Uma palavrinha curta sobre a arte contemporânea israelita


Digo uma “palavrinha curta”, poque vou falar de um só autor, e, apesar disso, muito sinteticamente. Yael Bartana é uma das artistas mais interessantes de Israel, nascida em Afula em 1970, vive entre Tel Aviv e Amesterdão. Entre vídeos, filmes e instalações faz parte de uma primeiríssima linha da arte contemporânea e israelita em particular.
Na última “DOCUMENTA” de Kassel (Junho-Setembro de 2007), Bartana apresentava “Summer camp”, um vídeo de 2006. Nessa altura, Bartana acompanhou os trabalhos do ICAHD (Israeli Committee Against House Demolitions), onde palestinianos e israelitas, juntos, reconstruíam uma casa palestiniana demolida pela autoridade municipal de Jerusalém em 2005. A casa reconstruída iria ser, obviamente e de novo, demolida. Mas o trabalho artístico de Bartana aqui era interessantíssimo. Tratava-se de usar a velha ideia da propaganda sionista em torno da “construção do país” para criticar essa mesma propaganda. Porque o que Bartana filmou iria de novo ser destruído.
No filme de que aqui apresento um excerto, e com sorte apanhei no Youtube não sei como, “Mary Koszmary”, Bartana dirige um actor pedindo aos 3 000 000 de judeus que a Polónia perdeu que voltem a casa, à Polónia. Isto é, o que Bartana nos diz é que uma Polónia pura ou sem estrangeiros (em geral) para nada serve, como um Israel puro para nada serve. Três milhões de judeus fazem falta à Polónia, porque foram e seriam polacos. Não é o território ou as suas míticas implicações bíblicas que faz de nós o que somos. O que faz de nós o que somos é aquilo que construímos e onde construímos. Lição de Yael Bartana.

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