Então, escriba-jugular, o que é que está em causa?

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Christian Boltanski. 2008

 

Ironiza um engraçado escriba “Jugular”, com alguns meses de atraso em relação ao entusiasmo de certos colegas de blogue sobre os “processos de Sócrates”: “pelos vistos, o cargo de primeiro-ministro é incompatível com o recurso à justiça contra pessoas singulares”. Para além do atraso da observação, naquele mesmo lugar, o que daqui ressalta é pura derrisão demagógica, areia para olhos incautos, graça inconsequente, obviedade obtusa. Claro que qualquer pessoa, seja ou não governante, pode e deve limpar a sua honra, digamos assim, nos tribunais, cuidar do seu nome e eventualmente dos seus, lutar pela sua dignidade, etc, etc. Pois bem, dito assim, qual é a dúvida? Alguém questiona esta legitimidade e mesmo dever num chamado estado de direito? É isto que está em causa? É isto que tem sido questionado? Obviamente que não. O que se passa é que J. Sócrates vê o jornalismo de investigação e opinião como uma ameaça, vá lá saber-se porquê. Ora, toda a gente sabe que estes seus processos incidiram em território de luta política, sobre opositores políticos e outros que duvidam dos seus pergaminhos éticos. E isto é para o escriba jugular proibido? É proibido para este escriba jugular duvidar da moral e ética política do PM? Isso é que eu não sabia. Tirando casos de delito de opinião, Sócrates processou jornalistas de investigação. E nada mais. Portanto, escriba jugular, ninguém impede Sócrates de exigir respeito pela sua pessoa e dignidade. Ninguém, como sabe, mas o senhor mal escreve e descreve. O que se passa é que Sócrates pôs processos a investigações e opiniões. E isto não diz nada ao escriba em causa. Fala “genericamente” do direito do PM de recorrer aos tribunais, como se alguém pusesse isso em causa. Uma figura pública, um PM, tem e deve ser escrutinado por quem o puder fazer. E isto não é um jogo de batalha naval. Ou seja, o investigador não tem a obrigação de dar constantemente tiros no porta-aviões. O investigador segue indícios, tem pistas, e trabalhando seriamente pode descobrir algo importante ou não, algo que pode ou não ser validado. Agora, não pode é deixar de trabalhar, escrutinar e investigar. E é isso, só isso, que Sócrates pretende condicionar.

Certo, escriba jugular?

 

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