O lugar natural

Quem acompanha o fenómeno futebolístico, sabe que o som da rádio chega sempre mais depressa do que as imagens da televisão.
E quem é teso o suficiente para não ter SportTV, tem de ir ver os jogos para o café e sujeitar-se. Ora, nos cafés, há sempre um palhaço que, para se mostrar mais inteligente do que os outros, vai acompanhando o jogo pela televisão e pela rádio ao mesmo tempo.
E para que não falte nada aos outros espectadores, vai dando as notícias, ouvidas na rádio, antes de elas acontecerem na televisão: «Golo!», quando ainda vemos a bola no meio-campo. «É penalty!», quando ainda nem o canto foi marcado.
Perde toda a piada. É como ver um jogo em diferido. É estar a ver uma jogada que já se sabe como vai terminar.
Hoje, no jogo da Madeira, apeteceu-me bater nesse palhaço que, quando o Lucho Gonzalez acariciava a bola, gritou «Golo» e estragou toda a emoção do momento. Mas não lhe bati. Porque não sou violento, porque era uma criança e porque os pais estavam à beira dele.
Ah, e já estamos no nosso lugar natural, não é?

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