“PCP e BE vão perder pau e bola”

Muita gente se queixa da marginalização a que o Bloco de Esquerda e, sobretudo, o PCP são votados. De o PS não contar com estes partidos para parceiros de governo. Admitindo tal como verdadeiro, será que a culpa é mesmo do PS? Sobre este assunto, e a propósito do recente Fórum das Esquerdas, aqui fica a maior parte de um artigo certeiro de Raposo Antunes no Público de hoje.

Este aparente estado de graça que vivem o Bloco de Esquerda e o PCP – fruto da contestação social de que é alvo o Governo por falta de políticas de esquerda, mas, sobretudo, por parte das corporações (professores, médicos, magistrados, etc.) – pode ser, na verdade, uma faca de dois gumes.
Nem BE nem PCP dão sinais de poderem corporizar um apoio pós-eleitoral ao PS se este não atingir a maioria absoluta nas legislativas do próximo ano. A “ética” do PCP não permite esse hipotético acordo. Se o permitisse, seria seguramente mais fiável como parceiro do que o BE. Mas não pode. Ponto final.
O Bloco de Esquerda ainda não é seguramente um bloco – é antes uma soma de personalidades, umas mais afastadas do que outras da extrema-esquerda estalinista e trotskista que se exibiu no pós-25 de Abril. Há quem tenha vontade no BE de vir a ser parceiro do PS (o caso Sá Fernandes é exemplar), mas muitos preferem cultivar esse lado de esquerda alegre. Outros temem que o PCP possa explorar eleitoralmente no futuro a perda da marca irreverente do BE.
É por isso que nem o PCP nem o BE têm condições para vir a ser aliados dos socialistas. E se não o são agora, quando estão em alta, quando o serão? Provavelmente, nunca. E sabe-se como ser poder atrai ou repele imprevisivelmente os eleitores. Assim, não só o BE e o PCP podem estar votados a ficarem eternamente na margem do poder, como podem também estar a contribuir para encostar o PS aos sectores colocados à sua direita, cavando um fosso inultrapassável. Ou seja, bloquistas e comunistas perderiam pau e bola. Mesmo que Manuel Alegre se exponha a protagonizar mais algum papel ingrato.

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15 Responses to “PCP e BE vão perder pau e bola”

  1. Nuspirit diz:

    É triste, mas a verdade é que se percebe bem que o PS encontra mais afinidades no CDS , do que no BE ou PCP. Foi o PS que se enviesou mais para a eireita? Ou não terá sido antes o facto de o PCP e o BE se radicalizaram mais à esquerda? Eu sei, a resposta depende do ponto onde o observador se encontra. Mas uma coisa é certa: esta frente da esquerda, que ora se reuniu no fim-de- semana, em circunstância alguma aceitaria integrar um governo!! Ou seja, eles falam, falam, falam, mas na hora da verdade, está quieto!!. Não passam de uns cagões!

  2. António Figueira diz:

    Filipe,
    Dentro do género sofisticado que pelos vistos preferes, eu acho que ganharias em seleccionar antes as opiniões do Prof. MRS; são igualzinhas às expressas no “certeiro” artigo que aqui reproduzes de Raposo Antunes – e poupam-nos o trabalho de descobrir quem ele é.
    Abraço, AF

  3. Há muito tempo que não via um comentário tão pouco informado. A análise sobre o Bloco é patética. Ele nem sabe que o Sá Fernandes nunca foi do Bloco.

  4. viana diz:

    Concordo com o NRA. O artigo do Público é patético como análise política, e mentiroso (ou ignorante) nos “factos” que apresenta. Exemplos: a redução da contestação à política do governo a uma questão corporativa, mas quanto à política de saúde quem veio para a rua foram populações (locais), e quanto à política laboral quem veio para a rua (200 mil na manif da CGTP) foram trabalhadores de todos os sectores (será que constituem uma corporação?!…).

    Quanto à questão dum eventual apoio pós-eleitoral do PCP ou BE ao PS, é óbvio que tal depende de quanto o PS estiver disponível para alterar as suas políticas actuais. Diria que se fôr suficientemente longe, quer o BE quer o PCP até estariam dispostos a engolir o Sócrates.

    “O Bloco de Esquerda ainda não é seguramente um bloco – é antes uma soma de personalidades, umas mais afastadas do que outras da extrema-esquerda estalinista e trotskista que se exibiu no pós-25 de Abril.”

    Afirmar que na fundação do BE estiveram correntes estalinistas é ser completamente ignorante da exacta razão porque quem esteve na fundação do BE não estava no PCP.

