Genéricos: um tema radioactivo?

standardradium2
A bulha entre donos de farmácias, médicos e governo – a propósito da substituição dos medicamentos receitados por genéricos – ainda anda por aí a chocar a próxima batalha.
Entretanto, a Ana volta, como prometera, ao tema. Mas fá-lo de forma oblíqua, ilustrando uns ditos “Genéricos d’avozinha” com uma fotografia de uma embalagem de heroína. Ora passa-se que esta antipática substância não foi lançada como genérico mas sim como marca registada da Bayer. Vai daí, se isto pretendia ser uma espécie de salva contra a indústria dos genéricos, parece-me ter saído um pouco ao lado. Mas eu ajudo, com um lindo frasquito de Rádio, destinado, julgo eu, a dispensar os candeeiros na leitura nocturna.
Um pouco mais a sério: se me disserem que há genéricos mais caros do que os medicamentos equivalentes “de marca”, ainda vá. Que me informem que factores como os excipientes ou as dosagens podem interferir com a eficácia dos princípios activos, tudo bem. Até estou disposto a acreditar que muitos produtores de genéricos não dedicam tanto carinho ao controlo de qualidade como os laboratórios “a sério”. Já a questão da aparência das pílulas e dos velhinhos distraídos me parece um pouco lateral.
É só isto, ou existem mesmo razões terapêuticas válidas e ponderosas para impedir que se opte quase sempre pelos genéricos? Is there a doctor in the house?

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

Uma resposta a Genéricos: um tema radioactivo?

  1. É uma série, Luis, aproveitei o mote para mostrar uns quantos genéricos “de marca” – nisso a coisa não mudou, em Portugal só existem genéricos de marca, o que tem graça.

    Agora a sério, estou a recolher informação e a tratá-la de modo a usar expressões o menos técnicas possível (há muitos termos e conceitos de farmacológicos incompreensíveis para a maioria das pessoas – biodisponibilidade, farmacocinética, farmacodinâmica, efeito de primeira passagem, etc, etc ), mal tenha tempo faço um texto para tentar responder às questões técnicas com a maior isenção que conseguir – eu faço parte dos 60% que prescrevem genéricos.

    Olha que a imagem visual dos medicamentos – “aqueles comprimidinhos rosa, pequeninos, sabe doutora?” – não é assim tão insignificante mas não é, seguramente, o mais importante.

Os comentários estão fechados.