Terceiro mundo já ao lado

A livraria favorita de quase toda a gente:

– obriga os funcionários a trabalharem sete dias por semana;

– proibe baixas médicas e penaliza os funcionários que ficarem doentes;

– impõe objectivos irrealistas (embalar 140 X-Box em 60 minutos);

– usa trabalho temporário;

– impõe controlos às idas à casa-de-balho;

– usa câmaras para vigiar os funcionários;

– paga mais 60 cêntimos do que o salário mínimo à hora.

Fonte: The Times

Felizmente, estou certo que os blogues liberais estão disponíveis para nos explicar que os funcionários da Amazon trabalham para a empresa de livre vontade e estão integrados num modelo de negócio que a maioria dos clientes aprovam com o seu dinheiro. Ou seja, os fornecedores vendem os seus livros (a margens mínimas), a Amazon lucra (muito), os seus funcionários sobrevivem (a custo), os clientes têm os seus livros a preços (que acham) baratos.

O mundo é belo.

Via Blogtailors

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14 Responses to Terceiro mundo já ao lado

  1. Jorge, ambos os links apontam para o Blasfémias. Suponho que um deles fosse para o Insurgente ou o 31 da Armada, ou o Atlântico ou algo do género, não?

    Já agora, em abono da verdade, os empregados estão lá de livre vontade. Ninguém os obriga. Por onde poderias ir é pelo lado da dignidade e condições no trabalho. Também vais, mas aquela parte da livre vontade estraga um pouco o post.

  2. Sagitário diz:

    “Felizmente, estou certo que os blogues liberais estão disponíveis para nos explicar que os funcionários da Amazon trabalham para a empresa de livre vontade e estão integrados num modelo de negócio que a maioria dos clientes aprovam com o seu dinheiro.”

    Pode crer que é mesmo assim, Jorge. Se os funcionários não querem, fechem a porta da empresa, façam greve, escrevam aos membros do Parlamento, filiem-se no equivalente ao BE lá no país deles ou outra coisa qualquer. O que é que isso tem a ver com liberalismo?

    Claro que depois andam com uma mão à frente e outra atrás, mas descansem que o problema não é deles, é da sociedade de consumo e dos porcos capitalistas, mais o Bush e o Blair e o Brown, esses fascistas camuflados.

    Vocês andam a precisar de uma cura…

  3. jcd diz:

    Esqueceu-se de dizer que é só nestes dias pré-Natal e que ganham 61 euros por cada turno de 8 horas. Dá 1340 euros por mês, antes dos turnos extra e dos fins-de-semana. Nada mau, para um trabalho indiferenciado.

    Os meus pais fizeram o mesmo toda a vida. Dezembro, até 24, eram 7 dias por semana, 18 horas por dia. E nos últimos meses, nem sei bem quantos dias já trabalhei até às tantas nem quantos Domingos foram gastos em trabalho. É uma situação temporária que deve terminar em Janeiro.

    Na pastelaria ao pé da minha casa, também vão fazer o mesmo, a partir de agora. Por causa dos bolos-rei. Os empregados nunca se queixaram, até gostam do pilim extra. Só os sindicalistas é que se incomodam porque nunca gostaram de trabalho.

    Já agora, o homem que limpa as áreas comuns do prédio onde vivo, tem 3 empregos. Trabalha à noite num parque de estacionamento, de manhã num quiosque de jornais e ainda arranja tempo para limpar as escadas de meia dúzia de casas. Aos fins-de-semana, de Verão, trabalha numa piscina. O que é que devemos fazer a um tipo destes? Prendê-lo?

  4. JDC diz:

    Formem um sindicato e contratem o Mário Nogueira que ele resolve os problemas todos!

  5. jcd: «Os meus pais fizeram o mesmo toda a vida». Recue ao tempo dos seus heptavós ou coisa que lhe valha e ainda vai ver que se calhar trabalhavam as tais 18 ou 20 horas por dia toda a sua vida, sem qualquer tipo de férias (sem compreender sequer o conceito). Mais, até diria que ganhavam (ganhar dinheiro?, que ideia espatafúrdia) muito menos. E que as condições eram bem piores (nem tomavam banho, arriscaria).

    Suponho que são essas as condições de que gostaria.

