Eu não sabia que um cientista tinha de “desgostar” de arte, de especulação estética e de filosofia – NÃO SABIA!

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(Uso esta imagem do Nascimento do Mundo de Courbet, pois a obra pertenceu à colecção particular de JACQUES LACAN, protagonista deste texto)

ADENDA, 22:04 : Depois desta imagem do meu querido Courbet e antes do meu arrazoado, uma nota: Miguel Vale de Almeida num texto do jugular que fazia par com o de Palmira, reforçando-o, considerava Derrida e a desconstrução como uma “freakalhada”. Não me interessa se é se não é (para mim não é!). O termo já foi substituído, vá lá saber-se porquê. A questão é que “freakalhada” seria o termo “aprovado” por Sokal, e era de Sokal que ambos partiram para os seus posts.

Deve ser por eu ser muito novo e ainda imberbe, mas fiquei agora a saber duas coisas: que um cientista que se preze, sobretudo se for um mediano divulgador, mais ou menos com pouca obra e pouco nome, deve ser – 1) anti-intelectual e 2) absolutamente desinteressado em arte e mais, numa eventual ligação entre arte e pensamento filosófico. Não sabia que isto era assim, mas a Palmira Silva (do jugular – de que outro lugar isto poderia ser proveniente?) ensinou-me hoje; repito: 1) um cientista deve ser e tem de ser anti-intelectual e 2) não deve nem pode morrer de amores pelas artes.
Para o provar, e para provar que é um cientista competente deve seguir isto à risca nem que, para tal, tenha de mentir e usar de má-fé e desonestidade. Não conhecia esta guerra (e acho que esta “guerra”, no fundo, não existe); nuns comentários que fiz a um post de Palmira, a cientista surpreende-se com o que digo, mas não com esta maravilhosa frase de um seu comentador e apoiante: Caravaggio, Rembrandt e Velázquez, juntos, não valem a invenção do vidro.
Oh Palmira, graças a Deus que não valem. A sua capacidade e gosto são estonteantes. O seu mundo, a avaliar por este comentário (assina por baixo??), é notável. Prazer o seu, ou melhor, que prazer o seu, que vida essa!

Tudo isto começa assim. Palmira Silva vai buscar um tal Sokal (que eu não fui outra vez buscar à minha estante, tão alto o coloquei) para mostrar o quanto são fraudulentas as obras de todos os pensadores das últimas décadas. TODOS !!!! TODOS !!!! Baudrillard, Virilio, Kristeva, o velho Lacan, Deleuze, Derrida, Foucault, Lyotard, Luce Irigaray, provavelmente Sartre, Benjamin, Adorno, Merleau-Ponty, precisamente porque às vezes recorrem a conceitos científicos. Nada fica de pé em Sokal e na sabedoria de Palmira Silva, já como teria sido demonstrado pelo “sociólogo” Alberto Gonçalves do “Diário de Noticias” (o António Figueira já escreveu sobre este Gonçalves, mas não me recordo em que texto – Figueira, ajuda-me se puderes).

Como eu me espantei de um “debate” de 1996, protagonizado por Sokal, imbecil esquecido desde então depois desses quinze minutos de fama, ter regressado hoje, entretanto junto a um comentador de um post de Palmira que falava em História da Arte, limitei-me a dizer que quase todos os filósofos achincalhados são importantíssimos para a análise da arte mais recente (desde pelo menos os anos 70), ou melhor, não apenas para a análise como para os produtos com que vamos deparando. Não impus uma discussão estética num post de ciência, como Palmira deturpa. O que Palmira diz é mentira, neste ponto. Limitei-me a falar para um comentário artístico ao texto de Palmira.

Esta seguinte citação de Palmira tem uma má-fé que eu não esperava encontrar numa pessoa que julgava intelectualmente honesta:

«só Palmira Silva e outros completamente ignorantes sobre filosofia, arte e estética contemporâneas para o re-celebrar! Fico a saber que de arte e estética contemporânea nada sabem.»

