Mas por que carga d’água as empregadas da Loja do Cidadão de Faro não podem usar roupa interior preta e porque é que Vital Moreira “tem” de concordar com essa norma?

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Gerhard Richter. “Kleiner Akt” (Pequeno Nu). 1967

Ainda sem perder a capacidade de me surpreender com as prioridades dos media, verifiquei o destaque noticioso dado ontem às normas de indumentária e de conduta estabelecidos num serviço do Estado de contacto com o público, como se não fosse evidente a sua justificação e razoabilidade.

E porque é que o futuro deputado europeu tem de comparar a roupa interior das empregadas (ou as normas da loja de Faro em geral) com a indumentária (“exterior”) de padres, militares e estudantes de colégios? Com tudo isto, obrigam-nos a falar de coisas sem interesse nenhum. Porquê?

ADENDA (0:28) : Mas, no fundo, no fundo, a questão que eu gostaria aqui de colocar é esta (são estas), que deixei num meu comentário a este post:

– Por que carga de água Vital Moreira tinha de dedicar um post a isto e logo para concordar com as directrizes daquilo que é poder, daquilo que é “mando”, “ordem” ???
– Porque é que há pessoas que têm de estar sempre sempre sempre do lado do poder, do governo, da DREN, do governador civil, do presidente da câmara, do presidente da junta, do presidente do governo, seja o assunto a ninharia mais desinteressante e obtusa que se possa imaginar???

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22 respostas a Mas por que carga d’água as empregadas da Loja do Cidadão de Faro não podem usar roupa interior preta e porque é que Vital Moreira “tem” de concordar com essa norma?

  1. Maria diz:

    Embirre à vontade mas não invente.A roupa interior preta não faz parte dos interditos.

  2. Carlos Vidal diz:

    Ah, sempre há interditos! E a leitora Maria fala em “interditos” como se isso fosse a coisa mais natural do mundo!

    A lista divulgada pelo “Público” é esta: “saias curtas, decotes, saltos altos, roupa interior escura, gangas e perfumes agressivos.”
    http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1373601&idCanal=62

  3. Maria diz:

    Tem problemas de leitura ou fica-se pelas gordas?Nessa mesma notícia que liga desmente-se que haja qualquer interdito quanto à cor da lingerie.Embirrar com as normas que são idiotas,muito bem,mas não invente.

  4. Antónimo diz:

    Há gangas e gangas mas na mesma notícia a “Pulquéria Lúcio confirmou a proibição do uso de decotes exagerados, perfumes agressivos e gangas, mas negou a referência a saltos altos e a roupa interior escura.”

    O que poder querer dizer ou que Pulquéria mente ou que o original jornal que fez o trabalho preferiu omitir parte da história seguindo aliás aquele velho preceito. Não deixar a verdade estragar uma boa história.

    Como já li uma notícia em que uma das funcionárias formadas dizia também (sem se identificar) que era falsa a acusação da roupa interior, arriscamo-nos a opinar sobre uma meta-realidade, exercício
    estéril.

  5. LAM diz:

    Faça ou não parte dos “interditos”, há aqui qq coisa que me escapa. A referência à cor da peça (preta), sem referência ao design (cueca xxl vs. tanga, fio dental, etc) transporta isto da mera sugestão de fardamento para uma obsessão insondável. Pecaminosa. Porca. Se associarmos a este “clima” o nome da agente da acção de formação, Pulquéria, então meus caros, isto está de fellini para cima , oh, là là….

  6. Carlos Vidal diz:

    Mas porque é que esta Dona Maria, lá em cima insiste numa aberração estúpida, que consiste em aceitar certos interditos com naturalidade, e só ao segundo comentário é que fala em “normas idiotas”?

    Além do mais, como é uma pessoa subserviente, caramba, aceita a versão da Dona Pulquéria (no fim do artigo do “Público”, com efeito), mas não aceita a versão da funcionária (mais abrangente e no início do artigo).
    A versão da funcionária desmente a versão da Dona Pulquéria, e eu acredito na funcionária, certo?

  7. Antónimo diz:

    Sim, Carlos Vidal, Você acredita na funcionária mas também podia acreditar na Pulquéria, porque objectivamente não tem motivos para acreditar mais numa que noutra, ou tem? É apenas uma questão de fé.

    Já vi peças de seguimento disto onde se diz que a coisa não é exactamente como vem contada no CM e aqui no Público.

    Acho que deve haver recomendações e que as recomendações não devem ser parvas – não vejo motivo para as gangas nem para os altos altos, mas também há gangas e gangas e saltos altos e saltos altos e decotes e decotes e exibição de roupa interior e exibição de roupa interior isto independentemente de eu apreciar ou não apreciar ver pois este serviço não é só para mim – e que se deve ter cuidado com os Torquemadas que existem entre nós.

