Invejar José Sócrates

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Há poucos dias encerrando as Jornadas Parlamentares do Partido (autodenominado) Socialista, essa grande e mítica figura da esquerda portuguesa que é Alberto Martins disse que José Sócrates estava a ser vitíma de uma imensa campanha feita de calúnias, maledicência e inveja, sublinhando de seguida que esses eram antigos e conhecidos males portugueses. Ora, como não? Eu, como português (mas nada patriota pois preferia ser, de longe, espanhol ou francês), senti as palavras de A. Martins como um punhal certeiro, o que só aconteceu porque, de um lado, estava A. Martins, que tem uma capacidade discursiva fora do comum, e, do outro lado, estou eu, pobre de mim a rever-me naquelas palavras de sábio diagnóstico e acusação fulminante. Acusação àqueles que, como eu, não sabem render-se às evidências: as palavras de Martins não tinham destinatários concretos, mas autocriticamente reconheço: eu invejo José Sócrates, invejo a sua imensa cultura e inteligência política, o seu sentido táctico e a sua resistência à maledicência e a esta tão portuguesa inveja. Vou por isso contar uma história. Havia uma rapariga que era maior de um lado que do outro. Cortaram-lhe um bocado do lado maior: foi de mais. Ficou maior do lado que era dantes mais pequeno. Diz Alain Badiou que não, não existe senão o que existe. Existe também o que aconteceu, e de que eu transmito, aqui e agora, a persistência. Invejo a cultura humanística de Sócrates, e o seu apartamento Heron Castilho, ou seja, tudo e quase tudo o que ele tem. Por isso escrevo tanto sobre J. Sócrates aqui, no blogue. Os túmulos estão gastos de um lado pelos passos dos vivos, e do outro pelo esforço dos mortos. Entretanto, gostaria de insistir sobre alguns pontos. O carácter fáctico intratextual desta tendência aos limites é marcado pelo facto do “subitamente” não ter movimento. João Palma diz, com toda a razão, que Cândida Almeida está confusa. Mas, para mim está tudo muito claro: quero um futuro governo com Jorge Coelho, Vara e Edite Estrela. E o quanto eu invejo também a capacidade oratória de Sócrates e de A. Martins! Sim, sim, a inveja. Eu acuso-me, sem que nada me tenha sido dirigido, mas reconheço esta minha fragilidade.

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