30 da Marinha

O normalmente legível 31 da Armada deve ter sido tomado de assalto por piratas somalis. Ou coisa que o valha. Anda por lá alguém que parabeniza o CDS por ter o “primeiro candidato às europeias que nunca cantou a Internacional Comunista nem venerou, em determinado período da sua vida, as ‘democracias’ populares de Leste”. De que canção fala a pobre alma, ainda se consegue entender, com um poucochinho de imaginação. Que todos os candidatos presentes e pretéritos já tenham venerado seja lá o que for… eis ideia bem mais indecifrável.
O desinfeliz ainda arranja forças para se comover com o facto de o tal candidato que não canta coisas inexistentes ter começado a “combater os comunistas” no fim da década de 80: “Então é um lutador pela liberdade”, exulta ele, já a planar uma légua acima da nossa realidade.
Salva-se deste deprimente festival um comentário que tira assim a pinta ao visado, Nuno Melo: “Bem…pelo menos aparem-lhe a trunfa antes de o deportarem. O moço é das berças mas não exagerem. Matarroano sim. Labrego pintarolas nunca.”
Estás a ver, Rodrigo, no que dá engajar tripulação com anúncios no 24 Horas?

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9 Responses to 30 da Marinha

  1. q diz:

    “Parabeniza”? O que é?

  2. Antónimo diz:

    é bem mais deprimento comentarem o candidato pelo estilo (cabelo, berças, etc.) do que pelo resto.

    diz muito sobre uma imbecilidade à flor da pele que afecta os tonitruantes plumitivos portugueses desde que o Independente – onde a verdade não matava boas histórias – descobriu que cavaco era criticável por usar meias brancas.

    é a mesma cretinice que levou o público, dito de referência, a gastar duas páginas com uma foto e comentários de estilistas sobre as indumentárias da família do dito no dia em que tomou posse em belém.

  3. j diz:

    «desinfeliz»
    Esta palavra existe!?

    Mas vamos ao que interessa, será que o Nuno Melo, além da trunfa grande, também não anda a fazer muitas perguntas lá naquela coisa do BPN…
    Fico assim a modos que a pensar…

  4. Camelo no buraco da agulha? diz:

    Bons exemplos de ética e deontologia jornalística.
    O mercado é que manda: é o que se cá (& lá) ga$ta.
    Para quê ser honesto e sensato se não der audiências?

  5. LR diz:

    Para lá das minudências lexicais, o tal comentário que respiguei apresentou-me uma problemática que até aqui desconhecia, mesmo sendo também das berças: a destrinça entre o matarruano e o labrego; com “pintarola” ainda para mais. Vou aproveitar a minha presente excursão ao país real para fascinantes inquirições sociológicas.

  6. ezer diz:

    Estão a falar daquela coisa em Salvaterra de Magos,dos sobreiros ,do campo de golfe?
    BPN,é o santo graal dessa gentinha,gerido por gestores de excelência,de topo,seriedade,responsabilidade e rigor(cófcóf).É tão ridiculo quanto o linguajar desse tal de Melo,familia de trabalhadores e lutadores no Ultramar,e a sua trunfa

  7. António Figueira diz:

    Luís,
    Acrescenta pf o verbo respigar, nas suas diferentes formas, à lista das palavras foleiras esboçada mais abaixo.
    Abraço, AF

  8. LR diz:

    Sabia que ias gostar.

  9. Antónimo diz:

    Outra coisa gravosa dos textos dos referidos órgãos que não gostavam de meias brancas. embirrar com as palavras (e eu também tenho as minhas embirrações) de um vocabulário variado, cheio de níveis e particularidades: caiam respigar ou quiçá. aos poucos normaliza-se o português, reduzido a dez mil palavras permitidas, onde o vending e o spread já fazem figura de vernáculo .

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