Eduarda Maio apresentando o célebre “O Juiz Decide” (e “últimas” sobre o anúncio da antena1)

O PSD pediu hoje a demissão da direcção da Antena 1, devido ao “spot” publicitário de promoção à informação da rádio. (…)
O anúncio de meio minuto mostra carros parados e, num deles, com o rádio ligado na Antena 1, a jornalista Eduarda Maio – uma das principais vozes da rádio pública e autora do livro Sócrates: “O Menino de Ouro do PS”, a biografia autorizada do primeiro-ministro lançada em 2008 – diz ao condutor que há ali uma manifestação. Quando este lhe pergunta contra quem é o protesto, Maio responde-lhe que é contra ele e “contra quem quer chegar a horas”.

O PCP admite chamar ao Parlamento a administração da RTP se não for retirado um anúncio de 30 segundos à rádio pública, a Antena 1, que descreve como uma “ofensa” a “um direito fundamental” – o direito à manifestação.

(ADENDA 17:48: Parece-me claro que o dito anúncio tem não os dias mas as horas contadas, mas o que é curioso é que o PS, segundo Augusto Santos Silva, recusou pronunciar-se, alegando NÃO INGERÊNCIA EM CONTEÚDOS EDITORIAIS DA ANTENA 1
18:02: Administração da RTP manda retirar o anúncio. O anúnco era uma ilegalidade: não se apuram responsabilidades?)
(Ver post de Nuno Ramos de Almeida em baixo, “A voz do dono”)

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21 Responses to Eduarda Maio apresentando o célebre “O Juiz Decide” (e “últimas” sobre o anúncio da antena1)

  1. Sejeiro Velho diz:

    O que o PSD está exigir é a restauração da censura prévia

  2. João Branco diz:

    Acho estúpido e uma afronta à liberdade de expressão ter sido tirado o anúncio.

    Se era ilegal, têm mesmo que ser apuradas responsabilidades, e das duas uma: se há responsáveis, que cumpram a pena. Se não, reponha-se o anúncio.

    Que estupidez, tudo isto …

  3. Carlos Vidal diz:

    João Branco,
    Não percebo o teu ponto de vista.
    Uma manifestação é um direito constitucional e não pode ser caracterizada como algo que se «opõe» a quem quer chegar ao trabalho a horas. Uma empresa pública não pode fazer publicidade contra a lei, contra uma norma e um direito constitucional. Numa empresa pública, como é o caso, o anúncio é ferido de legalidade, por várias razões, nomeadamente éticas e mesmo pedagógicas.
    Numa empresa privada, creio que tudo se passaria de forma diferente.

    Agora o que eu acho estúpido é o criativo ou os criativos do anúncio não terem percebido que ele só poderia ter algumas horas de vida. Mais uma vez, houve dinheiros públicos desperdiçados.

    E tudo isto foi agravado por ter coincidido com um período de manifestações (e não interessa muito dizer em que sentido essas manifestações se têm realizado – são manifestações legais, ponto). Fica a pergunta:
    Se se sabia que o anúncio não poderia de modo nenhum ter vida longa, para que foi realizado e emitido?
    A quem serviu?
    Quem ganhou com isto?

  4. Paulo Ribeiro diz:

    alguém neste blog de homens livres se lembra das caricaturas do profeta? é que existem uns quantos dispostos a defender e a atacar tudo e o seu contrário. acho terrivelmente lamentável alguma prosápia que por aqui abunda. diria mais, tudo aponta para que nada exista de mais próximo do que os movimentos radicais de esquerda e direita. ler alguma desta conversa e percorrer o fórum nacional, para mim, é mesmo tipo de diversão. tinha mesmo que ser assim? tão diferentes mas tão iguais?!

  5. António Figueira diz:

    Um órgão de comunicação social público deve transmitir, em seu próprio nome, um ataque aos sindicatos, que repete as posições governamentais; se não o fizer – porque alguém, em nome dos princípios constitucionais e da pura decência – a tal se opõe, é um fanático liberticida, igual aos que queriam impedir a difusão das caricaturas de Maomé. O autor da ideia já tinha invocado a Coreia do Norte a propósito das “novas oportunidades” e da Madonna – não há nada de novo debaixo do sol.

  6. almajecta diz:

    Les mots de négations et de négation de la negation on leurs sens originaire dans la dialectique de l’histoire, et ne peuvent l’avoir que lá. Enfim, totalidades concretas.

