Alexandre O’Neill e a Chica

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Alexandre O’Neill adorava deslocar-se de bicicleta. Admirava este veículo obsessivamente, tendo-lhe dedicado poemas lindíssimos.

Nos próximos dias, postarei, por dia, um poema de O’Neill sobre a Chica, o seu grande amor. Dedicá-los-ei ao comentador Saloio:

Elogio Barroco Da Bicicleta

Redescubro, contigo, o pedalar eufórico
pelo caminho que a seu tempo se desdobra,
reolhando os beirais – eu que era um teórico
do ar livre – e revendo o passarame à obra.
Avivento, contigo, o coração, já lânguido
das quatro soníferas redondas almofadas
sobre as quais me etangui e bocejei, num trânsito
de corpos em corrida, mas de almas paradas.
Ó ágil e frágil bicicleta andarilha,
ó tubular engonço, ó vaca e andorinha,
ó menina travessa da escola fugida,
ó possuída brincadeira, ó querida filha,
dá-me as asas – trrim! trrim! – pra que eu possa traçar
no quotidiano asfalto um oito exemplar!

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4 respostas a Alexandre O’Neill e a Chica

  1. Saloio diz:

    Caro João Branco,

    Eu sou um velho de quase 60 anos e penso não mereçer tanto…mas, independentemente da sua ironia, agradeço-lhe a referência pela honra do Homem a quem me associa.

    Quanto aos poemas que me quer dedicar, obrigado, embora já os conheço. Cá em casa todos conhecemos razoavelmente bem os poemas do Alexandre, uma vez que em casa dos meus pais havia livros dele há uns quarenta anos – incluindo uma primeira edicção autografada de “De Ombro na Ombreira”.

    Para mim, o O `Neill é o meu poeta português preferido da 2ª metade do século anterior (tal como Luís Sttau Monteiro na prosa).

    Curiosamente, tanto eu como o poeta, tínhamos o mesmo “melhor livro que li”: o “Cem Anos de Solidão”, de GG Marquez.

    Embora eu nunca o tenha visto a andar de bicicleta, venham os poemas dele, sobre as biscas ou outros coisas.

    Quanto a mim, mesmo velho, continuo a andar de mota (scooter) dentro de Lisboa…e olhe que é algo perigoso, …quanto mais andar de bicicleta…isso é só para jóvens irreverentes e alguns estrangeiros.

    Infelizmente.

    Digo eu…

  2. então secalhar o que era mesmo preciso era que houvesse mais gente a sentir-se jovem irreverente. E olhe que para ser um jovem irreverente a idade não tem limites… já vi sexagenários mais jovens que alguns adolescentes…

  3. Saloio diz:

    Caro António Cruz,

    Sim…concordo consigo, também já os vi bem mais jovens.

    Mas a andarem de bicicleta em Lisboa não, nunca vi. Nem o senhor.

    Experimente fazer a Estrada de Benfica, Sapadores, subir à Graça pela Angelina Vidal, ir à ajuda pela Aliança Operária, etc., com os autocarros e os táxis a quererem cilindrá-lo, e depois diga-me…sff.

    A meu humilde ver, terá de haver primeiro uma campanha junto dos “profissionais” para que eles respeitem os ciclistas. Depois, o Dr. António Costa teria de asfaltar Lisboa. Depois, teria de se alisar as subidas íngremes (acrescente Poço dos Mouros, Combro, Estrela, Salitre, Tojal, Cavaleiros, Washington, etc….). A acrescer a isto tudo, uma campanha contra a estúpida fixação que os lisboetas (e todos os portugueses) têm no seu carro.

    Depois disto tudo, veria mais bicicletas, acredite.

    Esclareço-o, desde já, que sou a favor da bicicleta na cidade, e até já o disse cá em casa…mas eles perguntaram-me se não me tinha esquecido dos comprimidos?

    Estou consigo…embora cáptico.

    Digo eu…

  4. Há pelo menos uma honrosa excepção:

    O Presidente da FPCUB , José Manuel Caetano, desloca-se de bicicleta por Lisboa, e penso que tem mais que 60 anos.

    Uma vez ultrapassou-me na Infante Dom Henrique e não consegui apanhá-lo. E eu tenho 26 anos.

    Saloio: enviei-lhe um email.

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