Ora deixem-me cá ver ……………….

burden2

Em 1971, o artista Chris Burden realiza uma das acções mais radicais da arte performativa dessa década. Na Galeria F Space de Santa Ana (California) faz-se alvejar por um colaborador. Daí resultou simplesmente a obra “Shoot”.
Ora deixem-me cá ver: de acordo com o avisado “saber” de Filipe Moura, sempre preocupado com os fundos públicos aplicados na arte, esta performance seria subsidiável??

E financiaria Filipe Moura, suponhamos se Secretário de Estado de qualquer coisa, o tratamento que o artista necessitou?? Algum leitor sabe responder? (A questão não se dirige a F Moura)

burden3

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

14 Responses to Ora deixem-me cá ver ……………….

  1. Você realmente finge não perceber oq ue diz o Filipe. Concorde-se ou não com o que ele diz, ele não finge saber de artes. Fosse ou não da opinião que esta obra fosse subsidiada, o Filipe não tentaria ser a pessoa a decidir o assunto. Tal como o Carlos, estou em crer, não tentaria decidir sobre os subsídios a atribuir à ciência, certo?

    Mas o Carlos Vidal, que é supostamente professor de artes, que coloca tanta arte aqui no blogue (salutar meu caro, salutar) pode explicar qual o interesse estético nesta obra? É que muito pouca gente nascerá ensinada (eu diria ninguém, mas na verdade não conheço o Carlos Vidal de lado nenhum) e, mesmo podendo alguém possuir a sensibilidade estética para entender a obra, a pessoa em causa poderá ter que ser ajudada a chegar lá.

    Seja lá um bocadinho didáctico, meu caro.

  2. LA-C diz:

    Filipe Moura apela ao bom senso, Rainha constrói pontes e Vidal põe-se aos tiros.
    Muito interessante. Por favor, não acabem esta conversa. Não só é muito divertida como é, também, muito instrutiva. À vossa custa já aprendi bastante sobre o que é arte e qual o papel do artista na sociedade.

  3. Luis Rainha diz:

    Se fosse eu a decidir, não apoiaria esta peça nem permitiria que ela fosse encenada num espaço à minha guarda. Por muito políica/anti-vietname/ antiqualquercoisa que fosse, parece-me coisa gratuita e estridulamente óbvia.
    Quanto ao tratamento, julgo que o nosso quadro legal levaria a que o artista tivesse de pagar as despesas do hospital que lhe remendasse o braço.
    Quanto ao Filipe, não me parece que a reclamação dele seja com a história dos subsídios. É um tiro ao lado.

  4. Pedro diz:

    Há uma história que se conta em Coimbra há anos, não sei se lenda urbana, que conta que uma vez um tipo brincalhão encostou um bengaleiro a uma parede de uma sala em que havia uma exposição de arte, colocou-lhe um rótulo a dizer “bengaleiro” e que a peça foi a mais apreciada da exposição, tendo merecido imensos elogios. A arte é cada vez mais aquilo que alguém entende designar por arte. Um gajo a atingir outro é arte? Se o Carlos Vidal diz que é, então é. A arte é cada vez mais do domínio da linguagem escrita e atentas as infinitas potencialidades criativas da linguagem escrita, anything goes. Deve essa coisa ter subsídio do Estado? Eu acho que não, porque a coisa é imbecil. É que tem que haver critérios e alguém que diga que não porque o objecto é imbecil. De qualquer maneira, os subsídios são sempre discutíveis, seja para financiar uma rotunda, seja para uma obra de arte ou um artista.

  5. Pingback: arte » Blog Archive » Ora deixem-me cá ver ……………….

  6. Esta polémica com o Filipe Moura lembra-me um estudante de doutoramento que gostava de anunciar que não lia livros (para além dos relativos ao seu objecto de estudo) pois tudo o que precisava de saber encontrava na televisão.

    Uma senhora da limpeza que ouvia a conversa atirou-lhe, indignada, que ‘fazia ele muito bem pois os livros são para quem tem prazer em lê-los e não para quem duvida deles’.