  7. Pingback: cinco dias » Ódio de classe e propaganda

  8. Sergio diz:

    Sou Sérgio Grilo o actor que protagonizou o anúncio da ultima campanha pub da Antena 1.
    Começo por dizer que no dia de rodagem desta publicidade não estava presente nenhum represent. politico do governo, ou de qualquer outro partido politico, nem me foi dada indicação pelo realizador ou membro da agência criativa com o objectivo de fazer passar a ideia que o direito á manifestação é ilegítimo.
    É um facto que 1 manifestação, entre outras coisas, é o espelho do transtorno de alguns que se manifestam legitimamente e pretendem assim defender e lutar pelos seus direitos. Mas é também, em verdade, um transtorno para aqueles que sem terem qualquer envolvimento na causa que se defende, são prejudicados por tudo o que envolve e é consequência dessa mesma manifestação.
    Enquanto cidadão participo e já participei em várias manifestações, que achei, que defendiam causas ou valores que respeito e acredito
    Assim afirmo que não me revejo, na posição das pessoas que vêm neste spot, uma campanha contra si e contra o seu direito á manifestação
    O direito á manifestação está consagrado na Lei! É um direito, meu e de todos.Não vejo esse direito a ser questionado nestes dias que correm.Mas também não penso que me deva conter, enquanto actor e cidadão, quando sem qualquer objectivo politico ou partidário represento aquele que se sente pelo direito de manifestação dos outros. Se me contivesse, não seria isso uma espécie de censura. Nem tudo é contra os trabalhadores, aliás trab somos todos.

  9. Carlos Vidal diz:

    Parece-me que alguém incumbiu Paulo Ribeiro de aproximar esta malta que despreza, abomina ou pontapeia (para não dizer pior) o p.socialista, de nos aproximar, dizia eu, de uma direita extrema, da direita extrema do sr. Machado. Alguém disse, ou o sr. é imaginativo e tal inventou, que coisas como o 5dias, o tempo das cerejas ou o spectrum (para citar lugares decentes) são primos do espaço do Mário Machado. E este Paulo Ribeiro vem desempenhar esse papel em comentários a vários posts e não se interroga sobre o que anda a fazer. Gabo-lhe a paciência, Paulo Ribeiro, gabo-lhe a paciência.
    Volte sempre. Cá o esperamos.

    Grande Jecta, quem citas tu a esta hora da noite??
    Vejamos, escritores franceses próximos de Hegel conheço vários: Kojeve, Bataille, Lacan, Debord, por exemplo. Vê por onde andas grande Jecta, vê por onde andas – de qualquer maneira, são bons caminhos.
    Grande abraço.

  10. Pingback: cinco dias » Estranhos reclamos (8)

  11. Carlos Vidal diz:

    Caro Sérgio Grilo, actor do anúncio da Antena1.
    Estando já tudo dito, agradeço-lhe o comentário e felicito-o pela sua performance, o mesmo é extensivo a essa grande ficcionista Eduarda Maio (ficcionista por ter biografado uma entidade sem biografia que possa ser definida como bio-grafia) – ambos desempenharam bem um papel num anúncio filmado dentro de um automóvel (como o Kiarostami dessa para mim obra-prima que é o “Dez”). E desempenharam bem um papel para um filme de curta vida em termos de circulação. Lamento, mas a vida é feita destas coisas.
    Quanto à resposta à sua preocupação – o incómodo a quem não partilha causas de certas manifestações – não sei que responder: que se faça um manifestódromo; que se organizem manifestações ou no Pavilhão Atlântico (com entradas pagas) ou num estádio (da Luz, que julgo ser o maior). No entanto, há sempre o problema do fim de festa e as respectivas perturbações de trânsito e outras… Bom, se quer que lhe diga, acho que tem toda a razão e não vejo solução para o problema que me coloca.

  12. Caro Sérgio,
    Não está em causa o direito de as pessoas não irem a manifestações ou não gostarem de manifestações. As manifestações são actos de liberdade e não imposições. O que está em causa é uma rádio do Estado , tutelada pelo governo, passar a ideia que as manifestações que se realizam (a última tinha sido a da CGTP contra a política de Sócrates) são contra as pessoas. Neste caso, contra si, Sérgio. Acredito plenamente que haja pessoas, como o Sérgio, que não perceberam que era essa leitura que o anúncio ia ter, mas isso não invalida que o decisor dessa campanha tenha encomendado uma graçola parva, acerca do direito à manifestação e aqueles que contestam a política do governo. Coisa que uma rádio pública não pode fazer.

  13. almajecta diz:

    autores da tribune libre assim como Sartre, Hyppolite, Vigier, Orcel e Djilas.
    Depois do cinema e televisão eis-nos chegados á radio pela mão do Grande Design.
    Design de Comunicação, esse produto inefável da ligação interna de duas aparencias, uma nova teologia em que apenas as ditas fauna e flora sabem que existe tal lei. Aguenta.

