NOTAS DE MÚSICA

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Ouçam o que vos digo!

Convidaram-me para escrever neste blog. Embora honrada hesitei e adiei a decisão.
Uns minutos mais tarde convidaram-me para escrever sobre música neste blog. Aaaahhhhh… as campainhas tocaram. Aceitei sem pestanejar.
A verdade é que gosto de dar música ao pessoal, por isso sem mais contratempos vou avançar com uma revisão de 2008. Um lamiré singelo e descomprometido.

Ora, em jeito de balanço, no que toca a música, parece-me que 2008 foi um ano razoavelmente fértil e generoso.
Digo razoavelmente porque na verdade já vivi anos mais ricos em descobertas e sensações musicais. Mas isso sou eu.

2008 foi um ano em que os revivalismos se assumiram e legitimaram. Imitar os grandes com qualidade e humildade também pode ser um exercício criativo válido e até surpreendente.
Não há dúvida que os Beatles, Led Zeppelin, Black Sabbath, Doors, Sex Pistols, Stranglers, Kraftwerk, Dob Dylan, Cure, etc., etc., etc., continuam a gravitar na nossa orbita.

Os anos 80 continuam a salpicar as mentes frescas dos jovens deste tempo, desde esse tempo.
Os vapores tóxicos de finais de 60/70 começam finalmente a poluir as novas gerações de músicos.

2008 foi o ano da consagração feminina no rock.
As mulheres deixaram de ser mascotes e passaram a ser músicas com M grande, habitués com lugar cativo na cena de música contemporânea. Amén!

As modas, ou tendências, como lhe queiram chamar, desfilam ano após ano nos tops do mainstream e no submundo do underground. Nao há ouvido que escape ao ‘the next big hype’.
Mas no meio da tralha encontro sempre umas quantas pedras preciosas que quase me fazem acreditar que vale a pena estar viva.

Hoje deixo-vos com duas bandas que fizeram as delícias dos meus ouvidos em 2008, por razões completamente diferentes.
Os canadianos Duchess Says, com o seu primeiro álbum ‘Anthologie Des 3 Perchoirs’, pelo atrevimento, atitude punk guerrilha, músicas destemidas que não se sabe de onde vêm nem onde vão parar.
E os ingleses The Week that Was, com o album homónimo, mais um projecto brilhante que nasce de músicos da banda Field Music, já uma instituição.
Aparentemente inspirado na escrita de Paul Auster, este é um disco cheio de canções sublimemente arquitecturadas, bem lapidadas e polidas, com uma leve brisa nostálgica dos anos 80 que lembra David Sylvian/Sakamoto. Delicioso! Experimentem que só vos vai fazer bem.

http://www.youtube.com/watch?v=gowBExbkFZk

http://www.youtube.com/watch?v=-lE1xR15pEQ&feature=related

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