    “Há quem tenha vontade no BE de vir a ser parceiro do PS (o caso Sá Fernandes é exemplar), mas muitos preferem cultivar esse lado de esquerda alegre.”

    Ufa! Uma mentira (não acredito que o Raposo seja ignorante ao ponto de não saber que JSF não é membro do BE) e uma chalaça numa só frase. Nada mau, para quem suponho que se acha comentador “independente”!

    “Outros temem que o PCP possa explorar eleitoralmente no futuro a perda da marca irreverente do BE.”

    Ah, ah, ah! Esta foi boa! O PCP é um partido intrinsecamente conservador, que acha que o BE “distrai-se demasiado” com questões não tão sérias quanto as económico-sociais. Não há partido menos “irreverente” em Portugal que o PCP.

    “É por isso que nem o PCP nem o BE têm condições para vir a ser aliados dos socialistas. E se não o são agora, quando estão em alta, quando o serão? Provavelmente, nunca.”

    Tão idiota… O Raposo não sabe que o BE esteve bem perto de apoiar o 2o governo de Guterres, quando tinha apenas…. 2 deputados. Uma coligação faz-se por necessidade e havendo convergência, independentemente do número de deputados relativos.

    “Assim, não só o BE e o PCP podem estar votados a ficarem eternamente na margem do poder, como podem também estar a contribuir para encostar o PS aos sectores colocados à sua direita, cavando um fosso inultrapassável.”

    Vejamos esta lógica… o PS perde votos à Esquerda e portanto… vira à Direita. Excelente! Será que Raposo afinal é um submarino de Esquerda dentro do PS? É que não há estratégia melhor para afundar o PS a médio prazo do que movê-lo ainda mais para a Direita, perdendo a sua base histórica, os seus eleitores mais fiéis. Passa depois a confiar essencialmente nos votos intrinsecamente volúveis do eleitorado flutuante ao Centro. Uma excelente receita para acabar bem esmagadinho no meio à la SPD.

  5. Luis Moreira diz:

    Isso é o desejo do Raposo.A curto prazo não há saída se não com o reajustamento partidário.Tirar a maioria ao PS e retitar a “falsa” alternativa do centrão.

  6. Pois olha, Nuno, “uma soma de personalidades, umas mais afastadas do que outras da extrema-esquerda estalinista e trotskista que se exibiu no pós-25 de Abril”: é exactamente assim, sem tirar nem pôr, que eu vejo o BE.
    Por outro lado acho que o artigo é, de facto, certeiro quando afirma que o PCP seria um parceiro de coligação muito mais credível que o BE. Um partido autêntico é muito mais fiável que um clube de personalidades que põem os umbigos à frente de tudo. Vê-se agora no caso Sá Fernandes – compara com os doze anos de poder partilhado PS-PCP. Com o BE durou pouco mais que um ano.
    O PCP não quer chegar-se ao poder porque sabe que se isso acontecer sucede-lhe como o PCF ou o PCE. Talvez tenham razão. É uma pena. É mesmo uma pena.

  7. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Filipe,
    A maioria dos dirigentes do BE não existiam no tempo do pós-25 de Abril como adultos. O facto de tu veres o BE assim, não o torna como tu vês. É bastante óbvio que o BE tem outro tipo de eleitorado e de aceitação que os meros partidos que lhe deram origem. Basta ver a composição social do seu eleitorado e a sua distribuição etária. As tuas embirrações são estimáveis, mas não correspondem a um estudo sério dos apoiantes e votantes do BE.
    O resto do artigo que citas também é bastante discutível. O problema não é o BE ou o PCP, é mesmo o PS. Não há nenhuma garantia que essas alianças alterassem as políticas do governo.

  8. “O artigo do Público é patético como análise política, e mentiroso (ou ignorante) nos “factos” que apresenta.”

    Viana, Viana, já tinha saudades (a sério) de te ler por aqui e mais esse teu estilo “frontal”.

    “quanto à política de saúde quem veio para a rua foram populações (locais)”

    Vieram mal. Perdeu-se um excelente ministro.

    “Afirmar que na fundação do BE estiveram correntes estalinistas é ser completamente ignorante da exacta razão porque quem esteve na fundação do BE não estava no PCP.”