  14. Pinto diz:

    E se escrever um comentário com rasgados elogios aos post’s? Já publicam?

    Que tristeza.

  15. Carlos Vidal diz:

    Grande Alma, quando o sr dr. Mariano nos tirar o tapete, a nós que nada temos para vender à sociedade, verás que é o Design de Comunicação que nos vai salvar. Design ou disign + comunicação + marketing = luz ao fundo do túnel. E mais não digo.

    Caro Pinto, não entendo o seu comentário, teve algum comentário recusado, foi??

  16. Pingback: cinco dias » Como é fácil ser-se patrão neste país

  17. Ó grande Vidal, já não poderás ser salvo. Talvez, e isto porque existe sempre uma luz ao fundo do túnel (THX 1138), possas pedir que a grande radialista Maio te ajude.
    Quanto ao design têm (o alma insiste) toda a razão. Os gajos estão ao serviço da situação. Mas atenção ao caldear das coisas, na minha aldeia (na palhota) a bicharada fica na rua, e antes de comermos lavamos as mãos (mas não rezamos). E depois vem o chardonnay como na Festa de Babette. E felizes vivemos.

  18. Carlos Vidal diz:

    Sandrine, que surpresa. Deixa o Alma, não ligues, o gajo tem a mania de embirrar com as coisas capitalistas, as coisas boas, por acaso.

    Poderá a grande radialista Maio (ou Maia?) salvar-me? Duvido. Entre Dias Loureiro e J. Sócrates, o terreno está periclitante, muito periclitante. O Alma ainda se vai safando lá na horta dele – sem design, claro!
    Há uma foto bestial, que não usei, com Maio ao lado de Dias Loureiro, o conselheiro de Estado, e um poster de Sócrates ao fundo numa sessão de promoção de qualquer coisa (???) que não me lembro o quê.
    Veremos o que o futuro nos reserva.

    Mas, Sandrine, vamos ao mais importante: a menina é a minha atriz francesa preferida, logo depois do primeiríssimo lugar de Ludivine Sagnier. Apareça sempre.
    Da próxima, falaremos de design.

  19. almajecta diz:

    é possível identificarmos duas linhas demarcadas que estruturam a evolução do design: uma leva-nos ao desenvolvimento de formas de comunicação orientadas para e pelo mercado (a publicidade e o marketing), a outra linha conduz-nos a formas de comunicação culturais e politicas tendo como referentes os cidadãos e não apenas os consumidores.
    A teoria crítica do design distingue-as falando em design de retaguarada e design de vanguarda, o que se diferencia é, afinal, uma dupla possibilidade de posicionamento cultural e de orientação disciplinar que tendemos a identificar falando nos designers como agentes de uma cultura dominante (promovendo continuidades, legitimando um determinado status quo) e como agentes de contra-cultura (desenvolvendo rupturas, desencadeando crises). Maio, mês de Maio, afinal havia outra.

  20. Paulo Ribeiro diz:

    caríssimos figueira – o gatinho canininho – e vidal – esse pretor dos desafortunados -, então nesse tom? acaso estarei aqui por algum desígnio alheio, que não, as minhas próprias indignações e perplexidades? meus caros, então quanto vale para vós a opinião alheia? acaso estarão a blogar como veículos de transmissão de alguém e, por conseguinte, não pensarão pela própria testa? Mais grave, toca a induzir isso para os outros?
    sabem? neste caso como noutros, vexas prestam tributo ao vosso avô filosófico, que ilustrou, quanto baste, este tipo de ser e estar na blogosfera, o marx disse
    (com uma ligeira mas inócua alteração minha) : “estes são os meus princípios; se não servirem, tenho outros.”. calma! foi groucho!

  21. O que eu acho mais estúpido é ninguém recordar ao Rui que todos os dias pessoas como ele, ou seja, automobilistas (que andam sozinhos num carro de 1 tonelada e 5 lugares) causam “transtorno” “inconveniência” sob a forma de encasinamentos de trânsito a milhares de pessoas que não têm nada que ver com eles.

    Por outro lado, se temos uma rádio estatal atrasada mental e boçal, então acho mal que se retirem do ar os anúncios que a anunciam como atrasada mental e boçal.

    Se é ilegal uma rádio estatal ser atrasada mental e boçal, então que se proceda disciplinarmente para mudar-lhe o sentido, ou retirá-la do ar. Senão, não se tape o sol com a peneira.

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