Poesia no dia

Agora toda a gente diz mal da “Mensagem”, gostam dos Pessoas todos, só não gostam da “Mensagem”. Quando eu fiz o liceu, o baú estava fechado, o Bernardo Soares ainda praticamente não tinha nascido e aprendia-se de cor o super-Camões da “Mensagem”. Desde essa altura, conservo a ideia de que as duas primeiras estrofes do segundo poema d’”Os Campos” (“O das Quinas”) estão entre aquilo que mais se aproxima de uma literatura imortal, escrita em português:

Os Deuses vendem quando dão.
Compra-se a glória com desgraça.
Ai dos felizes, porque são
Só o que passa!

Baste a quem baste o que lhe basta
O bastante de lhe bastar!
A vida é breve, a alma é vasta:
Ter é tardar.

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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2 Responses to Poesia no dia

  1. Paulo Ribeiro diz:

    gosto de ler o figueira, é um postador incansável! ainda por cima, ao contrário do consabido ódio que a generalidade dos portugueses tem pela “mensagem”, oh, ele ainda gosta dela! não quer dizer, que não se sinta mal com isso. figueira, por favor, deixa-se contribuir ok? então é assim, para mim, a mensagem debruça-se directamente sobre as grandes questões do portuguesismo, com real interesse para a actualidade social e, sobretudo, política: o que é o ser? qual a natureza da realidade? temos livre-arbítrio? quantos anjos podem dançar na cabeça de um alfinete? quanto bloquistas são precisos para mudar uma lâmpada?

  2. Paulo Ribeiro diz:

    tanta poesia, tanto lirismo, tanta cultura… cultura a rodos! uma adivinha:
    – porque que um militante do psr é truculento, cinzento e, normalmente tem bigodaça?
    – porque se fosse bem falante, colorido e dentro da moda seria um bloquista.

    podemos imaginar um psr um tanto bem falante; chamar-lhe-íamos “psr bem falante”. até podemos imaginar um psr de uma cor que é uma espécie de castanho empoeirado; chamar-lhe-íamos “psr de uma cor que é uma espécie de castanho empoeirado”. e um psr dentro da moda seria “um psr dentro da moda”. por outras palavras, a truculência, a cor cinzenta e o aspecto falham no teste de aristóteles para definir o que é essencialmente um psr. em vez disso, descrevem como são os psr’s, geral e acidentalmente. uma coisa tão bem falante, colorida e dentro da moda não pode ser do psr e, se fôssemos confrontados por tal criatura, não nos sentiríamos tentados a perguntar: “estás a falar como um bloquista ou como um socialista revolucionário atípico, figueira?”

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