A animalidade de Israel poderá produzir poetas? (Presença de Mahmoud Darwish)

Se Israel fosse a Grécia e a Palestina ocupada fosse Tróia, o que Mahmoud Darwish procura, procurou, é o poeta de Tróia que relatasse a derrota, o poema da derrota, a voz da derrota, não Homero, não Eurípedes. Onde está o poeta troiano da guerra e do colapso da cidade de Cassandra? Será Mahmoud Darwish?
Bom, ouçamos esta pungente participação de Darwish no “Notre Musique” (2004) de Godard, genial Godard. Forever Godard. Será que a nação com poetas, grandes poetas, eliminará, terá o direito de eliminar a nação sem poetas? Há poetas judeus, claro. E israelitas? O país de Olmert, Barak, Sharon, Livni, Peres terá poetas? Ou melhor, o lugar concebido por Gurion, Begin, Shamir, Olmert, Barak …. poderá ter poetas? Há poesia nas mentes de Livni, Olmert e Barak?
Não sei, eu não sei nada. Passemos já para Godard. Ele também não sabe, por isso dá a voz a Darwish. Mas dá-lhe a voz de forma sublime. E Darwish é sublime na sublimidade do espaço godardiano.
ADENDA: Peço muita desculpa por ter alterado o título do post – passou de “ferocidade” para “animalidade”. Peço desculpa, porque deveria ser obviamente “animalidade” desde sempre. Até porque há pouco um deputado dessa coisa chamada Israel sugeriu o emprego da bomba atómica em Gaza. Ferocidade? Animalidade? Nem isso, claro. Talvez outra coisa.

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18 Responses to A animalidade de Israel poderá produzir poetas? (Presença de Mahmoud Darwish)

  1. …”Há poetas judeus, claro. E israelitas? O país de Olmert, Barak, Sharon, Livni, Peres terá poetas? Ou melhor, o lugar concebido por Gurion, Begin, Shamir, Olmert, Barak …. poderá ter poetas?”…

    Bem vindo ao perdido mundo do senhor Rosenberg. Deverei saudá-lo com um Heil Hitler?

  2. Carlos Vidal diz:

    Não.
    Esse é um velho truque que não me intimida.

    Como o julgo monárquico e crente (talvez, não sei), diga apenas, que Deus não se esqueça do milhar de mortos em Gaza desde há pouco mais de um mês.

  3. Miguel Dias diz:

    Há uma frase do Mahamoud Darwish que me inquieta.
    Quando ele diz qualquer coisa como:
    “É o vosso interesse no “problema” judaico que alimenta o nosso interesse em nós. O problema não somos nós, são vocês. A nossa sorte (e azar) é ter Israel como inimigo, porque o que vos preocupa não somos nós, é Israel.”
    São palavras de uma penetrante lucidez, que ferem como uma adaga.
    Quando olhamos para israel estamos-nos a ver a nós próprios,e é precisamente por que vemos um reflexo daquilo somos, que os ecos desta guerra são entre nós tão violentos, tão ensurdecedores. Para o bem e para o mal, nós somos israel.
    É por isso que me custa tanto falar, emitir uma opinião que seja.
    Por pudor.

  4. Caro Vidal,

    Apenas sei o Pai Nosso (como você também sabe) e a Avé Maria (como você sabe). Numa missa, nem sei como seguir o ritual, nem sequer tenho a 1ª comunhão, ao contrário de muita gente que por aí anda. Bom, apenas alertava-o contra os habituais exageros da linha Iezhov/Koba. É que são estranhamente idênticas às “outras”. Não digo isto para “intimidar” (bah, façam o que quiserem…). Agora, não compare é Israel com o que “anda lá à volta”. Até é indecente. Milhares de mortos… pois sim… P-R-O-P-A-G-A-N-D-A! Olhe, os Hamazes que não se escondam atrás dos civis!

  5. …e se pudessem despachar o taxi-driver de Teerão, isso é que seria a cereja em cima do bolo. Ah!, o Assad também e já agora o Nasralé, digo, Nasrallah!

  6. Carlos Vidal diz:

    caro nuno
    Deveria se calhar ler o post todo, a referência ao “deputado da bomba atómica” e o depoimento de Darwish (como acima fez Miguel Dias). Já não diria “milhares de mortos = PROPAGANDA”. A sua frase é infeliz.

