Agora tenho de comprar lixo?

A Associação de Professores de Português exige encontrar “responsáveis” pelos pontapés no Português que o Magalhães disseminou. Este grémio bem melhor gastaria o seu tempo a descobrir quem são os seus associados que impingem a alunos do 10.º ano trabalhos sobre um livro que foi escrito num linguajar apenas vagamente parecido com o nosso: o Codex 632.

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13 Responses to Agora tenho de comprar lixo?

  1. jpt diz:

    Também não exageremos. Nesta terra tudo o que seja abaixo de Eça de Queiroz é pra queimar, é o chamado complexo de Vasco Pulido Valente. O livro não será uma obra prima da literatura, mas também não é assim tão mau.

  2. Luis Rainha diz:

    Não brinquemos. Não se trata de comparar com Eça ou sequer com Miguel Sousa Tavares. Aquilo é merda em forma de livro. Mal escrito, maçudo, atamancado, tonto. Prefiro que o meu filho gaste mais umas horas a olhar para a MTV do que a ler aquilo.

  3. Carlos Vidal diz:

    Eu também.
    Diria sempre a toda a gente (à minha filha já disse) que é preferível não ler do que ler aquilo e quejandos (Rebelos Pintos, Coelhos, etc). Mas, atenção, o Sousa Tavares, não é muito mais recomendável. Também o poria na mesma lista daquilo que vale mais não ler nada do que lê-lo. O Sousa Tavares acaba por ser mais respeitado por razões familiares, mas isso não chega. Entretanto, deixemo-nos de coisas, uma nódoa no mítico Magalhães dá um certo gozo. Agradável.

  4. Pisca diz:

    A sopa de leite de mamas algum sabor deverá ter.

  5. Abaixo de Eça de Queiroz?
    Não, abaixo de cão!
    É que é mesmo trampa e da mais mal cheirosa, na linha do “Eu, Carolina”.
    Chiça, penico!

  6. Helena Velho diz:

    Tem toda a razão Luís! e obrigarem-nos a expôr para análise um texto do MST é de dar dó! e não, não é exagero. Tudo o que estes escritores” feitos ” produzem só cheira a suor. Rançoso.

  7. Morgada de V. diz:

    Objectivamente: além de “maçudo, atamancado e tonto”, o Codex tem mais erros de português por página que todo o código “open source” do Magalhães. Navegador por navegador, parece-me tudo abaixo de cão.

  8. Luis Rainha diz:

    É bem difícil abrir aquilo ao acaso e não dar com uma passagem defeituosa ou pura e simplesmente idiota. Já o Magalhães (recebi anteontem o meu) parece brinquedo bem giro.

  9. Serviço público:

    Esse Codex começa com um prólogo; isto:

    ““Quatro.

    O velho historiador não sabia, não podia saber, que só lhe restavam quatro minutos de vida.

    O elevador do hotel aguardava-o de portas escancaradas e o homem carregou no décimo segundo botão. O ascensor iniciou a viagem e o seu ocupante admirou-se ao espelho. Achou-se acabado, viu-se calvo no topo da cabeça, apenas tinha cabelo por trás das orelhas e na nuca; e eram cabelos gastos, alvos como a neve, tão brancos quanto a barba rala que lhe escondia a cara magra e chupada, riscada por rugas profundas, arreganhou os lábios e analisou os dentes desalinhados, amarelos de tão baços, com excepção dos falsos que lhe tinham sido implantados, eram esses os únicos que respiravam uma saúde nívea de marfim.

    Três.

    Um tim suave foi a forma encontrada pelo elevador para lhe anunciar que tinha chegado ao destino, era favor o ocupante sair e ir à sua morte porque ele, o elevador, tinha mais hóspedes para atender. O velho pisou o corredor, virou à esquerda, procurou com a mão direita a chave no bolso e encontrou-a; era uma ficha branca de plástico com o nome do hotel num lado e uma fita escura no outro; a fita continha o código da chave. O velho colocou a ficha na ranhura da porta, acendeu-se uma luz verde na fechadura, rodou a maçaneta e entrou no quarto.”

    Prólogo – O códex 632”

  10. Serviço público (2):

    Já agora, A Fórmula de Deus também começa com um prólogo; isto:

    ““O homem dos óculos escuros riscou o fósforo e colou a chama violácea à ponta do cigarro. Aspirou forte e uma nuvem acinzentada ergueu-se do rosto, devagar, fantasmagórica.
    O homem percorreu a rua com o olhar azul e apreciou a placidez daquele recanto aprazível.

    Fazia sol, os arbustos coloriam de verde os jardins mimosos, graciosas casas de madeira espreitavam a rua, as folhas tremelicavam sob a brisa leve da manhã, o ar ameno encheu-se de aroma e melodia, perfumado pela fragância fresca das glicínias, embalado pelo estridular laborioso das cigarras na relva rasteira e pelo arrulhar meigo de um beija flor. Uma gargalhada despreocupada juntou-se ao harmonioso concerto da natureza, era uma criança loira que guinchava de alegria e saltitava pelo passeio, puxando um colorido papagaio por uma corda.

    Primavera em Princeton.”

    Prólogo – A Fórmula de Deus”

  11. Luis Rainha diz:

    Muito obrigado. Nada como uma evocação do «estridular laborioso das cigarras na relva rasteira» para começar bem o dia…

  12. Gosto particularmente da referência à forma que determinados elevadores encontram para indicar aos seus ocupantes o fim da viagem.

    E ainda da “saúde nívea de marfim” que alguns dentes respiram; nomeadamente os de “plástico”.

    Dá que pensar, sem dúvida.

  13. Além do mais; há amigos e amigas que andam com esses livros debaixo do braço (força de expressão) e, num desses acasos em que damos de caras com um desses pedregulhos, pegando nele e abrindo-o ao acaso deparei com o manto da superioridade da ocidental civilização, e então um tal espião que andava por terras do Irão, cujo povo vivia na emporcalhada javardice de ter apenas uns buracos na terra onde defecavam, só no hotel onde os ocidentais ficavam, só aí, existiam casas de banho asseadas, e, o tal espião o que andava a fazer por terras do Irão? nada mais do que a descobrir onde se fabricava a bomba atómica.
    Haja pachorra… para quem acaba o telejornal piscando o olho para o telespectador e a dizer graçolas.

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