Curtas

Coisas de que não se ouve muito falar nos media:

América arma-se até aos dentes – O medo de que a crise se agrave até ao  apocalipse, assim como de uma política mais restritiva de controlo de armas tem provocado recordes de vendas de interesse na disciplina de survivalism, “sobrevivência”. Cada vez mais americanos estão a correr às lojas de armas, a guardar comida enlatada e a preparar-se para construirem “fortes-nação de uma família”, auto-suficientes. Os libertarians americanos (traduzir-se-á em portugês para libertistas ou libertarianos, e não, como se vê tantas vezes, para libertários), ao comprar milhares de munições e armas, dão de mamar ao complexo militar-industrial, em particular aos monopólios dos fabricantes.

Guerra contra e entre os cartéis, no México, escala em proporção. As ofensivas lançadas pelo governo estão a provocar desiquilíbrios de poder, secessões, mudanças de hierarquia. As batalhas de guerrilha são travadas entre paramilitares treinados pela CIA, com consultadoria de membros do Hamas, armas chinesas, forças especiais da Colômbia, mercenários de todo o globo.

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11 Responses to Curtas

  1. “(traduzir-se-á em portugês para libertistas ou libertarianos, e não, como se vê tantas vezes, para libertários)”

    Que tal ‘anarquistas’?

  2. João Branco diz:

    A tradução para anarquistas estaria errada, nem que mais não fosse pela falta de abrangência. O “Libertarianism” americano seria correctamente traduzido para “minarquismo”.

    Traduzir Libertarian para Libertário ou Anarquista é tão errado como traduzir o “Billion” americano (mil milhões) para Bilião português, ou como traduzir Liberal americano para Liberal português (falando de economia).

    no http://ventosueste.blogspot.com convivem um “Libertarian” à americana (o Carlos Novais), com um simpatizante do anarquismo, ou, se quisermos, um quase-libertário (o Miguel Madeira).

  3. João Branco diz:

    Dorean, folgo em saber que ainda vais lendo o 5 dias 🙂

  4. Foi só fumaça… 😉

    Acho que nenhum “libertarian” gosta da polícia, de modo que não lhes chamaria minarquistas (estes só se ralam com dinheiro).

    Tenho outra teoria (e daí a provocação). Do ponto de vista da esquerda, se fulano é de esquerda, é ‘anarquista’; se é de direita, é… vá, ‘libertista’ (‘libertariano’ parece-me tradução improvisada de noticiário brasileiro).

    • João Branco diz:

      1- Tens razão relativamente à polícia. Chamar-lhes minarquistas realmente não é correcto. Mea culpa. (mas estava aqui a pensar no ron paul, que acho que se auto-intitula libertarian e defende a reforço da guarda nacional para a fronteira com o méxico, etc. )

      2- De resto, a tua “teoria” não me parece uma teoria. Parece-me a designação correcta.
      Se bem que recentemente alguns libertistas, ou ditos anarco-capitalistas, parecem querer afirmar-se de tradição anarquista. Mas parece-me que os anarquistas clássicos não o acham legítimo. O que quero dizer é que desde há mais de 100 anos que a designação “anarquista” é reclamada por socialistas/comunistas. Desde há menos tempo, é também reclamada (parece-me que legitimamente) pelos post-left anarchists, primitivistas, etc. Parece-me que a reclamação deste termo por quem se identifica com o capitalismo é bem mais recente.

      3- Mesmo considerando que o termo “anarquista” abrange todas as correntes anti-estado, desde o anarco-comunismo ao anarco-capitalismo, passando pelo individualismo libertário e pelo “libertarianism” , traduzir “libertarians” por “anarquistas” seria tomar o todo pela parte, ou seja, seria como traduzir “dog” para “canídeo”.

  5. Também não confundir com anarco-conservadores, que os há e detestam armas.

  6. “Os libertarians americanos (traduzir-se-á em portugês para libertistas ou libertarianos, e não, como se vê tantas vezes, para libertários)”

    Continuam vosselências com as vossas discussões semânticas. Para mim é tudo a mesma coisa: desde o tempo da Revolução Francesa se sabe que a igualdade só se impõe à força. O Robespierre bem o sabia.

    • João Branco diz:

      Desde sempre que a desigualdade também é imposta à força. E para manter a desigualdade é, e sempre foi, absolutamente necessária força monopolizada e organizada em autoridade.

      Se para ti “é tudo a mesma coisa” então informa-te melhor, porque não é tudo a mesma coisa.

      O que achas do movimento operário do finais do século XIX ? Coisas como o limite de horas de trabalho foram conquistadas à força, sim. Acho que é um bom exemplo de como a igualdade se defende e conquista à força sim, mas não pela tomada e burocratização do Estado.

      • João Branco diz:

        Mais: eu tenho o pudor intelectual de não considerar os sistemas de governo autoritário “tudo a mesma coisa”. Não me passaria pela cabeça dizer que Chavez, Sarkozy, Hitler Bush são “todos governantes que querem muita bófia a meter a gente na ordem”. Não me passaria pela cabeça dizer que o Fascismo e o Gonçalvismo são “a mesma coisa”. Não me passaria pela cabeça dizer que o autoritarismo democrático ou ditatorial são “tudo a mesma coisa”.

        Provocações à parte, terás tanta noção como eu de que as definições semânticas são importantíssimas para, numa troca de ideias, sabermos do que estamos a falar.

  7. “Desde sempre que a desigualdade também é imposta à força.”

    Eu diria mesmo mais: com força desigual só se consegue impor desigualdades.
    Tens exemplos sérios de contraditório para esta minha afirmação, Filipe?

  8. Este post está de ir às lágrimas. Parabéns e continuação de bom trabalho!

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