Visão deprimente de um grande desfile

Detive-me um pouco a olhar aqueles miúdos de 15/17 anos, trajados com o amarelo da Juventude Socialista, à espera que o suplício de descer a Avenida acabasse. Sem alegria, sem socializar, integram-se numa manifestação que nada lhes diz para picar o ponto de uma organização política que é pouco mais que uma agência de emprego.
Por fim, lá aparece o Rossio e os vários funcionários a quem se deve dar a bandeira e a t-shirt, para os do próximo ano.

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19 Responses to Visão deprimente de um grande desfile

  1. Luis Rainha diz:

    A bem da verdade, não vi a JCP muito mais animada…

  2. ezer diz:

    Amarelo?!Está certo,é a cor certa…

  3. carlos fonseca diz:

    Como o Luís Raínha observa, a JCP também não estava muito animada. É a síndroma do alheamento dos jovens em relação à política. Urge perguntar: a responsabilidade é deles? Penso que não.

  4. O que achei mais deprimente foi o facto de dada a deriva ideológica do dito Partido Socialista, a sua juventude sem slogans, causas ou ideias para defender apenas pediam “Casamento para tod@s”.
    Claro que a causa é importante e que foi para isso que o 25 de Abril foi feito… mas os “jotas” caídos de paraquedas, apenas para picarem o ponto, pareciam umas marionetas a reivindicarem a única causa que lhes é possível reivindicar, dado o vazio ideológico que estes dirigentes do PS representam!

  5. renegade diz:

    Por mim sempre me pareceu cretino aproveitar o 25 de abril para insultar pessoas pela sua opção partidária. E olha que todos os partidos e juventudes partidárias têm muito de agência de emprego, incluído o teu.

  6. mc diz:

    Pior que essa descida moribunda (à frente da CGTP, extraordinária quase-ironia se não tivesse sido de propósito) só os assobios ao representante do PS (que, sem o querer equiparar a verdadeiros heróis da resistência, terá mais anos de vivência anti-fascista do que o coro juvenil que o assobiou todo junto tem de vida) e da respectiva jotinha amarelinha (que, como todas as outras jotinhas, é inútil) quando foram chamados ao palco no Rossio. se o 25 de abril é só de uns – e eu aprendi o que foi a Revolução muito cedo e cresci a pensar que não – agradeço que me avisem de antemão, porque se é para voltar a ver estas figuras tristes – que envergonhariam qualquer Capitão de Abril – não volto a por lá os pés. eu e muita gente que acha que o 25 de Abril não é uma parada partidária mas a celebração da data mais importante da nossa história recente – e onde se deve lembrar que sim, a luta continua, hoje e sempre, mas com dignidade.

  7. Patricia diz:

    Efectivamente é lamentável que numa festa que é do povo portugues,num desfile a que só vai quem quer,apareçam algumas criaturas que utilizam os métodos das claques de futebol e resolvem assobiar e insultar os outros.

  8. Carlos Vidal diz:

    renegade, que comentário tão violento, meu deus!

    Então o meu caro agora quer obrigar-nos a sermos todos tolerantes?
    Onde é que foi buscar o seu pietismo?
    E porquê obrigar os “jovens socialistas” àquele suplício?
    Maldade, meu deus, que maldade!

  9. renegade diz:

    não é pietismo, amigo CV, é alergia à clubite partidária. Quase tudo o que o TS diz se aplica aos membros da juventude partidária do partido a que pertence, mas não diz.

  10. Carlos Vidal diz:

    Caro renegade,
    Não estive perto dos pobres “j.socialistas”, mas acredito de todo na descrição do Tiago, por uma razão simples: nada mais alheio àquela manif que uma presença “p.socialista” ou “j.socialista” ou mesmo “p.soarista”.
    Por uma razão outra ainda: é que eu acho que o 25 A não pode apenas ser considerado, como os apaniguados do Soares gostam de dizer, apenas como o “dia da liberdade” – isto da “liberdade” não quer dizer nada. Logo, admito a “clubite” partidária, claro, se ela for ao encontro de princípios que de mim estejam próximos e se ele fomentar a luta e o confronto. Acho, com efeito, a “j.socialista” exterior àquela manif, como acho o “p.socialista”. Não gosto de os ver ali. Repare, na minha modesta opinião o que representa o espírito de Abril? Uma resposta simples: o PREC, pois o espírito de uma revolução ou transformação social é aquele que as massas, o grande colectivo, deseja, imprime, leva avante em desgoverno inédito. O espírito de uma revolução ou processo de emancipação é aquele que se enreda numa aventura inédita e imprevisível e não pensa, não tem de pensar, como tudo aquilo vai “acabar”. E quem acabou esse movimento imprevisível? A resposta também me parece simples: o termidoriano Soares e o seu PS.
    Resumindo, deveríamos poupar os “jovens socialistas” àquele suplício.

