«Controlinveste anuncia despedimento colectivo de 122 trabalhadores do DN e JN»

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Este «post» chama-se «Controlinveste anuncia despedimento colectivo de 122 trabalhadores do DN e JN» e é uma espécie de pedido de desculpas a 123 pessoas.
A Controlinveste teve a sua origem na Olivedesportos, empresa fundada em 1984 por Joaquim Oliveira. Nos anos 90, começa a investir na comunicação social, através do jornal «O Jogo» e, quatro anos depois, da SportTV. Com a aquisição da Lusomundo Serviços, em 2005, passou a deter também a TSF, o Jornal de Notícias, o Diário de Notícias, o 24 Horas, o Notícias Magazine, o Notícias sábado, o Notícias Tv, o Global Notícias, o Ocasião, o Açoriano Oriental, o Jornal do Fundão, o Diário de Notícias da Madeira, a Evasões, a Volta ao Mundo, várias outras revistas distribuídas com os seus diários e uma participação accionista na Lusa, na Zon Multimédia e na PT Multimédia. Controla ainda uma parte significativa do processo de impressão, distribuição e venda das suas publicações. É proprietária da Gráfica Funchalense, em Lisboa, e da NavePrinter, no Porto; detém o controlo da VASP e da NotíciasDirect; e é dona da Loja do Jornal.
Para além da comunicação social, as suas actividades estendem-se a outros ramos: o desporto, as telecomunicações e o turismo, através da agência Cosmos.
Sem experimentar alternativas ou diminuição de custos noutras áreas, e sem pensar sequer na redução de lucros, a Controlinveste optou pela solução mais fácil, o despedimento em massa. As lágrimas que agora chora no comunicado parecem de crocodilo.
Com efeito, tudo parecia estar a correr bem para a Controlinveste. Em 2008, as vendas dos jornais do grupo aumentaram, com especial destaque para o Jornal de Notícias, que foi o generalista que mais cresceu, chegando quase aos cem mil exemplares de média diária. O próprio JN noticiou no dia 14 de Janeiro deste ano: «Cenário de quebra nos diários pagos contrariado pelo Jornal de Notícias». O 24 Horas perdeu 700 exemplares por dia entre o primeiro e o quarto trimestre, é certo, mas o Diário de Notícias ganhou quase mil.
Na área das transmissões televisivas, a Controlinveste tem lucros anuais de 150 milhões de euros. Uma margem obscena, conseguida à custa do sufoco dos clubes e do adiantamento de verbas em troca de mais anos de contrato. O último exemplo foi o FC do Porto: em meados de 2008, recebeu algumas verbas a que teria direito nos anos seguintes em troca de uma extensão de cinco anos no contrato de transmissão de jogos.
No início de 2009, precavendo o que vinha a seguir, foram contratados uma série de novos funcionários. É a que a lei não permite novas contratações nos próximos três anos.
No dia 15 de Janeiro, a Controlinveste deu início a um processo de despedimento colectivo de 122 funcionários, metade dos quais jornalistas. Uma medida que só é possível porque, com o novo Estatuto dos Jornalistas aprovado pelo Governo, o traballho de cada um pode ser partilhado por todas as publicações do grupo. Ou seja, uma determinada notícia ou reportagem pode ser publicada em vários jornais diferentes.
Sinal do crescente centralismo de Lisboa e da perda de influência do norte, de registar que muitos desses jornalistas são do Porto e que mesmo uma redacção, a do «24 Horas», fechou. Nos últimos cinco anos, mais de 180 jornalistas da cidade perderam o seu emprego em vários órgãos de comunicação social e jornais centenários, como o Comércio do Porto, desapareceram.
122 pessoas foram despedidas. Mas a Joaquim Oliveira e demais accionistas do grupo, certamente que «a evolução acentuadamente negativa do mercado dos media» não os afectará. Como disse antes, poderia ficar com menos lucros no final do ano e, assim, já não teria de despedir ninguém. Mas como diz a anedota, isso do comunismo é só para os burros, não é?