    Viana, ignorar a matriz estalinista da UDP é isso mesmo: ser ignorante (da UDP). Por outro lado o artigo refere (e bem) “extrema esquerda” (estalinista e trotsquista). Se há coisa que o PCP nunca foi foi “extrema esquerda”. Isto parece uma discussão que eu tive há uns anos com o Insurgente. Esperava essa confusão (entre PCP e extrema esquerda) por parte do Insurgente, não de ti.

    “Ufa! Uma mentira (não acredito que o Raposo seja ignorante ao ponto de não saber que JSF não é membro do BE)”

    O que o articulista diz é que este caso é exemplificativo de como o BE se dá mal com o poder. O vereador eleito pelo BE aceitou (com a concordância do BE) partilhar o poder com o PS. Em lugar nenhum se diz que esse vereador é ou foi militante do BE (esta vale para ti também, Nuno). Tu taxas logo o articulista de… mentiroso! Isto é que é a tal “frontalidade”! (Tu és assim na vida real?)

    “Não há partido menos “irreverente” em Portugal que o PCP.”

    Justamente, Viana. O que o articulista diz é que se o BE perde a sua irreverência, para uma boa parte do eleitorado (pouco interessada em saber se a Coreia do Norte é uma democracia ou não) deixa de se distinguir do PCP – e esse eleitorado preferirá o PCP. Lê bem.

    A partir daqui, sim, concordo contigo. Nomeadamente com

    “É que não há estratégia melhor para afundar o PS a médio prazo do que movê-lo ainda mais para a Direita, perdendo a sua base histórica, os seus eleitores mais fiéis.”

    Mas não é mover o PS para a direita que o articulista quer, não achas?

    Aparece sempre aqui. Um dia passo aí no Centro de Astrofísica e tomamos um café.

  9. “O problema não é o BE ou o PCP, é mesmo o PS.”

    Enquanto andarmos a discutir isto, Nuno, não vamos a lado nenhum. Que gente ranzinza e rancorosa!

    “Não há nenhuma garantia que essas alianças alterassem as políticas do governo.”

    Homem, as bolsas estão a cair… Hoje em dia não há garantias, Nuno! Tu ainda vives na ilusão das garantias. Quando te metes numa aliança eleitoral (como num contrato de trabalho ou um casamento daqueles que eu gosto) tens que ter objectivos comuns, mas tens que confiar no(s) teu(s) parceiro(s). A vida ensinou-me a desconfiar de quem me dá garantias. Prefiro quem me olha na cara e diz que estou entregue a mim.

  10. Sérgio Pinto diz:

    Filipe,

    Acho no mínimo curioso que se considere “mais fiável” um partido que tem como modelos países paradisíacos como a Coreia do Norte, China ou Cuba. Poder-se-á dizer que o PCP é mais estável em termos ideológicos, mas parece-me que isso se deve mais ao facto de continuarem parados no tempo e agarrados a um mundo que já não existe há décadas, esmagando qualquer dissidência interna. Confesso que não percebo como é que este ‘comportamento político’ pode ser apreciado ou elogiado.

    Depois, como o Nuno Ramos de Almeida já referiu, não podes abordar esta questão sem considerar o próprio PS, particularmente sendo dominado pela corrente socrática. Ora, tendo o Sócrates posições tão diferentes das do BE, de admirar seria que uma aliança fosse equacionável. Fosse este PS digno do “S” que transporta, ou estivéssemos na época Ferro Rodrigues/Paulo Pedroso e, se calhar, outro galo cantaria.

    O episódio do Sá Fernandes é grave, sem dúvida, e evidencia que certas são marcadamente avessas ao poder, mas não demonstra que essas sejam maioritárias ou que prevalecessem caso houvesse hipóteses realistas de acordos governativos com o PS (aliás, sobre todo esse episódio, o Daniel Oliveira escreveu um muito bom artigo no Arrastão que me parece focar os pontos essenciais – http://arrastao.org/sem-categoria/ninguem-fica-bem-na-fotografia/).

    P.S. O BE, estalinista?! Onde é que já estaria a Joana Amaral Dias, se assim fosse?!

  11. Sérgio, eu não disse que apreciava ou elogiava as referências políticas internacionais do PCP. Apenas disse que o achava um partido “fiável”, que cumpre os seus compromissos. Só isso. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. O Hitler era bastante fiável: matou todos os judeus que pôde. A fiabilidade não faz de uma pessoa ou um grupo bons, mas é uma condição essencial para participar num governo.

    O Nuno parece julgar que os problemas vêm só do PS, e passa por cima dos problemas do PCP e do Bloco. O Daniel diz que “ninguém fica bem na fotografia” (a propósito do Sá Fernandes). Eu digo isso a propósito da esquerda em geral. Compreendido? Não é só o PS. Bloco e PCP nunca fizeram um esforço sério de convergência.

