Apropriação pessoal do PS

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Pedro Vieira, grande Irmão Lúcia, no excelente Arrastão

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou, hoje, que o aspecto mais interessante do Congresso do PS foi o facto de não ter conteúdo nenhum. Permito-me discordar. Aquilo que aconteceu em Espinho reveste-se de uma grande importancia. Verificou-se nestes dias, algo que foi preparado antes, mas que aconteceu agora e que é uma imensa ruptura na história desse partido.  O PS foi privatizado para uso de um único homem. Não existe uma campanha dos socialistas portugueses para concorrerem com um programa às eleições legislativas, existe uma proposta pessoal de um homem, que, na sua infinita modéstia, decide por todo um partido. Não é por acaso que quando anuncia a escolha do cabeça de lista às europeias, Sócrates diz “eu” escolhi o professor Vital Moreira. Não é, também, por acaso que o site de campanha se chama “Sócrates 2009”. Verifica-se uma total apropriação do PS por parte de Sócrates. É interessante verificar que este fenómeno nunca existiu, nem sequer quando homens brilhantes, como Mário Soares, com uma história pessoal de luta e de resistência, dirigiram o partido. Nesses tempos, havia contestação interna, divergências e o PS não se confundia com um só homem. Hoje, no tempo da “esquerda moderna” dos interesses, no tempo da confusão entre partido, aparelho de Estado e as grandes empresas, o PS tornou-se uma sociedade anónima nas mão de um só homem. Sócrates tem todas as acções do PS e o resto esfumou-se. O mais grave de tudo, é que Sócrates pretende “berlusconizar” as eleições em Portugal. Ao eleger como tema eleitoral o Freeport, o primeiro-ministro pretende sufragar nas urnas os vários casos que estão a ser investigados pela justiça portuguesa. O objectivo final é ganhar legitimidade para manietar a justiça e a comunicação social.

Entendamo-nos, cabe à justiça apurar se houve corrupção na aprovação do Freeport e em dezenas de outros casos. A tentativa de pessoalizar a disputa eleitoral e de apontar os agentes da justiça e a comunicação social como inimigos é perigosa e anti-democrática. Quem assim o faz, sonha com acabar com a separação de poderes e quer, ganhando as eleições, pôr sob a sua ordem a justiça e a comunicação social.

O PS ao aceitar este processo põe o seu papel na sociedade portuguesa em perigo. Caso a justiça descubra factos graves contra Sócrates, não vão estar em causa apenas erros de um homem, é todo um partido que coloca a corda no pescoço.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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