O Natal dos malucos

O Público perguntou a umas quantas criaturas como seria hoje uma segunda vinda de Cristo à Terra. Catarina Moreira, socióloga e membro da UMAR, respondeu da seguinte forma: «Não sou crente, mas se Jesus viesse agora, teria de assumir uma fisionomia que representasse todas as minorias. Seria mulher, negra e lésbica. Mas também podia ser um ser andrógeno, que fosse imperceptível perceber se era homem ou mulher, que esbatesse todas as diferenças de género.»
Diria mesmo mais: seria anão, maneta, filho adoptivo de um casal cigano e vítima de maus tratos na infância. Depois de crescido, este Cristo dos novos tempos nunca expulsaria os vendilhões do templo, preferindo montar ali a sua barraquinha de terapias holísticas. Só consagraria pão confeccionado com farinhas isentas de transgénicos e multiplicaria peixes com o único intuito de os devolver à Mãe Natureza. Acabaria certamente por se revoltar contra a autoridade patriarcal e fascizante do seu Pai; em vez de ser crucificado, juntar-se-ia aos apóstolos e acabaria os seus dias a tocar djambés, virar garrafas de Teobar e fumar charros no Chiado.

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