Proponho Vital Moreira para chefiar todas as polícias de investigação do mundo

Leio no «Causa Nossa», blogue de Vital Moreira:
Freeport (3)
[Publicado por Vital Moreira]

«Manuel Pedro, associado da Smith & Pedro, em comunicado enviado à Lusa, afirma que nunca procedeu a «pagamentos ilícitos» e que a única vez que se encontrou com Sócrates foi no Ministério do Ambiente numa reunião pedida pela autarquia de Alcochete.»
Ficam assim categoricamente desmentidas pelos próprios as suspeitas de reuniões “clandestinas” e de pagamento de “luvas” (o mesmo desmentido já tinha sido feito por Charles Smith).
[Fim de citação, sublinhado meu]
CONCLUSÃO:
Proponho que a partir de agora se aplique esta forma simples de resolver todas as investigações em curso, relativas a todo e qualquer tipo de crime, seja em que parte for do mundo. Ouvir os implicados apenas: «você fez isto ou isto?» Se a resposta for «NÃO», o homem ou a mulher devem imediatamente ser devolvidos ao estatuto de inocente e à liberdade que existe e pertence a todos nós.

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10 Responses to Proponho Vital Moreira para chefiar todas as polícias de investigação do mundo

  1. sabes, mas o mais grave é que o senhor disse isso num comunicado à imprensa, porque a investigação, pelos vistos, anda há quatro anos e ainda não lhe perguntou nada. Chamam-lhe “fase de inquérito”!!!

  2. mmbotelho diz:

    A conclusão enferma de duas imprecisões.
    1. Se está a ouvir os “implicados”, significa que ainda não está a ouvir os condenados, portanto, não irá devolver o homem ou a mulher «ao estatuto de inocente», como diz, pois inocentes são todos até à prolacção de uma sentença condenatória, por força do princípio da presunção da inocência.
    2. Mutatis mutandis, o mesmo raciocínio se aplica à liberdade.

    Quanto a mais, não vejo onde o Doutor Vital Moreira afirme que dos desmentidos categóricos dos próprios tenha necessariamente de concluir-se que a investigação deva ser arquivada. Vital Moreira apenas afirma que os mesmos, tendo sido questionados, negaram categoricamente. A conclusão só existe no post e, como fica patente, extrapola.

  3. Carlos Vidal diz:

    Não partilho do seu raciocínio mmbotelho.
    Segundo Vital Moreira nem suspeitos nem arguidos haveria mais, quanto mais condenados.
    Qual é, no fundo, a valia dessa menção «desmentido pelo próprio»?
    Uma única: daí partir para uma cavalgada crítica dos media.
    Nada mais.
    Os socratistas não gostam da mensagem; como se costuma dizer, culpam o mensageiro.

  4. mmbotelho diz:

    Carlos Vidal, por tópicos, por facilidade de expressão:
    – Eu apenas constato, não elaboro nenhum raciocínio…
    – Entre suspeito e arguido há diferenças substanciais.
    – O desmentido, na imprensa – e é aí que se situa o post de Vital Moreira, no relevo que a imprensa dá às diferentes versões do caso – tem tanto valor como uma confissão (e não só na imprensa, pois, como é consabido, se, em sede judicial, um arguido desmente os factos, isso também pode ser valorizado pelo tribunal, quanto mais não seja para concluir que o arguido não demonstra qualquer arrependimento). Ou seja, Vital Moreira pretende apenas alertar os media para a necessidade de não seleccionarem as notícias que publicam com o exclusivo intuito de promover mais uma versão da história do que a outra, ou seja, de realizar autênticos julgamentos em praça pública (como já tantas vezes, infelizmente, sucedeu em Portugal). Deixemos os julgamentos e as sentenças para os Tribunais.
    – Faço sempre um esforço por “ver” as coisas com o máximo de isenção, mesmo sabendo que Vital Moreira é um “socratista” (e eu me situo no pólo oposto).

  5. É triste ver Vital Moreira transformado em yes man. Quando um dos homens que ele admirava foi buscar mais um adversário para o posto que lhe faltava preencher: http://ovalordasideias.blogspot.com/2009/02/jogada-da-semana-de-obama-judd-gregg.html

  6. Psssssssssssssssst: Não podem chamar nomes ao PM. Vão Presos.

  7. faltando lembrar que Vital Moreira e’ catedratico de direito… mais vergonhoso ainda

  8. Carlos Vidal diz:

    Caro mmbotelho,
    A leitura que me propõe, digamos, leitura à letra, do post de Vital Moreira é, para todos os efeitos, um raciocínio, uma interpretação, a sua. Aqui, nivelo “raciocínio” com “interpretação”, porque se acha que não elaborou um raciocínio, então porque é que o seu é diferente do meu? Só haveria uma resposta: eu elaborei um raciocínio (mau, neste caso, porque extrapolativo) e mmbotelho não elaborou qualquer raciocínio, pois levou o post à letra. Fica por provar até que ponto ler à letra é mais válido do que “interpretar” (ainda que mal, como diz ter sido o meu caso). E fica ainda por esclerecer até que ponto ler “à letra” não é propor uma interpretação-raciocínio.
    De resto, um pouco mais de subtileza na leitura das situações, deverá lever-nos a perceber que há casos em que não podemos esperar confissões.

  9. mmbotelho diz:

    Caro Carlos Vidal,
    A sua “interpretação” (ou “leitura”, como proferir, já que a designação não me parece o ponto fulcral em apreciação), levou-o a uma conclusão que não vai de encontro ao texto do post, daí que me tenha parecido uma extrapolação. Mas isto, lá está sou eu a “interpretar” a sua “interpretação”, nada mais.
    Só me questiono se o Exmo. Carlos Vidal acredita mesmo que Vital Moreira, sendo quem é (academicamente falando) alguma vez, em seu perfeito juízo, defenderia que um processo deve ser arquivado simplesmente porque os suspeitos negam a prática dos factos, como o caro Carlos Vidal conclui no seu post.
    O busílis da questão é só esse: a “interpretação” que faz das palavras de Vital Moreira dá a entender que o professor de Direito pretendia defender algo inadmissível (o que assumiria contornos mais graves precisamente por se tratar de um professor de Direito).
    Essa “interpretação”, caro Carlos Vidal, não obstante o facto de eu e o Vital Moreira nos situarmos politicamente em pólos opostos e de o mesmo ter estado longe de proferir lições entusiasmantes enquanto meu lente da cadeira de Direito Administrativo, não sou capaz de fazer. Acima de tudo, não ponho em causa, por questões de lisura, a inteligência das pessoas. É por isso, talvez, que chegamos a conclusões diferentes.

    [Nota final: esta que escreve é uma “ela”, não um “ele”. 🙂 ]

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