    Quanto ao tal homem de que fala, nada se deve fazer com isso. Se ele o quer, força. Suponho, no entanto, que ninguém lhe vigie os movimentos com uma câmara, que ele não precise de pedir licença para ir à casa de banho, que possa ficar doente sem correr o risco de ficar permanentemente sem o emprego e que tenha tempo para esses trabalhos todos porque não lhe dizem que tem que cumprir obrigatoriamente turnos extra para poder manter os empregos.

  6. Sagitário diz:

    JCD: “Só os sindicalistas é que se incomodam porque nunca gostaram de trabalho.”

    Nem mais!

  7. GL diz:

    A Amazon é estúpida. Devia deslocar a unidade de embalagens de natal para a China, que já ninguém reclamava de nada.

  8. grim diz:

    As condições laborais impostas pela Amazon são de há muito conhecidas.
    Da minha parte, fiz o que se me impunha: nunca mais fiz nenhuma encomenda lá.
    A Abebooks funciona muito bem, e espero que assim continue, apesar de ter sido adquirida pela tal bête honnie…

  9. Jorge Palinhos diz:

    jcd:
    “Esqueceu-se de dizer que é só nestes dias pré-Natal e que ganham 61 euros por cada turno de 8 horas. Dá 1340 euros por mês, antes dos turnos extra e dos fins-de-semana. Nada mau, para um trabalho indiferenciado.”

    1340 euros não é mau? Em Inglaterra, onde o custo de vida é três vezes superior ao de Portugal?

    “Os meus pais fizeram o mesmo toda a vida.”

    E também devem ter passado a vida a tomar banho uma vez por semana. Vamos continuar a fazer o mesmo?

    “E nos últimos meses, nem sei bem quantos dias já trabalhei até às tantas nem quantos Domingos foram gastos em trabalho. É uma situação temporária que deve terminar em Janeiro.”

    E recebes o salário mínimo por isso? Fiscalizam a tua produtividade à hora? Tens de pedir licença para fazer chichi?

    “Na pastelaria ao pé da minha casa, também vão fazer o mesmo, a partir de agora. Por causa dos bolos-rei. Os empregados nunca se queixaram, até gostam do pilim extra.”

    Caso não tenhas reparado, aquilo não são empregados a fazer horas extraordinárias e a receber por isso. São empregados temporários a quem pagam o salário mínimo, vigiam com câmaras e controlam as idas à casa-de-banho. Há câmaras de vídeo na pastelaria ao pé de tua casa para vigiar os funcionários?

    “Já agora, o homem que limpa as áreas comuns do prédio onde vivo, tem 3 empregos. Trabalha à noite num parque de estacionamento, de manhã num quiosque de jornais e ainda arranja tempo para limpar as escadas de meia dúzia de casas.”

    Ou seja, em nenhum desses empregos trabalha 7 dias por semana e por isso pode conciliar vários empregos, coisa que nenhum dos temporários da Amazon consegue devido ao regime que lhes impõem.

    Por favor, um mínimo de honestidade intelectual nos argumentos.

  10. Luis Moreira diz:

    Há sempre alguem pronto a aceitar um ordenado mais baixo! João Miranda, Blasfémias, como contribuição teórica para o equilíbrio dos preços,do ajuste da oferta e da procura e de uma política de distribuição tendente a uma melhor rentabilidade per capita! Alegria no trabalho!

  11. Jorge Palinhos diz:

    Joao Andre
    “Jorge, ambos os links apontam para o Blasfémias. Suponho que um deles fosse para o Insurgente ou o 31 da Armada, ou o Atlântico ou algo do género, não?”

    Já corrigi, obrigado.

    “Já agora, em abono da verdade, os empregados estão lá de livre vontade. Ninguém os obriga. ”

    Ninguém os obriga? É verdade. Mas se estão lá é porque é a melhor alternativa que o sistema económico lhes dá. Isso está certo?

  12. GL diz:

    Mas espere aí, você está preocupado e ainda faz um post a reclamar das condições de trabalho de uns putos em Londres, em trabalho sazonal?

    O que é que interessa as condições de trabalho em Inglaterra, a 4ª ou 5ª maior economia do planeta? Meu, os gajos ganham em Libras. Tá tudo cheio de dinheiro. Caga nisso, tantos problemas em Portugal…

  13. Y o gajo da IKEA é Nazi!

  14. A. Laurens diz:

    Afinal o que é que está errado, os salários mirrados ou o custo de vida?

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