Os filmes precisam de qualquer coisa mais


Ao assistir a este filme – com excelente música e fotografia, como quem diz é uma merda – , vi três anúncios de filmes. Dramáticos. Espectaculares. Tonitruantes. Sobreviverá o cinema a tantos efeitos especiais? A vida será possível de ver, sem bocejos, depois de um festival de fogo de artifício e de pipocas? Tenho que ir ao Gran Torino para me curar.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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24 respostas a Os filmes precisam de qualquer coisa mais

  1. Luis Moreira diz:

    Eastwood continua a dissecar a América.Na senda de outros grandes filmes, todos eles próximos da vida das pessoas,Eastwood é o contrário dos filmes “americanos”,cheios de nada.Aquela morte do seu personagem é o seu próprio adeus?

  2. Luis Rainha diz:

    Não vais parar a grande sitio. Ali o CE é uma espécie de efeito especial com pernas, capaz de rosnar 8 vezes por plano…

  3. R. diz:

    Convém saber ao que se vai… Quer Watchmen, quer Gran Torino são, na minha opinião, grandes filmes mas em estilos e com concepções de cinema completamente diferentes!

    Como é que se espera ir ver a adaptação de uma graphic novel como Watchmen ao cinema e não levar com efeitos especiais em quase todas as cenas?

    Pelo sim, pelo não, fica o aviso que The Spirit (estreia já Quinta-feira) também é capaz de ter imensos efeitos especiais!

  4. Nuno Ramos de Almeida diz:

    o problema doWatchmen não é os efeitos especiais. É a filosofia barata. E é o filme arrastar-se. Os filmes podem ter efeitos, mas é difícil os efeitos terem filmes.

  5. R. diz:

    Filosofia barata?

    Watchmen enquanto obra literária é considerada pela Times Magazine como uma das “100 best English-language novels” e o filme está bastante fiel ao livro (apesar de o final ser diferente)! Durante anos este projecto foi sendo sucessivamente adiado precisamente devido à densidade da obra!

    Se conhece a graphic novel em questão, pergunto-lhe de que outra forma poderia ser possível fazer uma adaptação ao cinema? Adaptações como Watchmen, 300, Sin City ou The Spirit irão sempre viver de efeitos especiais (assim como Matrix ou Lord of the Rings)…

    É evidente que não agradará a todos e está longe do conceito de cinema clássico. Não me parece que seja sequer possível comparar este tipo de filmes com um Citizen Kane, Cinema Paradiso, C’era una Volta il West ou The Godfather mas, dentro do género, o filme é muito bom!

    Talvez tenha escolhido é um filme cujo género, à partida não aprecia…

  6. Nuno Ramos de Almeida diz:

    És capaz de ter razão, mas eu acho os personagens com muito pouca densidade. Prefiro de longe, para não fugir ao género, o V for Vendetta e o Matrix. Acho que este filme se perde na parafrenália. Esperava mais, atendendo à GN em questão.

  7. Curiosidade: tanto o V for Vendetta como este Watchmen levaram nega do autor da filosofia barata, Alan Moore. Que recusou, inclusivé, aparecer nos créditos.

    Adiante. A BD é a versão negra de um mundo de Stan Lee e o filme quase-quase a sua cópia perfeita (falta a história dos piratas; há uma troca-baldroca lá para o fim mas considero-a inócua; mais grave, penso, é o desaparecimento quase completo dos personagens da revista New Frontiersman). Dito isto e compreendendo a sua opinião, era previsível que um entretenimento de culto para os ink buffs dos anos oitenta iria passar por cliché de super-homem no olhar cínico de quem já não se impressiona com efeitos digitais.

    Mas faça favor de me corrigir o paternalismo, se for caso disso.

  8. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Acho normal que Alan Moore não goste dos dois filmes. As GN têm mais espaços para a gente pensar. Os filmes concretizam e naturalmente traiem os originais. O meu problema é mesmo com a densidade dos bonecos. Enquanto no V for Vendetta ultrapassavam o estatuto de figuras de plástico com vozes dobradas, no Watchmen, apesar da fotografia eficiente e da banda sonora a dar a batida, os personagens são de plástico, são caricaturas e alguns dariam excelentes coisas em mãos menos nabas. Imagino o Rorschach nas mãos de David Fincher, por exemplo.

