos e anos de destruição do aparelho produtivo nacional e com Portugal sufocado por uma crise em crescimento galopante, o que interessa aos patrões é ter menos trabalhadores ou não os ter a trabalhar.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

7 Responses to Do país de Abril às contradições do capitalismo

Os comentários estão fechados.