    Outra coisa: vamos ver deste modo, que me parece legítimo – quando um hamasiano, hoje, combate de armas na mão o invasor ele não é visto pelos seus conterrâneos como um fundamentalista religioso, ele é visto de outro modo – é um militar, ou melhor, um guerrilheiro. O programa religioso do Hamas nessa situação não interessa a quem vê o militante combater o invasor. Não tenha dúvidas. Eu, se assim se pode dizer, identificava-me com o laicismo da antiga OLP. Mas esse tempo acabou. Agora é agora, e muito se sabe das ligações entre Hamas e Israel. Nada de novo, como também sabe, os grupos fundamentalistas afegãos foram apoiados pelos EUA contra os soviéticos. Nem é preciso provas a apresentar aqui, pois não? Até Stallone sabe isso. E sabe-o com os seus famosos monossílabos. Nem é preciso mais.

  7. Carlos Vidal diz:

    caro nuno,
    Não deixe o poeta Mahmoud Darwish a falar sozinho. Ouça-o. São 6 minutos apenas.

  8. Carlos Vidal diz:

    Além disso, nuno, você fala em Ahmadinejad porque não conhece um dos maiores democratas do século XX, um dos maiores lutadores pela democracia do passado século: Mohammad Mossadegh, que serviu politicamente o Irão desde 1905 a 1953, em vários cargos, de deputado a primeiro-ministro. Tente informar-se porque é que a CIA derrubou uma das mais antigas e bem sucedidas experiências de democracia do Oriente:
    http://www.mohammadmossadegh.com/biography/

    Ler e reler sobre Mossadegh nunca é demais. Serve para todos os comentadores.

  9. Spartakus diz:

    Animalidade, certamente, à falta de coisa melhor.
    Nem por acaso o Amos Oz, tão querido de certa esquerda, veio apoiar o ataque a Gaza…
    Bom dia.

  10. CV:

    “Peço desculpa, porque deveria ser obviamente “animalidade” desde sempre.”

    Talvez possa abordar idênticas declarações do caramelo do Irão.

    Já agora, como encara que, podendo fazê-lo, Israel o não faça?

    E, já agora, não podendo, por enquanto, o Irão fazê-lo, acha que o não faria se pudesse?

    E que acha que faria o Hamas se as posições se invertessem?

    .

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  12. Carlos, sei perfeitamente quem era o senhor Mossadegh. É preciso não perdermos a noção da época, em plena guerra fria e no ocaso da presença imperial europeia na zona. Os EUA procuravam – através do Pacto de Bagdade – estabelecer uma linha de defesa relativamente à URSS e os acontecimentos no Egipto indiciavam uma clara modificação de forças, contra os ocidentais. Mossadegh ganhou as eleições da forma como sabe – nem valerá decerto a pena fazer considerações, dada a especificidade do caso -, mas era clara a sua intenção de ir acumulando poderes, começando precisamente pelas forças armadas. A Pérsia não é a França ou a Inglaterra! E o que poderemos dizer acerca do seu “pedido de poderes de emergência”, para poder decretar segundo o seu programa? É que não se pode chamar “ditador” a João Franco – e nem sequer podemos comparar a liberdade de expressão e de organização entre o Portugal de 1906 e a Pérsia de 53 – e simultaneamente, crismar outros de heroísmos escusos. Não se trata de ditadura e nisso o Carlos terá razão. Era apenas um recurso, provavelmente passageiro, mas o caso persa reveste-se de poderosas condicionantes. Por exemplo, a que se segue.
    Mossadegh cometeu um erro fatal: aliou-se ao Tudeh – sabe bem do que se trata e que tipo de gente e ao serviço de quem se encontravam – e cedeu. Quanto ao ponto essencial e sempre em reserva mental, a questão agrária, o 1º ministro opusera-se terminantemente à chamada “Revolução Branca” (aliás mais tarde implementada) do Xá, que distribuía as terras da coroa pelos camponeses sem posses. Procurando ganhar a simpatia Tudeh (PC), Mossadegh passou a preconizar essa mesma reforma agrária que recusara a Reza Pahlevi. Coisas de políticos…
    Compreende–se perfeitamente a sua ânsia em controlar os recursos petrolíferos persas, pois o Xá tentou o mesmo e foi por isso deposto. Sabe-se bem do envolvimento da CIA em ambos os casos e não será nada estranho concluir que o 1º ministro e 26 anos mais tarde, o próprio Xá, terem caído em circunstâncias cujo móbil verdadeiro acabava por ser idêntico: o petróleo, os interesses dos EUA na região, o “perigo da autonomia” iraniana. Com ou sem a monarquia. Mas, saliento, há que atender às circunstâncias da época: 1953.

