Vanguarda e Bouguereau, Bouguereau e vanguarda (a propósito da Ondina)

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Eu queria preparar-me melhor, muito melhor, mas o Nuno obriga-me a apresentar a Ondina Pires, a Ondina, agora e já. Faz bem o Nuno. Pois aqui vai. Comecemos por uma listinha: Andy Warhol, Maya Deren, Hollis Frampton, Stan Brakhage, Jack Smith (ah não conhecem o “Flaming Creatures”? Paciência!), e, os últimos serão os primeiros, Kenneth Anger. Quem são estes? São aqueles cineastas americanos que não se deixam levar pelas negociatas da malta, das salas cheias de tudo e de nada – e como são os verdadeiros inventores do cinema são copiados, e sempre mal, pelos homens da indústria (ó Spielberg, desculpa, volta para a escolinha – como sabes, o teu amigo Scorsese já disse que o Anger era um dos maiores – aprende!!). A Ondina escreveu há pouco (dissertação académica) “Percursos de Transgressão Juvenil no Discurso Fílmico de Kenneth Anger” que brevemente sairá em livro (e muita atenção a este objecto!). Além disso, além de ser a nossa maior crítica e escriba sobre o cinema visionário (categoria do grande historiador P. Adams Sitney) que referi, a Ondina é uma figura mítica do rock, tendo passado pelos Pop dell’Arte, Great Lesbian Show e Dr. Frankenstein – do bom e do melhor. Agora vive em Londres, porque sim. E ultrapassa-me em muito. Nisto, por exemplo: a Ondina compreende ao mesmo tempo o bom do Bouguereau (que aqui revela umas ninfas a brincarem) e o bom do Monet. Eu, e raramente, só sei dizer asneiras sobre o Monet. A Ondina fala dos dois. Nos anos 30, Greenberg escreveu o inflamado “Vanguarda e Kitsch”. A Ondina é das poucas pessoas que o conseguiu superar. E não digo mais.

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