  7. PJMODM diz:

    Nesta polémica, em que mais do que desencontro de opiniões parece-me prevalecer o sentimento de antipatia entre os interlocutores, eu que até estou de acordo com algumas das asserções do Carlos Vidal (embora nem todas sejam desmentidas pelo Filipe Moura como ele também já se esforçou em explicar), acho que este post é um completo tiro ao lado.
    Acrescente-se sobre o móbil dos posts, uma subdivisão com alguma importância a arte não tem de ser democrática, como todos concordam, outra coisa é o funcionamento de organismos estaduais numa democracia, os quais qunado atribuem subsídios a artistas, cientistas ou banqueiros devem ser sujeitos a controlos e escrutínios inseridos na organização política-democrática do Estado (o que não implica, sublinhe-se, um controlo político do mérito científico ou artístico, mas dos procedimentos e até de opções globais de utilização dos recursos públicos) .
    Essa circunstância não implica, por outro lado, que a atribuição do epíteto de arte seja ontológica (cuja revelação está no poder de alguns alquimistas). Daí a peculiariedade do exemplo, do que trata o mesmo é de um evento susceptível de descrição: um indivíduo pediu a outro para lhe dar um tiro procedendo ao registo do facto. O Carlos Vidal acha que é arte, eu respeitando a sua opinião acho que não o será (independentemente do sentido do acto e do registo pretendido pelo “artista”), mas daqui não vem mal ao mundo (por ex. também não me parece que a imolação do estudante em Praga em 1968 fosse arte mas sim um acto político, com uma importância, para mim, muito superior à maior parte das obras de arte da época).
    Mas o Carlos Vidal coloca a pergunta sobre o financiamento pelo Estado do tratamento da ferida, o que não tem nada a ver com arte, a não ser que a concepção de arte e democracia afinal se confundam e se entenda que umas autoridades iluminadas podem definir o que é arte e determinar que o Estado tem de financiar tudo aquilo que se relaciona com a dita produção artística…
    Também tem a ver com democracia o facto de instituições privadas não serem sujeitas aos mesmos constrangimentos que as públicas no financiamento da arte (ou da ciência).

    PS Com este comentário não tomo partido na discussão desenvolvida no 5 dias, até porque me parece mais interessante um tipo oposto de trocas de argumentos, as polémicas sobre arte e ciência em que a efectiva diferença de opiniões se combina com a empatia entre os interlocutores.

  8. Carlos Vidal diz:

    Luís Rainha, acho que o Filipe Moura tem recorrentemente feito alusão ao dinheiro dos contribuintes (sic) e às responsabilidades que daí advêm, nomeadamente para os artistas que o recebem.

    Vejo que é mais ou menos consensual, pelos comentários, que esse dinheiro não devia ir para performances como esta do Chris Burden.
    Não há nenhum tiro ao lado do alvo. Há apenas um tema e total liberdade de resposta. E as coisas encaixam.

  9. Francisco diz:

    A “questão” estava definitivamente(?) resolvida se o atirador não tivesse “falhado a pontaria” e tivesse acertado mesmo no meio da testa do Burden.

    O que não se teria falado dessa “performance”, hem ?

    Seria considerada “uma obra definitiva” e senão “uma obra prima” …consensualmente “a obra última” do Chris Burden.

  10. mitomano diz:

    tiros, comandos, testosterona, uma confusão.

  11. Carlos Vidal diz:

    mitomano, gostei do seu último comentário. Seria uma performance interessante, e, quem sabe, poderia ser “arte”.

    Francisco, não percebo a raiva contra o Chris Burden. Tem uma obra extensa que não se limita a esta performance espectacular. Mas posso esclarecer-lhe que houve artistas do pós-II Guerra que faleceram na realização de suas obras. Um, é um nome de primeira importância para mim: Bas Jan Ader, perdido no meio do oceano numa “viagem ao desconhecido”. A sua obra vídeo que resta é magnífica e nem sequer é violenta.
    O outro, é um nome importante, mas prefiro Jan Ader: é Rudolph Schwarzkogler, e ligou-se a uma corrente particularmente violenta de artistas vienenses: os “Accionistas”. Conheço-os bem, mas não tenho aqui espaço para dizer muito mais. Só acrescentaria que as suas mortes não aumenta a valorização das suas obras. São apenas pormenores.
    Nestes casos, a obra é a obra, a vida é a vida. O caso de Burden é mais interessante – ele calculou todas as formas para não morrer. É como a dialéctica senhor/escravo em Hegel: O senhor não teme a morte, mas não a provoca. Logo, a verdade do senhor é o escravo (não é hegelianos???).

  12. luis naves diz:

    Na China, o Estado paga a bala. É subsídio.

  13. Não!
    Y se fosse Galerista tb não!
    Y se fosse coleccionadora tb não!

  14. Hummmmmmmmm Y o jovem tem cara de Puto-em-estado-de-estupidez …

Os comentários estão fechados.