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21 respostas a «Controlinveste anuncia despedimento colectivo de 122 trabalhadores do DN e JN»

  1. Luis Moreira diz:

    Caro Ricardo, eu não o conheço mas gosto de si. De outras batalhas, sempre vivas e úteis.E adivinho-lhe uma generosidade que raramente se encontra.Este escarcéu vem de uma frase menos avisada que podia trair os seus sentimentos.Eu sei que não teve essa intenção.Mas há quem não saiba.Sabe que quem ,ou antes, para quem despede, um despedimento é uma acção de gestão como qualquer outra.Há pessoas e isso muda tudo, dir-me-á.Sim, mas não ao nível de uma decisão de gestão.Se para salvar uma empresa é necessário despedir, não resta alternativa ao gestor se não fazê-lo.Para além disso (apoios ou falta deles) é um problema social que não diz directamente respeito à empresa.É por isso, que acreditamos ambos num Estado social que apoia no desemprego e na doença.Mas não queira mal ao Oliveira porque ele só está a jogar segundo as regras do jogo!

  2. Carlos Fonseca, diz:

    Neste país, tudo é possível. Até os Oliveirinhas terem conseguido ser “grandes empresários. Todavia, no meio deste furacão, estou muito preocupado com a f.
    Penso que a tenham conservado, para bem do jornalismo português. Caso contrário, ainda vamos vê-la em candidata à Câmara Municipal de Alqueva (não existe? Inventa-se!)

  3. miguel dias diz:

    “Em 2008, as vendas dos jornais do grupo aumentaram, com especial destaque para o Jornal de Notícias, que foi o generalista que mais cresceu, chegando quase aos cem mil exemplares de média diária. O próprio JN noticiou no dia 14 de Janeiro deste ano: «Cenário de quebra nos diários pagos contrariado pelo Jornal de Notícias». O 24 Horas perdeu 700 exemplares por dia entre o primeiro e o quarto trimestre, é certo, mas o Diário de Notícias ganhou quase mil.”
    “Na área das transmissões televisivas, a Controlinveste tem lucros
    anuais de 150 milhões de euros. Uma margem obscena, conseguida à custa do sufoco dos clubes e do adiantamento de verbas em troca de mais anos de contrato.”

    A empresa portanto, precisa de ser salva.

    #1″Mas não queira mal ao Oliveira porque ele só está a jogar segundo as regras do jogo!”

    Foda-se. Três vezes foda-se.

  4. Luis Moreira diz:

    Quatro vezes foda-se mas é assim o jogo.E se você estivesse no lugar dele fazia o mesmo!

  5. Dylan diz:

    Será um problema derivado do centralismo de Lisboa ou a “chico-espertice ” dos gestores da nova vaga? O exemplo gritante vem do moribundo “O Primeiro de Janeiro”.
    Ouvi dizer que as maiores fortunas do País estão concentradas a norte…

  6. Luis Moreira diz:

    A família Oliveira é da minha terra, Penafiel.O meu pai era primo da mãe dele.Viviam de uma casa de “pasto” como se dizia lá em cima.Este Oliveira puxou pelo trabalho, numa primeira faze com o dinheiro do mano (futebolista) mas quem trabalhou que nem um galego foi este, o mais velho.Não é um filho de família a quem lhe caíram uns milhões no sapatinho, nem foi com nacionalizações, nem ao jogo, nem na bolsa,nem com negócios com o Estado!.Foi a mexer!

  7. Algarviu diz:

    O Luís fará o favor de me explicar como é que a “mexer” se chega onde o sr Joaquim chegou. É que eu também sou muito mexido e não consigo “forrar” nenhum ao fim do mês. E conheço muita gente que também se “mexe” muito e não passa da cepa torta. Explique-me sff, que uma comissão estará garantida. Prometo.

