Saúdo Francisco Louçã


Depois de ter lido o que se segue de Daniel Oliveira (“Arrastão” – não é preciso link), tenho de concluir que Francisco Louçã é o seguro de vida do Bloco de Esquerda. Garantia de integridade. Sem ele já todos calculariam como aquilo iria acabar. E não preciso de dizer como. Espero sinceramente que Daniel Oliveira seja ultraminoritário no Bloco. E com isto não digo que o Bloco de Esquerda ou Louçã, neste caso, sejam adeptos da componente mais agressiva dos tumultos gregos. Mas saberia (sabe) pensar de outro modo que não apenas isto (em seguida); ou seja, pode-se ser crítico e atento sem se ser boçal :

“[Os finalistas do 12º ano israelitas que recusam o serviço militar] são, muito mais dos que por essa Europa se misturam com manifestações para escolherem a violência como arma da indignação, heróis.”

“Não é preciso ser bruxo para adivinhar que esta orgia de violência vai ter um fim político muito triste.”

“A violência política é sempre uma forma de brutalidade que aproxima quem a usa daqueles que dizem combater. A violência é sempre uma forma de bestialização humana, um sinal de estupidez, e, pior, uma forma de opressão.”

A última pérola é mesmo uma pérola.

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17 Responses to Saúdo Francisco Louçã

  1. Carlos,
    Repara que apenas atacaste o Daniel sem argumentar. Ficamos sem saber porque, na tua opinião, as declarações dele são erradas.
    Acho que ganhavamos todos se desenvolvesses o teu ponto de vista. Não vale dizer que o Daniel tb não argumentou.

  2. Carlos,

    Não linkar o que se citam aos respectivos textos é uma forma de impedir os leitores de avaliarem o que dizes. Um péssimo caminho para esta excelente ferramenta de debate. Não vejo onde tenha sido eu boçal. Tenho uma posição sobre a violência na política (eu e o Nuno já tivemos acalorados e interessantes debates sobre o assunto) que não é de hoje. Nunca, mesmo quando não concordam comigo, me chamaram boçal por isso. Mas sempre a aprender.

    Quando discuto política não ando a “contar espingardas” no meu partido. Até porque não me parece que um partido tenha nesta fase de ter uma posição sobre o que se está a passar na Grécia. Debater com as pessoas pondo no centro da discussão os partidos a que fazem parte (recordo-me de te escudares na tua condição de comunista para justificares criticas que te fiz e que só ao que escreveste eram dirigidas) é um péssimo hábito e transforma o debate político em clubite pura. Esquece o BE e debate comigo, com links para os textos que citas, se possível, e algum argumento. Por acaso até acho que argumentei no texto da tua última citação. Foi por isso mesmo que foi escrito. Porque não argumentava nos anteriores.

    Terei todo o prazer em responder, com argumentos, a argumentos teus. Mas para isso tenho de esperar que resolvas dividi-los connosco.

  3. viana diz:

    Concordo com o comentário do Nuno, e já agora com o Daniel. E não preciso de explicar porquê, porque o Daniel já o fez muito bem no seu post. A razão, suponho que há pelo menos uma razão, porque o Carlos não concorda com o Daniel, é que me está a escapar, talvez porque não sou adivinho.

  4. Sérgio Pinto diz:

    Carlos,

    Sinceramente, não consigo perceber muito bem o motivo que vê para discordar de qualquer das 3 frases do Daniel. Tal como, por outro lado, não percebo como é que alguém de Esquerda pode apoiar franjas minoritárias para quem a violência parece um fim em si mesmo. Bem, mais isto sou, que nunca percebi o conceito de ‘justiça’ que subjaz à vandalização indiscriminada. Para que fique descansado, não sou do BE, embora tenha votado nele.

  5. Carlos Vidal diz:

    Nuno, Daniel, Viana e Sérgio, inteiramento de acordo com os vossos comentários sobre ausências de links para debate e do próprio debate. Tentei superar isso no post acima, «Elogio do populismo». Está aí o essencial da minha argumentação.
    Apresento argumentos e, já agora, sinceras felicitações.
    O debate (se acharem os meus argumentos um ponto de partida) pode continuar.

  6. jpt diz:

    Pois, o que era mesmo mesmo mesmo preciso era que o Daniel se comportasse como um puto de 16 anos com falta de sexo. Caro Carlos, n sei que idade tem, mas há certas pessoas que nunca crescem. No mau sentido da frase.

