A Poesia de Angelito

O jogo estava paralisado e definitivamente centrado numa disputa entre canelas e lambadas.
Mas eis que, doze minutos depois de se ter iniciado no relvado, Ángel Di Maria resolve tomar partido da bola e acelerar para a baliza de uma forma irreversível. No dia em que se celebrava a poesia, era através de um menino da terra de Borges que se preparava a estrofe certa para o momento artístico. Deixando para trás duas dezenas dos seus colegas de profissão, Angelito rimava com a bola e recentrava o jogo no universo poético. Sabia-se que seria chegado o momento do golo, caso não tivesse aparecido no drible final (um clássico colocar a bola por um lado passando pelo outro) a barriga avançada de um companheiro de trabalho, roubando-lhe a possibilidade de fazer poesia pelos seus próprios pés. O árbitro, que até então havia permitido todas as barbáries a quem não queria jogar à bola, resolveu juntar-se à arte e, num momento de rigor estético, punir este dislate.

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