  8. Miguel Dias diz:

    Luís Moreira.
    Penafiel, rica terra.
    Portanto, o Oliveira que trabalhou que nem um mouro (ou um preto) ganhou aquilo que merecidamente ou não tinha que ganhar, e como não lhe chega o que ganhe, há que foder a vida a 123 familias.

    4 vezes foda-se.Seja. Quantas você quiser.Eu sou igual ao Oliveira. Você é igual ao Oliveira. Todos somos iguais ao Oliveira. Parafraseando o Musil ( que, como você sabe, se referia à estupidez) a filha da putice é dos bens mais bem distribuídos à face da Terra.

    Ps. Se vir o Oliveira (o mais novo ou mais velho) lá por bandas de Penafiel, diga-lhe que o Zé Felgueiras (um amigo meu, que para além de dono de uma casa de alterne aqui no Porto, negociava em wiskeis) ainda está à espera que lhe seja pago uma caixa do mesmo desde os finais dos anos 80. E que liguem a sport tv, que o velho Felgueiras gosta muito de ver a bola.

  9. Spartakus diz:

    Cumprimentos a Mr. Zeinal Bava.

    ( O mais recente terminator do gangue do avental…a cobrança está a chegar agora… )

  10. Da-se diz:

    Ó Algarviu, vai mas é trabalhar, pá.
    Eu compreendo-te: os algarvios gostam é de sol e suecas (com s).
    Quanto a ideias, nicles!
    Foda-se, como dizem os outros acima.

  11. Algarviu diz:

    Essa do “vai mas é trabalhar” é uma das frases favoritas dos labregos.
    Digo eu.
    Quanto a ideias, parece que sim, que o Joaquim Oliveira é moço de muitas e originais ideias. Tal como o seu admirador Da-se.

  12. Da-se diz:

    Já vi, não tens sentido de humor, Algarviu marafado.
    Olha, come umas alfarrobas que isso passa.
    A propósito, sou tão admirador do Oliveira que quero que ele se foda.

  13. antónimo diz:

    os números das vendas tendem a ser inflaccionados. então no dn que conta com vendas em bloco a clientes institucionais que depois os deistribuem em bomabas de gasolina e assim a coisa tem muito que s elhe diga. na banda que é bom, nem a tabloidização do marcelino impediu a queda. aliás, os despedimentos do tempo de bettencourt resendes e ribeiro ferreira levaram-me a deixar de ler o jornal de vez. aquilo perdeu a gente que por lá andava e que tinha graça. no tempo da invasão do iraque tornou-se asqueroso, com a publicação de takes do ministério da defesa. e admiram-se que tenha perdido leitores? eu cá não.

  14. Luis Moreira diz:

    É conhecida aquela cena no Mundial do México, o Joaquim Oliveira com o material da publicidade debaixo do braço e martelo na outra mão a executar o trabalho de campo.Começou do mais baixo.Foi ele que fez o negócio.Tem mérito!Agora a partir daí é o habitual, os milhões são fêmeas.

  15. antónimo diz:

    Versão legível:

    os números das vendas tendem a ser inflacionados. Como faz o dn que contabiliza as vendas em bloco aos clientes institucionais – por exemplo gasolineiras que entregam os jornal, gratuitamente, aos clientes. Na banca que é onde as vendas se decidem nem a tabloidização do marcelino impediu a queda. Aliás, os despedimentos do tempo de bettencourt resendes e ribeiro ferreira levaram-me a deixar de ler o jornal de vez. aquilo perdeu a gente que por lá andava e que tinha graça. no tempo da invasão do iraque tornou-se asqueroso, com a publicação de takes do ministério da defesa. e admiram-se que tenha perdido leitores? eu cá não.

  16. Miguel Dias diz:

    Luís assalta-me um dúvida.
    Para que raio queria o martelo para fazer trabalho de campo?