  13. Carlos Vidal diz:

    Range-o-Dente

    Apenas uma palavrinha sobre o Irão.
    Para perceber aquilo em que o Irão se tornou, para perceber aquilo que o Irão é hoje, temos de ler a biografia do líder eleito, em várias circunstâncias (de líder local, deputado a primeiro-ministro), chamado Mossadegh. Deixei o link no meu comentário das 2:59.
    Porque é que Mossadegh foi derrubado?
    Porque é que todo o Irão odiou o Xá, que passou a “governar” depois de Mossadegh?
    Caminho aberto para os ayatollahs, não foi ??

    Como se percebe daqui, nada tenho a ver com os ayatollahs e você não despreza mais Ahmadinejad do que eu.

  14. CV:
    “Apenas uma palavrinha sobre o Irão.”

    O CV debitou as minimamente necessárias para evitar os meus pontos quer eram, repito:

    Talvez possa abordar idênticas declarações do caramelo do Irão.

    Já agora, como encara que, podendo fazê-lo, Israel o não faça?

    E, já agora, não podendo, por enquanto, o Irão fazê-lo, acha que o não faria se pudesse?

    E que acha que faria o Hamas se as posições se invertessem?

    “Até porque há pouco um deputado dessa coisa chamada Israel sugeriu o emprego da bomba atómica em Gaza.”

    O gajo que refere (não vale a pena, de momento, escavar os pormenores) disse o que toda a gente sabe. Resta a Israel convencer os seus inimigos, pela força, que devem abandonar a exigência da obliteração de Israel do planeta Terra.

    Claro que hipóteses são hipóteses, mas parece haver poucas dúvidas que as bombas atómicas atiradas sobre o Japão acabaram de imediato com a guerra.

    Dito de outra forma, parecer-lhe-ia razoável se eu afirmasse que a continuação de uma guerra convencional no Japão iria provocar menos vítimas apenas, que fosse, do lado do Japão?

    … mas eu aguardo pacientemente até ao momento em que o CV venha acusar Israel de ter pretendido maximizar o número de baixas palestinianas protelando o momento de intervenção. Lá chegará.

    .

  15. ag diz:

    ISRAEL SEMPRE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  16. Nosferatu diz:

    O franzino David não reconhece o direito à existência do gigante Golias, que por sua vez não reconhece o direito à existência do franzino David. A diferença é que o gigante tem, para além das intenções, o poder suficiente para esmagar o Davidezinho (esforço a que, de resto, não se tem poupado), enquanto que o franzino só pode responder ao Golias com insultos. Ora, chamar nomes às pessoas é uma coisa muito feia, como toda a gente sabe. O facto de ser constantemente alvo das judiarias do gigantone Golias não dá ao menino David o direito de lhe chamar “filho da puta”. O menino David é um malcriadão. E como eu detesto malcriadões, dou todo o meu apoio ao brutamontes Golias. Se quer o meu apoio, o franzino deve sofrer em silêncio, estoica e humildemente, e tentar conquistar o coração do gigantão. Deve, em suma, tentar convertê-lo ao pacifismo. Se se deixasse exterminar sem um ai, o franzino palestino conquistaria para sempre a nossa admiração. Assim não.

    Range-o-dente, já te perguntaste porque é que a tua cabeça zune quando está vento? Uma dica de amigo: experimenta tapar os ouvidos com algodão-doce.

  17. Nosferatu:
    “A diferença é que o gigante tem, para além das intenções, o poder suficiente para esmagar o Davidezinho (esforço a que, de resto, não se tem poupado)”

    Não se terá poupado, sem conseguir, evidentemente, porque qualquer pessoa sabe que um judeu nem sabe que tem que tirar as calças antes de se sentar na sanita.

    “O facto de ser constantemente alvo das judiarias do gigantone Golias”

    Por exemplo. David gostava de resolver o problema de Golias mas Golias não colaborava. David, por várias vezes enviou garbosos voluntários colocar explosivos nas sanitas do Golias. A ideia era provocar algum ruído para o lembrar a baixar as calças, mas, veja-se, ainda por cima o ingrato do Golias plantou um muro na periferia do seu território para .. evitar que os atrapalhados judeus recebessem ajuda de David.

    … ele há coisas …

    Claro que a pressão dos judeus contra o muro não se fez esperar: tentaram trepar para passarem para o outro lado para aprenderem como baixar as calças.

    Ainda lá estão, os estúpidos dos judeus, a protestar por causa do muro não deixar entrar a ajuda palestiniana.

    Aqui para nós, que ninguém nos ouve, há até quem diga que a presente arruaça se deve à insatisfação do Golias pela falta de apontaria do David às judaicas sanitas.

    Caro Nosferatu, um conselho de amigo: verifique a interligação entre os seu ouvidos e o seu cérebro, não tenha lhe tenha alguma flatulência desgovernada desligado a ficha.

    .

  18. … não lhe tenha alguma flatulência desgovernada desligado a ficha.

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