Ravel nas favelas


A Orquestra Juvenil Simon Bolívar foi criada por iniciativa de Hugo Chávez. O conceito é simples: colocar jovens a tocar música, todo o tipo de música. O recrutamento da orquestra é feito nos bairros pobres de Caracas e obedece a um esquema também simples. Cada jovem pode aparecer tocando o que sabe: viola, guitarra, latas, instrumentos tradicionais, o que for. Depois é dado a cada um deles a formação musical completamente gratuita. Os melhores são integrados na Orquestra que até participa em festivais internacionais, de Viena a Toronto.

Há também o recrutamento feito pelos próprios jovens músicos que estudam na orquestra. Vão aos bairros pobres em busca de talentos ou simplesmente desafiando outros jovens e miúdos a integrar a escola.

Os instrumentos, de violoncelo à harpa, passando pelo violino e saxofone, são grátis. Ninguém paga um único instrumento musical! É assim que a Orquestra é formada por jovens brancos, índios, negros, mestiços que reflectem a sociedade venezuelana. É emocionante ouvi-los tocar. Pela própria emoção, dedicação e entusiasmo que transmitem. Por exemplo, como neste concerto transmitido pela BBC: orgulhosos das suas origens, os jovens vestidos com as cores da bandeira da Venezuela. E reparem na alegria e na força do maestro Gustavo Dudamel (nas foto).

Em cada concerto, além dos clássicos, como Ravel, Handel, Mozart e outros, a Orquestra Símon Bolívar faz questão de apresentar as obras de compositores latino-americanos, como o argentino Alberto Ginastera ou o mexicano Arturo Marquez.

Por Portugal, terra em que o ensino da música é um verdadeiro luxo destinado a uns poucos, já andou um dos músicos a tentar introduzir o mesmo conceito de criar uma orquestra a partir de gente que vive nos bairros mais pobres. Mas desconfio que falta o interesse e vontade.

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