Fernanda Câncio faz escola entre os professores?

Mário Nogueira, da Fenprof, aderiu a esse peculiar desporto nacional chamado “tapar o Sol com uma peneira”. Ao que parece, ele levou a hubris ao ponto de se ufanar da sua capacidade de fazer com que o PS perca a maioria absoluta. Isto numa reunião com membros do governo.Depois, veio desculpar-se de forma extraordinária: dizendo que não mencionou nomes de partidos, tendo-se ficado por um inofensivo «já será positivo se a luta dos professores contribuir para que o próximo governo não tenha maioria absoluta”.
O próprio resume a asneira de modo exemplar: «Mas eu sou parvo?! Ia lá falar no PS?». Se não é parvo, parece. De quem mais poderia estar a falar? Adivinha-se para breve uma maioria absoluta do PSD ou do Bloco?
Virou moda. A nossa primeira-dama-na-clandestinidade também opera na suposição de que basta não mencionar o nome de Sócrates para que a sua estratégia deixe de ser transparente. Agora, temos um sindicalista que confessa ter objectivos muito para lá dos interesses dos professores e depois toma todos por parvos ao fazer de conta que não disse o que disse.

Auto-gamado daqui.

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16 respostas a Fernanda Câncio faz escola entre os professores?

  1. Carlos Vidal diz:

    O título do post não é feliz, porque fala-se de Mário Nogueira e não dos professores.
    Depois, um sindicalista tem toda a legitimidade para preferir tratar de assuntos com governos sem maioria absoluta.
    Uma concordância: Mário Nogeira expressou-se de forma atabalhoada? Sim. Mas a sua opinião sobre as maiorias absolutas, e sobre a que mais próxima se encontra, são legítimas.
    Talvez esta frase devesse ser assumida (porque não?) :
    «já será positivo se a luta dos professores contribuir para que o próximo governo não tenha maioria absoluta».

  2. Luis Rainha diz:

    Tens razão: caí no engano de supor que Mário Nogueira é professor.
    A opinião dele é legítima seja lá para o que for. Não me parece de todo aceitável que vá para reuniões com o governo filosofar sobre se é positivo ou não termos governos de maioria absoluta. Ele está lá como analista político ou representante de uma classe em luta laboral? Isto para nem falar da vaidade de pavão que tais declarações deixam adivinhar.

  3. Carlos Vidal diz:

    Mesmo sendo professor, não é “os professores”, até porque há mais estruturas sindicais representativas “dos professores”, e, além de tudo disso, há “os professores”.
    A frase que citas é perfeitamente legítima numa declaração à imprensa no hall de entrada do ministério, por ex.

    Ele não disse na reunião: “ou satisfazem-me ou tiro-vos a maioria absoluta”. Não disse, pois não?

    E é melhor não confiar muito em J. Pedreira (confesso que a foto fez-me ler o artigo em diagonal apressada – se calhar, alguma coisa me escapou).

  4. Excelente, Luís.
    Eu acrescentaria que a frase “contribuir para que o próximo governo não tenha maioria absoluta” não tem nada a ver com sindicalismo, seja o governo de que partido for.

  5. Carlos Vidal diz:

    Excelente, Luís.
    Eu acrescentaria que a frase “contribuir para que o próximo governo não tenha maioria absoluta” não tem nada a ver com sindicalismo, seja o governo de que partido for.

  6. Youri diz:

    Eu acho bem que ele assuma esse objectivo, até porque me parece estar bastante bem integrado nos objectivos da classe dos professores. Um Governo PS sem maioria absoluta terá de, finalmente, dialogar.

    Se o Mário Nogueira o disse de uma forma mais leviana, tudo bem, mas disse-o e admitiu-o. Por mim, está tudo óptimo assim. Os sindicatos têm de pressionar mais os governos, não o contrário.

  7. Luis Rainha diz:

    Carlos,

    Como por certo reparaste, eu não escrevi “os professores” tout court. Escrevi sim “entre os professores”, o que já implica apenas uns quantos, ou até apenas um. Logo, isso do “há mais estruturas sindicais representativas” não tem muito a ver.

  8. E não andaremos todos já um bocadinho fartos de tanta discussão em torno dos professores? Seria tão bom que se começasse a falar em Educação.

  9. Carlos Vidal diz:

    Luís, o teu título correcto (não o meu que aceito que Mário Nogueira e outro qq sindicalista não “aprecie” maiorias absolutas, desde que não transporte essas preferências para as reuniões de trabalho), seria: “Fernanda Câncio fez escola em Mário Nogeira”. O teu, atenção.

  10. Luis Rainha diz:

    Errado. Com efeito, Mário Nogueira é um entre os professores. Mas adiante. Suponho que agora acabes com generalizações como “O PS”, “o Governo” ou “os jugulares”, passando a identificar com detalhe o ou os visados específicos.

  11. Patricia diz:

    Pois realmente este sindicalista tem um ar de Pavão insuportável,palpita-me que ainda vai arranjar problemas ao partido a que pertence.

  12. Carlos Vidal diz:

    Admito que “os jugulares” seja uma generalização um tanto precipitada: há, de facto, por lá quem tenha um pensamento próprio e não formatado.
    Mas, falar em “PS” ou “Governo”, aí, faz sentido.
    E há várias formas de o justificar.

  13. Antónimo diz:

    o caso dos professores é um daqueles em que todos estão fazendo bem triste figura, do Ministério, à esmagadora dos professores, passando pelos sindicalistas. Ninguém tem razão!

  14. Chico da Tasca diz:

    Onde é que está admiração acerca das verdadeiras intenções desse lacaio do PCP ? O que ele disse já eu sabia há muito tempo. Os professores, e os FPs em geral, também o sabem.

    O que está aqui em causa nesta dita “luta”, são dois aspectos : um, a tentativa da esquerda reaccionária de sabotar um governo democráticamente eleito e com legitimidade para tomar decisões; o outro, o tudo por tudo das Classes Corporativas do Estado de manterem (senão mesmo aumentarem) os seus privilégios, insultuosos face ao resto dos trabalhadores portugueses.

    Uns e outros são parasitários; uns e outros são chulos do impostos dos portugueses.

  15. Youri diz:

    Então deve tudo ficar igual ao “resto dos trabalhadores portugueses”? Ou seja, tudo numa considerável miséria? Ou esse “resto” é que deveria exigir o mesmo que os professores “têm”? (têm o que?)

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