A citação é minha, de facto, mas vem depois de Palmira, com o sinistro e imbecil Sokal, ter gozado com o pensamento contemporâneo, sobretudo com Lacan, Derrida (e o que os comentadores de Palmira se divertiam com o que Palmira escrevia !!), Deleuze, Guattari, Virilio, Foucault ………! Lixo, tudo lixo (volta A. Gonçalves, estás perdoado!)

Para Palmira não escapa ninguém, ninguém que não pense dentro de um tubo de ensaio e não ache o vidro mais importante que Velázquez, Rembrandt e Caravaggio (já agora Miguel Ângelo, Poussin, Courbet, Delacroix, Manet, que sei eu – ó Palmira, tape os olhos que isto faz mal à ciência !).

O que eu disse foi que os filósofos gozados, e gozados porque recorrem à matemática mas no seu contexto, gozados sem humor e sem sabedoria da parte de Palmira foram (os já falecidos) e são (os activos) determinantes para a arte e a cultura, COMO PARA A POLÍTICA, contemporâneas. Disse eu ainda que Badiou, como Cavaillés, Albert Lauptman, Paul Cohen, são filósofos matemáticos (alguns só matemáticos) que sabem mais – tecnicamente – de matemática que todos os matemáticos cá do burgo juntos. Mas Palmira não se sensibilizou e, de novo com Sokal, continuou a gozar com o vácuo de Derrida, Deleuze, Foucault !!!!, todos os pensadores modernos e que desenharam os pontos cardeais das nossas vidas, para pensarmos a política, a arte e a CIÊNCIA. Bom, terei encontrado aqui um novo João Carlos Espada (ah que saudades de Sir Karl !!)?

O último gesto de desonestidade de Palmira Silva foi citar-me truncadamente, quando eu dizia: então se todos esses pensadores são ridículos, ocos e vazios, que tal eu dizer que Velázquez vale mais que toda a história da ciência ?? Disse isto como ironia, perguntando a Palmira se gostava da frase (que não tem pés nem cabeça). A Palmira, sem perceber nada nada do que eu disse, resolveu fazer um post sobre isto. Impressionante ! Impressionante ! O que eu quis dizer foi somente isto – se Derrida, Deleuze e Foucault são lixo, que tal dizer qua a história da ciência também é lixo? E Palmira levou isto a peito, como cientista, e dedicou-me um post, meus senhores, dedicou-me um post POR CAUSA DISTO !!

Ainda estou impressionado com tanta falta de senso !

A meio da sua caixa de comentários, disse-lhe: que se lixe o seu Sokal, e Palmira não percebeu! Alguém a ajuda: a perceber o que eu disse e a perceber um pouco de Derrida, Deleuze e Foucault? Alguém a ajuda? Galamba, uma mãozinha? Ou outro alguém. Por favor. Palmira Silva, com toda a consideração, espero ter sido claro, e peço-lhe ainda desculpa pela violência deste post, mas a “culpa” é do “seu” Sokal. Você está de facto a gozar, a partir de Sokal (numa polémica de 1996!), com tudo o que eu disse. Repare, você não pode dizer – quando Lacan não toca em conceitos matemáticos, é bom. Quando toca, é ridículo. Um pensador não pode ser partido como você julga. E não me diga que o seu post era sobre ciência. Isso não colhe. Era contra a filosofia especulativa, porque você, repito, não pode dizer que a filosofia é boa se não tocar na ciência, e má se tocar. Não pode! Lacan é complexo. Ora, compre introduções, Readers, faça o que entender. Não diga (mas se quiser dizer, diga) é complexo, mistura a matemática com a psicanálise, é uma fraude. Não diga, mas se quiser dizer, ou se é isso que pensa, diga. Diga.

Por exemplo, retomando um artista já antiguinho (que não é dos que mais me interessa, mas é notável em muitos aspectos), Jean Tinguely. Ele fabricava máquinas inúteis. Sokal aqui diria que Tinguely nada sabia de máquinas, de mecânica, de motores, etc. Acha que isso faz sentido? E Lacan usa a matemática a seu modo, como Tinguely usou as máquinas que construiu para os seus (não) fins. De novo, desculpe se a ofendi, não quis tal. Não quero tal. Nem pensar.

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