patos e pombinhos

Na RTP2 está a dar o Sociedade Civil sobre o acesso ao casamento de pessoas do mesmo sexo.
O ser humano – social – ja foi comparado aos patos e aos pombinhos. Pois isso explica negar o acesso dos casais homossexuais ao casamento.

E alem disso aconteceu um interessante debate sobre titulos académicos!

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

6 Responses to patos e pombinhos

  1. Ó gaita, perdi a parte dos títulos académicos!

  2. Pinto diz:

    Então vou comparar os seres humanos a … seres humanos:

    Concorda com os casamentos incestuosos?

    (arre, lá está ele com aquela pergunta embaraçosa outra vez).

  3. Perdi a dos títulos académicos, Paulo, que pena pois parece-me um assunto delicioso.

  4. caro Pinto

    Não concordo com casamento incestuosos. Mas é disso que estamos a falar? Não é pois não!

  5. Pinto diz:

    Paulo Jorge Vieira, estamos a falar de casamentos, certo?

    Em segundo aspecto, pergunto: não concorda porquê?

    É que, como em tudo na vida, este aspecto tem também de ter uma lógica e não compreendo a razão de se desvirtuar o contrato casamento e estende-lo às relações homossexuais e não às relações incestuosas.

  6. Pinto diz:

    Paulo Jorge Vieira, talvez este texto lhe faça perceber que não há possibilidade jurídica de se dissociar casamentos entre homossexuais de casamentos polígamos ou casamentos incestuosos.

    leia o texto com olhos de ler; não faça uma leitura na diagonal

    O ensaísta Charles Krauthammer escreveu no Washington Post, a propósito das pretensões de legalização da poligamia nos EUA, na esteira do movimento a favor do casamento gay, que o surgimento destas fórmulas de casamento não é a causa mas o sintoma do esboroar do matrimónio tradicional perante a expansão das ideologias individualistas radicais.
    Para ele, é juridicamente indefensável discriminar positivamente a união homossexual no momento de alargar as fronteiras conceptuais do casamento, face a outras possibilidades lógicas de união matrimonial não autorizadas. A consequência lógica da extensão do âmbito legal de forma a abarcar os interesses homossexuais, em nome do direito à não discriminação de opções individuais ou culturais, é a abolição dos princípios de monogamia e de proibição de incesto.

    Lembremos: a justificação para a proibição de incesto é a eventualidade de dele resultar uma prole geneticamente anómala. Já a premissa monogâmica assenta numa justificação cultural e não biológica. A poligamia carece de fundamento normativo no Ocidente por não ser suportada por preceitos religiosos, ao contrário da lei islâmica, e exprime uma inadmissível assimetria estatutária entre homens e mulheres.

    Mas, preceitos e crenças religiosas à parte, os defensores do casamento gay deverão, em nome do princípio de universalidade do direito, defender toda a união incestuosa de que não resulte uma prole geneticamente enfraquecida e toda a união poligâmica (ou melhor, poliamorosa) que não promova assimetria entre sexos.

    Legalizar o casamento gay implica negar a exclusividade categorial do casamento tradicional, definido como uma união entre dois indivíduos de sexos opostos e sem laços consanguíneos. Assim, o legislador que equipare aquela união a esta será logicamente forçado a não distinguir entre o direito de dois indivíduos do mesmo sexo, não aparentados entre si, a casar e adoptar filhos, e o direito de três indivíduos consanguíneos e do mesmo sexo à união matrimonial e à adopção. A legalização do casamento homossexual exige, portanto, a regulamentação do seu corolário mais extremo – nomeadamente, o casamento homossexual incestuoso poligâmico.

    Se colocamos em causa um dos critérios definidores da noção de casamento (união entre sexos opostos), então que justificação lógica e jurídica haverá para não descartarmos os outros dois (união restrita a dois indivíduos, não consanguíneos)?
    O mais curioso, e diríamos paradoxal, em toda esta polémica é a insistência com que as ideologias individualistas radicais, subjacentes ao casamento gay, se afirmam como bandeiras da esquerda, e não da direita.

    Manuel João Ramos
    Antropólogo

Os comentários estão fechados.