A melhor amiga do medíocre: a “campanha”

manchanegra
Tem sido um recurso habitual dos incapazes e dos desesperados. Nas mãos de um artista como Paulo Portas, a “campanha” é solução multiusos: da pouca-vergonha das resmas de fotocópias ao despautério do “Jacinto Leite”, tudo resulta de ocultas manobras contra o impoluto paladino, sempre dentibus albis, do PP. Com Santana Lopes, a manobra ganha tons de alegre farsa, no meio de rábulas sobre incubadoras e pais aflitos. Em casos mais bizarros como Luís Filipe Menezes, a ideia parece ser mais causar pena do que a simples calimerice, corriqueira para os lados do PCP. O pior é que a coisa ainda promete dividendos: o soba do Funchal anda há anos a apontar o dedo sapudo aos cubanos colonizadores, para alegria das hostes votantes.
Agora, José Sócrates é mais um a preferir a histeria das acusações vagas e sem destinatário ao sereno esclarecimento de mais um manhoso imbróglio. Seria mesmo preciso invocar aquelas patetices de opereta das “perfídias” e das “campanhas negras”? Mas quem será que lhe escreve semelhantes inanidades? Porque não declarar simplesmente a confiança nas instituições próprias, afivelar um sorriso impante e deixar-se de vitimizações teatrais que estão por cá tão gastas que nem no Parque Mayer convencem os palonços?
Ainda por cima, nos bastidores desta cabala anda um corrupio de IC19 em hora de ponta: da imprensa aos crápulas dos ingleses, passando pelos inimigos de umas invisíveis reformas, desembocando agora no melodrama das “forças ocultas”. Expliquem-nos, ao menos, quem é que anda a querer dar cabo do nosso primeiro-ministro; só falta mesmo a maçonaria ou a opus dei para compor de vez o rol de improváveis suspeitos.

PS: propositadamente, não mencionei outras célebres vítimas de “campanhas”, como Avelino, F. Felgueiras, Isaltino ou Valentim. Apesar de tudo, ainda quero manter a esperança de que a companhia perfeita para Sócrates não seja mesmo a dos parlapatões de terceira. Gostaria é de lhe ver real vontade de esclarecer, em vez desta fuga para o reino da fantasia…

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

6 Responses to A melhor amiga do medíocre: a “campanha”

Os comentários estão fechados.