  7. Carlos Vidal diz:

    Caro jpt, aos bloggers e escritores que me pediram que argumentasse sobre este assunto, já o fiz como pude e sei no post «Elogio do Populismo» (acima).
    Quanto a si, respondendo sobre se cresci ou não, a minha resposta é não. Desde que aos 11 anos militei nos jovens do Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado, sinceramente, não cresci nada!

  8. Amajecta diz:

    Para chamar radical chic a um e minoritário humanista a outro não é necessário saudar ou mesmo argumentar.

  9. Carlos Vidal diz:

    Ó alma, como sabes, mil e uma razão tu tens e terás, mas o homem, diga-se o que se disser, parece-me ser uma pequena barreira (de impedimento) para que a maior parte daquilo não desague num PS, tipo MES.

  10. Pingback: Saúdo Francisco Louçã : europa

  11. o sátiro diz:

    mas isto não é fazer do FL um d.sebastião, um salvador da pátria, culto da personalidade tipo estalinista? (há dias, numa entrevista de FL na A1, este estava sempre a refrear a euforia patética do locutor…). É k é mais do k óbvio k o BE vive e cresce pq tem permanentes megafones nos media (até na R.R….)

  12. Carlos Vidal diz:

    Sátiro, posso explicar melhor esta alusão a FL. Prezo-o como barreira entre o BE e o PS, quer dizer, ele sustém as tentações daquilo desaguar em massa no PS (como o antigo MES). Ora se o BE desaguasse em massa no PS, seria um desastre para mim que não considero o PS um partido ou movimento nem de esquerda nem programaticamente próximo (nem um “milímetro dos mais pequenos”) do que eu desejo para a vida colectiva. Se parte do BE desaguasse no PS, este engordaria uns 5 a 8%, e isso faria daquela coisa do Armando Vara, Sócrates e Coelho uma espécie de partido mexicano para a eternidade.

  13. Amajecta diz:

    Essa tendência para os ídolos e para a idolatria quer significar para além de um doce pacifismo que o conclave da solidez permite a construção de uma identidade colectiva para secar os desaguantes em delta no partido para eternidade.
    Não é isso um formalismo abstracto do conjunto vazio?
    Não se desfez no ar o tal milhão e duzentos do presidente poeta no próprio dia dos votos?
    Não estás tu, o conclave e o ídolo que saúdas a prestar um enorme serviço ao partido da eternidade? Rush.

  14. Carlos Vidal diz:

    Isto é táctica pura e irreflectida (irreflectida no sentido em que não estou a pensar no facto de, aquilo que vier, ser ou não uma “boa alternativa”): tudo o que impedir o PS de crescer e governar é bom ! Alegre, Louçã, Marisa Cruz, Luca Cambiasso, Luca Paccioli, Savonarola, Torquemada, etc, etc.
    De resto, sinceramente, sinceramente, o meu único ídolo era o coveiro da terra dos meus avós – nem um único minuto de sobriedade ou lucidez durante as 24h do dia.

  15. Neste caso concreto, e ao contrário do que é costume, não concordo muito com as opiniões do Daniel Oliveira.
    Por uma simples razão. Porque há alturas em que as manifestações radicais e a violência são a única forma minimamente eficaz de chamar a atenção. De ter voz. De lutar, ainda assim em posição minoritária, contra aqueles que têm o poder, o dinheiro, a voz, as armas, tudo. Numa palavra, o inimigo.
    Lamento, claro, os exageros e, sobretudo, aqueles que são apanhados no meio e que não têm culpa nenhuma. São os danos colaterais de uma guerra, começada, relembre-se, pelo Estado, que matou a sangue frio um rapaz que se manifestava sem violência.
    Como há alguns anos em Paris, quando milhares de carros foram incendiados por jovens negros vindos dos subúrbios. Jovens franceses, relembre-se. Quem é que criou aquela sociedade? Quem é que os colocou num «gueto»? Quem é que semeou os ventos da revolta? E a culpa é de quem?

  16. Almajecta diz:

    Ainda assim um ídolo, falemos então da Paleta e do Mundo.

  17. Carlos Vidal diz:

    Caro Alma, um ídolo, quem? O coveiro de C. ?
    Conheci-o bem, um génio. Nem um minuto de lucidez, que digo eu, nem um segundo de lucidez !

    E preciso de um bom exemplar da Paleta e o Mundo.

    Naqueles nossos amigos da Calçada do Combro onde arranjamos os livros do mestre Aldemira ?

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