  9. Luis Rainha diz:

    Nuno,

    Falares de filosofia barata e depois vires com isso do “Matrix”…

  10. Luís Rainha,
    Bem se vê que não percebes um boi do Matrix. Há vários livros de filosofia no Matrix e vários filósofos escreveram posteriormente sobre o filme.

  11. Luis Rainha diz:

    Consta que o Alan Moore nunca viu um filme baseado em obra sua. E que nunca daí recebeu um cêntimo de royaties.

  12. Luis Rainha diz:

    Nuno,

    Antes de aparecer o Matrix já tinha lido a história do Matrix em meia dúzia (pelo menos) de obras de SF. Mas se me quiseres ilustrar, lança aqui algumas pistas sobre os fascinantes tomos de filosofia que entrevês naquelas ruminações de fancaria em terceira mão.
    Se me disseres que os temas são interessantes, ainda vá; mas que os filmes em si passem de mero acompanhamento de pipocas com manias…
    É que um “livro de filosofia” é mais do que lançar ao ar uma pergunta do tipo “e se a realidade é em si um simulacro?” Isso é o resumo que vem nas letras gordas da contracapa.

  13. Rainha,
    Tenho mesmo que trabalhar. Mas recomendo a uma mente aberta como a tua, o seguinte livro “Matrix : Machine philosophique”. Há um outro interessante sobre o tema com dois textos do Zizek (já sei ele não presta para ti ou não o leste),um deles “o Bem-vindo ao deserto do real”, que discutem estas questões.

  14. Luis Rainha diz:

    E eu sei que o teu amado Žižek escreveu sobre a trilogia em questão. Mas ele também se dedicou a perorar sobre o “The Village” e não é por isso que esse saco cheio de vento metafórico passa a ser um grande filme.

  15. Luis Rainha diz:

    E sim: tenho o “Pervert’s Guide to Cinema” e não to vou emprestar, só à conta daquilo do “boi”.
    (se soubesse fazer um emoticon de língua de fora, estavas agora a levar com ele)

  16. Nuno Ramos de Almeida diz:

    O facto de tu não gostares do Matrix não faz daquilo um filme que não usa a filosofia e as suas questões, no centro do seu dispositivo. O filme é bastante interessante. Não perdes nada em ler o livro que te recomendei, e já agora o texto do Zizek que até começa com um esloveno parecido contigo 🙂 Eu tenho “O Pervert’s Guide to Cinema”, por acaso não gosto muito dessa coisa.

  17. Nuno Ramos de Almeida diz:

    : + p = :p

  18. Luis Rainha diz:

    Mas eu gosto do Matrix. Como gosto dos Looney Tunes: na boa, sem complexos por me estar a divertir e sem ter de travestir esse momento de gozo em profunda reflexão filosófica.

  19. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Os filmes têm vários níveis de leitura, o gozo está tb em perceber os vários jogos que os seus idealizadores lá colocaram. E perceber algumas questões. Mas come mais pipocas …

  20. Mas os personagens foram mesmo criados para serem de plástico e caricaturas do universo DC… Não é defeito, é feitio.

  21. Luis Rainha diz:

    É como diz o povo: quem procura porcos até as moitas lhe roncam. E não gosto mesmo é de pipocas.

  22. R. diz:

    O grande problema de Matrix é um filme chamado Dark City de Alex Proyas que (além de contar com a Jennifer Connelly) curiosamente é anterior ao filme dos Wachowski…

    Facilmente se encontram pela net sites em que se fazem comparações sobre as ideias exploradas por ambos os filmes!

  23. Luis Rainha diz:

    bela fita, essa

  24. Desculpem lá, mas as ideias exploradas no Matrix não são originais. Desde a alegoria da Caverna que elas são repetidas. A beleza do filme está nessa repetição e mistura, num filme de acção. Os filmes podem ser bastante razoáveis sem ser originais. O eXistenZ de 1999, é mt posterior ao Videodrome de 1983, por sinal do mesmo Cronemberg, à cenas que são quase decalcadas, e não deixam de ser dois bons filmes.
    Os personagens serem de pástico não é qualidade é defeito. É suposto quando se passa de meio, da GN para o cinema, eles passarem e não serem uma dobragem soletrada de um desenho gago. Peço desculpa, aos admiradores do género, para mim o Watchmen, 300 e o Sin City são uma merda tão grande como o Cinema Paradiso, muitos tiques e pouca coisa.
    Acho o Matrix, o V for de Vendetta, o Fight Club e o Animatrix infinitamente melhores. E estou disposto a matar por isso. Continuamos?

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