  17. Luis Moreira diz:

    Miguel, sabe o que é publicidade estática, aquela que é colocada à volta do campo para ser vista pelos presentes e filmada pelas televisões? Era isso que ele andava a fazer.Por isso lhe chamei trabalho de campo.Vergar a espinha, sem empregados.

  18. LAM diz:

    Luis Moreira, foi assim que ele começou. Com a publicidade estática nos estádios. O primeiro cliente, ao fim ao cabo quem lhe deu a mão na altura para o arranque, foi o major Valentim. A SporTv só viria uns anos mais tarde. Entretanto com a pub estática tornou muitos clubes dependentes dos seus adiantamentos. O que aliás ainda hoje acontece com a SporTv.

  19. Miguel Dias diz:

    Luís Moreira.
    Obrigado pelo esclarecimento.
    Mas permita-me o seguinte:
    Eu não tenho nada conta a ascensão do Oliveira. É um homem que trabalhou, é inteligente, teve visão e determinação para aproveitar as oportunidades que a vida lhe ofereceu. Como se costuma dizer, teve olho, e hoje tem todos os clubes de futebol agarrados pelos tomates. Enquanto eles se entretêm a discutir penalties e foras de jogo, o Oliveira embolsa 150 milhões por ano. A culpa é dele se há clubes com salários em atraso num negócio de 150 milhões? É claro que não, é dos papalvos dos dirigentes que, por um prato de lentilhas, não falam do que é realmente importante. Já reparou, o que se poderia fazer com 150 milhões na liga. Se calhar o Ronaldo ainda jogava no Sporting, e em vez de termos 2 equipas na liga dos campeões, tínhamos 4 ou 5. E se calhar o Oliveira ainda ganhava mais. Mas adiante.

    O meu ponto é só este, despedir 122 funcionários num negócio que vai de vento em popa, independentemente do que você ou eu possamos achar acerca das qualidades empresariais do Oliveira, é uma canalhice. E repare que eu também já tive de despedir pessoas no meu pequeno negócio. Acontece que o fiz porque não havia trabalho nem dinheiro.
    Havia outras opções, como reconverter as pessoas e apostar em outros negócios. E isto é que distingue um grande empresário de um especulador ganancioso : a ideia que o que mais importante é o dinheiro por si só (e, não faça confusões, que eu gosto muito de dinheiro), quando o mais importante, para mim pelo menos, é o que se pode fazer com o dinheiro.

    Voltando ao exemplo do futebol, já reparou que temos uma liga de merda, sem capacidade para competir com outras ligas. E no entanto, geramos, apesar de sermos apenas dez milhões, dos melhores jogadores do mundo, entre eles o melhor. Porquê, porque quem manda no futebol é o Oliveira. E infelizmente a inteligência do Oliveira só chega até certo ponto, não consegue perceber que se investisse ou pelos desafogasse os clubes que vivem com a corda na garganta, a liga melhorava, gerava mais dinheiro e consequentemente ele também ganhava. Aplique o mesmo raciocínio aos jornais e verá que não era necessário despedir tanta gente. Muito pelo contrário.

    Por aqui me fico que o comentário já vai longo. E tenho medo que o Ricardo me expulse se eu disser mais caralhadas. Ó carago, carago não não.

  20. Luis Ferreira diz:

    “Em 2008, as vendas dos jornais do grupo aumentaram, com especial destaque para o Jornal de Notícias, que foi o generalista que mais cresceu, chegando quase aos cem mil exemplares de média diária. O próprio JN noticiou no dia 14 de Janeiro deste ano: «Cenário de quebra nos diários pagos contrariado pelo Jornal de Notícias». O 24 Horas perdeu 700 exemplares por dia entre o primeiro e o quarto trimestre, é certo, mas o Diário de Notícias ganhou quase mil”

    E depois? Os jornais não vivem das vendas – vivem da publicidade. Num contexto de recessão, a quebra da publicidade é inevitável – e manter uma actividade deficitária é absurdo.

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