  11. Ah, Tiago, era tão bom que o desfile do 25 de Abril fosse só dos camaradas, não era? Pluralidade e diversidade no 25 de Abril – que chatice. Abril não é para todos. Abril somos nós. Não é, Tiago?

  12. Patricia diz:

    Caro Carlos Vidal,antes do PREC e da corajosa decisão levada a cabo pelos Militares de Abril,já muitos tinham lutado quando a liberdade não existia,quando fazer uma manifestação ou uma greve levava aos calaboços da PIDE,ao forte de Peniche,ao campo de morte do Tarrafal,onde alguns perderam a vida e não chegaram a ver o 25 de Abril.Todos eles estejam hoje onde estiverem estão na linha da frente dos que tornaram possivel q

  13. Patricia diz:

    Meu caro Carlos Vidal,antes do PREC e da corajosa atitude dos militares do MFA,muitos contribuiram para que Abril se cumprisse.Para esses que lutaram e resistiram em tempo de ditadura,a falta da liberdade levou-os aos calaboços da PIDE,ao forte de Peniche,ou ao campo da morte do Tarrafal,muitos por lá morreram sem nunca chegarem a ver o fruto da sua luta de uma vida.E todos eles que chegaram vivos ao 25 de Abril independentemente dos caminhos que seguiram merecem o nosso respeito e gratidão.Não é possível comparar o risco que esses homens e mulheres corriam quando organizavam uma manifestação ou uma greve,com os dias de hoje.Para todos eles a liberdade queria dizer muito.

  14. Tiago Mota Saraiva diz:

    Não vi a JCP no desfile, mas estou certo que estariam um pouco mais integrados. Há, pelo menos, a sensação que também lá estarão para o ano. Carlos, o slogan da JS do ano passado era do tipo: Mais democracia para a Madeira.
    Filipe e Renegade, acho fantástico comparar-se a JS à JCP na óptica do tacho. Caríssimos amigos, tenho inúmeras histórias de adolescentes que se tornam militantes (PS e PSD) como se se tivessem a inscrever num centro de emprego. Leiam esta história: http://imperiobarbaro.blogspot.com/2009/03/uma-estoria.html . Também os haverá na JCP, sinceramente, nunca conheci muito bem a JCP. Mas estabelecer uma comparação é surreal…

  15. Carlos Vidal diz:

    Tiago, eu vi a foto do grupo com o cartaz “mais democracia para a Madeira”. Estava e ainda deve estar no site da JS dentro do site do PS.
    É ver para crer.
    De resto, quanto a Js, apenas conheci, pelos meus dez/onze anos a do Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado.
    De resto ainda, parece-me que passando simultaneamente pela JSD e JS se pode chegar a primeiro-ministro (!).

  16. Não foi nada disso que eu disse, Tiago. Embora eu não conheça bem as jotas, acredito que a JS seja bem mais uma agência de emprego que a JCP. A questão não é essa: é que há muito melhores ocasiões para tu dizeres isso que o desfile do 25 de Abril, que deve ser aberto a todos (que não sejam fascistas, claro).

  17. maria monteiro diz:

    Posso dizer que acompanhei a participação da JCP entre o fim da Avenida e o Rossio. Estavam bem animados e apresentavam uma coreografia muito enquadrada (num correr para trás e correr para a frente …)

  18. Tiago Mota Saraiva diz:

    Filipe, estamos de acordo desta vez. Participação aberta a todos, claro! Agora que Sócrates, Vara ou Coelho, não têm nada a ver com o 25 de Abril, não têm.

  19. A questão é esta:

    Ano após ano, o PS não mexeu uma unha para fazer da manif do 25 de Abril uma demonstração de determinação e luta pelo aprofundamento da revolução (em coerência com tudo o que PS fez contra a revolução).

    Mas não deixou de participar na Comissão Organizadora, marcar presença com uma vintena de amarelos jovens socialistas que nem sabiam muito bem que mal tinham feito para ali estarem, e um ou dois históricos antifascistas, que se prestam à tarefa hercúlea de emprestar ao PS o pensamento e o passado que ele não tem.

    A manifestação da Avenida da Liberdade não é uma qualquer “festança da liberdade em santatumbadão”. Tem sido sempre, com mais ou menos gente, a afirmação daqueles que queriam que a revolução tivesse seguido o seu curso.

    Depois há outros, como aquele amigo que na caixa de comentários diz que “se não se portarem bem, nunca mais lá ponho os pés”. É aqui que reside a diferença: para mim (e para todos aqueles que com gosto e convicção descem a Avenida no 25 de Abril) esta tradição é “nossa”, pertence-nos, na medida em que somos nós que a fazemos e nunca deixaremos de fazer, por muito mal que este ou aquele se porte.

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