Um Ministério Público educado para uma justiça obediente

O redactor da moção de estratégia de José Sócrates não aceita que a direcção do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público seja eleita, veja-se o despautério, por magistrados do Ministério Público. Pedro Adão Silva anda avesso a sindicatos e a manifestações. O bom sindicalista é um sindicalista educado e com muito respeitinho, de preferência nomeado por um chefe de gabinete, um assessor e no futuro – quem sabe – por um director geral. Há uns anos Alfonso Guerra, governante do PSOE que contestava a investigação sobre o GAL e outros escândalos governamentais em Espanha, declarou com orgulho que o governo tinha feito um grande progresso ao ultrapassar princípios vetustos como a separação de poderes do tempo de Montesquieu. É provavelmente, essa a grande reivindicação de Pedro Adão Silva: o Ministério Público deve ser controlado. As investigações não devem incomodar o governo e têm de parar sempre que o chefe quiser. Por isso, é normal que antes do processo ser investigado, os chefes de turno, a malta da hierarquia, assinalem publicamente até onde o processo pode ir. Tudo a bem da nação.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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