A um cientista de cabeça dura só se pode responder com BEETHOVEN

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Manuscrito de L. van B.

Eu tinha solenemente prometido a mim mesmo (são as melhores promessas) não voltar a dar trôco aos cientistas-jugulares – agora não há links e que se lixe. Mas li esta pérola num texto de Palmira Silva, a cabeça dura intrépida da blogosfera:
“Os charlatães que comercializam tretas como curas quânticas ou taquiónicas ou homeopatetices têm um discurso tipo Kristeva ou Lacan “.
Porra!, eu até posso não estar próximo destes pensadores, ou estar. Isso não está em causa. Não posso é admitir que uma ignorante visceral fale deste modo. Acho que a uma cabeça tão dura só se pode responder com Beethoven. E porquê? Tenho de o confessar. Se me perguntassem quem foi a criatura que mais admirei na superfície da terra por ter aqui existido, eu confessaria (apesar do absurdo da pergunta e da irracionalidade da resposta: BEETHOVEN, e não penso em justificar nada).
E respondo com uma página do seu diário, não tendo presente a que ano se refere – é uma resposta aos cientistas duros de cabeça, esta desenvoltura verbal de Beethoven. Leiam e ouçam Beethoven (e mandem a Palmira dar uma volta): DIÁRIO DE BEETHOVEN (Ano X, não posso precisar):

« 31 de Janeiro: despedi a governanta.

15 de Fevereiro: cozinheira entrou ao serviço.

8 de Março: cozinheira despediu-se.

22 de Março: entrou ao serviço a nova governanta.

20 de Julho: despedi a governanta.

17 de Abril: cozinheira entrou ao serviço.

16 de Maio: despedi cozinheira.

19 de Maio: nova cozinheira foi-se embora.

1 de Julho: cozinheira entrou ao serviço.

28 de Julho: cozinheira fugiu de noite.

9 de Setembro: a rapariga entrou ao serviço.

22 de Outubro: a rapariga foi-se embora.

12 de Dezembro: cozinheira entrou ao serviço.

18 de Dezembro: cozinheira despediu-se. »

Em suma, um ano de vida bem vivida. A sua música não é para os ouvidos de todos. Não mesmo.

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