A Ascensão e traições


Um filme impressionante de Larisa Shepitko. É a história de uma traição. Dois guerrilheiros vão buscar comida e são presos pelos nazis. Um deles trai. A sequência do enforcamento é fortíssima. Há uma dimensão cristológica em toda a encenação e na apresentação do traidor. O filme, datado de 1976, ganhou o Urso de Ouro de Berlim. A sua realizadora, mulher do realizador Elem Klimov, morreu prematuramente. Não está legendado e embora o meu russo e alemão sejam inexistentes, tudo se percebe.
O filme é uma fantástica parábola sobre a traição. Quem se aguenta e quem se vai abaixo?

Muito para além do filme, a história da traição bíblica é uma questão fértil para todas as discussões: em que medida não é Judas, com a sua traição, o obreiro essencial que permite, pelo martírio, que Cristo transcenda a morte, na cabeça dos fieis?
Na literatura, há um conto de Jorge Luis Borges, em que o traidor é verdadeiramente o herói. O falso traidor é um infiltrado pelos resistentes na polícia que entrega à morte um herói que é de facto um agente da polícia. Pelo caminho, aceita o ónus da culpa, para que o verdadeiro traidor possa persistir como exemplo heróico. Tudo para que uma revolução possa aconteçer (perceberam? Não? Leiam outra vez mais devagar 🙂 )

Nota1: Tanto a história de Judas como a do herói que é um traidor foram usadas por Hugo Pratt em duas obras: uma sobre cangaceiros e uma das histórias das Célticas de Corto Maltese,

Nota 2: Pode fazer-se o download do filme aqui.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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