    Mas também se deve ter cuidado com a crença de que todo o funcionário é um poço de bom-senso, contrariamente às chefias, e que de facto só escolhem agradáveis perfumes!

  8. Além do exagero da proibição, o pior – para mim – é o destaque dado a uma notícia de merda como esta.
    E como o cheiro da merda contamina o ar, o sr. Vital Moreira vai atrás da imbecilidade geral e põe-se a jeito para ser criticado. É merda a mais. Falemos é de coisas sérias.

  9. LAM diz:

    Desculpe Carlos Vidal, mas….a Pulquéria excita-me mais. Não sei explicar. Eu alinho pela Pulquéria. Mexe-me com qualquer coisa.
    Todas as referências da dona Pulqeria, côr da cueca áparte se há divergências, é um tratado erótico. os perfumes agressivos, os decotes, as gangas meu deus, as gangas. Nem eu nos dias mais avacalhados supus pecado nas gangas. Mas há de certeza. Compreendo agora o charme ao fim de semana de um Augusto Santos Silva, de um Pedro Silva Perieira, sei lá. Malandrecos.

  10. lili diz:

    Ah, Carlos Vidal, não sabe? São ainda resquícios de quando era um elemento activo do PCP.

  11. lili diz:

    “saias curtas, decotes, gangas e perfumes agressivos.” Isto já são interditos idiotas e fascizantes suficientes.

  12. lili diz:

    ”…que todo o funcionário é um poço de bom-senso, contrariamente às chefias, e que de facto só escolhem agradáveis perfumes!”.
    Caramba que até o perfume já é censurado, eu julgo que nem o Estado Novo foi tão longe, que as dactilógrafas, coitadas, só usavam Tabú e Madeiras do Oriente, que não tinham dinheiro para mais.

  13. LAM diz:

    a dona Pulquéria mata-me.

  14. miguel dias diz:

    da cama de uns salta-se para a cueca de outros. está bonito.
    pessoalmente agrada-me a ideia da lingerie normalizada. já estou a ver numa qualquer repartição o altifalante anunciar:
    a menina cátia vanessa do guichet dezoito é favor dirigir-se ao gabinete do chefe para a inspeção matinal de cor de roupa interior.

  15. Carlos Vidal diz:

    A questão poderia ser a seguinte:

    por que carga de água Vital Moreira tinha de dedicar um post a isto e logo para concordar com as directrizes daquilo que é poder, daquilo que é “mando”, “ordem” ???

    Porque é que há pessoas que têm de estar sempre sempre sempre do lado do poder, do governo, da DREN, do governador civil, do presidente da câmara, do presidente da junta, do presidente do governo, seja o assunto a ninharia mais desinteressante que se possa imaginar??

    Porque é que há pessoas que a tudo o que vem de determinado “ponto” ou “zona” têm sempre que dizer “sim” “sim” “sim”, seja sobre cuecas, sobre automóveis, sobre impostos, etc, etc??

  16. Algarviu diz:

    O LAM está a gozar com coisas sérias mas olhe que as gangas têm que se lhe diga. Ainda na semana passada fui à Loja do Cidadão, vi lá umas gangas de se lhe tirar o chapéu e por longos minutos não fui capaz de me lembrar ao que ia. Estava quase recomposto quando se insinuou um cheirinho a Tabu e então é que tive que desistir. Aquilo era uma casa de perdição, era o que era.

  17. Algarviu diz:

    Adenda ao comentário anterior: A Pulquéria se tivesse bom senso usava um nick.

  18. lili diz:

    AS gangas, LAM, têm muito que se lhes diga:
    O que dizer do famoso Acórdao das Calças de Ganga, em que o STJ considerou não estar preenchida a previsão legal do crime de violação num caso em que a vítima usava calças de ganga no momento da agressão, na medida em que não seria possível retirar as ditas calças sem o consentimento e cooperação da vítima. Situação semelhante ocorreu em Itália, há uns anos atrás. Em sinal de protesto, as deputadas compareceram nas sessões parlamentares de calças de ganga. (Inês Sampaio)

  19. José diz:

    Eu acho que a visão de algumas senhoras de cinquenta anos mostrando as várias celulites sob curtas minisaias e grands decotes um espectáculo um pouco deprimente.

  20. Luís Antunes diz:

    Apoiado , lili! Viva a mini saia , viva o decote ! Viva a cuenquinha de senhora , excitante e fetichista!

  21. lili diz:

    Claro que é José, mas não se pode negar-lhes esse direito só porque nos agride esteticamente.

  22. M. Abrantes diz:

    Os cartazes que infestam o país com a figura do candidato Vital Moreira, melhor figura fariam se fossem substituídos por anúncios de lingerie com a Cláudia Vieira.

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