    Não disse que o BE era estalinista: disse que há correntes estalinistas no BE, diluídas entre muitas outras. Ao contrário de ti eu julgo que o episódio do Sá Fernandes demonstra que as correntes avessas ao poder são maioritárias.

  12. Sérgio Pinto diz:

    Filipe, concordo consideravelmente mais com o que escreveste agora.

    No entanto, parece-me que fazes uma extrapolação arriscada em relação à fiabilidade do PCP:
    – primeiro, uma gestão camarária é consideravelmente diferente e mais limitada que a gestão de um país;
    – depois, o PCP tem claramente tendências mais totalitárias e inflexíveis que o BE, que se vêem perfeitamente na forma de lidar com dissidências internas e com a imposição de um pensamento único, o que torna difícil compreender como poderiam fazer qualquer concessão a nível de governo, em vez de pretender terraplanar quaisquer opiniões contrárias;
    – por outro lado, ao contrário de ti, acho o PCP muito mais umbiguista que o BE; afinal, são precisamente eles que não têm pejo em instrumentalizar os sindicatos em seu exclusivo benefício (os trabalhadores são irrelevantes), não hesitando em impedir a CGTP de se juntar à Confederação Sindical Internacional – afinal, a proximidade aos sindicatos quando ainda havia um bloco comunista era muito mais lógica, uma vez que, como bem se sabe, nesses países os sindicatos lutavam até à exaustão pela melhoria do nível de vida dos trabalhadores.

    Quanto ao artigo de Raposo Antunes, enfim, não me parece grande coisa:
    – é evidente que não haverá acordos ou coligações pós-eleitorais, pelo menos com o BE, até porque o próprio Louçã já o afirmou; além disso, tendo em conta o PS actual, até podia nem haver nenhuma corrente avessa ao poder, mas a convergência continuaria a ser impossível, tal me parece ser o fosso entre os dois partidos;
    – a haver desgaste por uma eventual participação/influência governativa, parece-me que seria outro partido governativo (o PS), bem mais que o PCP, a lucrar com isso;
    – o BE, sendo uma ‘marca irreverente’ ou não, terá ‘n’ outros factores que o distinguem mais vincadamente do PCP, a começar pelo mais importante de todos – não vive na era do Estaline, pelo que não é totalitário nem trata de expurgar as vozes dissidentes; como tal, é o PCP que, mais cedo ou mais tarde, se não alterar o seu imobilismo, vai ver o seu espaço ocupado por BE ou PS (o que, a mim, como democrata, me alegra profundamente).

  13. Caro Sérgio,
    não digo que escrevesse exactamente como escreves, mas já concordo com a maior parte deste teu texto. Se a gente continuasse aqui haveríamos de chegar a uma convergência… Abraço.

  14. Este artigo não vai além dos lugares-comuns, é mais um (triste) exemplo do jornalismo preguiçoso que entre nós grassa. Um exemplo? Toda a contestação ao governo é corporativista, premissa do jornalista/colunista do Público. Não foi assim no caso da Saúde, como bem fez notar um comentador acima, nem é o caso da Educação (embora menos evidente). Quanto à análise do BE, é de bradar aos céus! O comentador fica-se pelos “ismos”.

  15. viana diz:

    “Viana, ignorar a matriz estalinista da UDP é isso mesmo: ser ignorante (da UDP).”

    Não sou de todo especialista nas minundências partidárias pós 25 de Abril, mas tanto quanto sei, e que foi confirmado por informação na web, a UDP era um partido essencialmente de inspiração maoísta. O que é bem distinto de estalinista, como sabes. Há alguma referência na web que possa ser consultada e confirmar o que dizes? Não que tenha demasiada importância, de qualquer modo.

    “Por outro lado o artigo refere (e bem) “extrema esquerda” (estalinista e trotsquista). Se há coisa que o PCP nunca foi foi “extrema esquerda”. Isto parece uma discussão que eu tive há uns anos com o Insurgente. Esperava essa confusão (entre PCP e extrema esquerda) por parte do Insurgente, não de ti.”

    Não disse que a mentira estava na caracterização do BE como extrema-esquerda, em oposição ao PCP. Mas sim na caracterização dessa extrema-esquerda como estalinista. Há aqui uma contradição: toda a gente sabe que o PCP é estalinista, no sentido em que sempre apoiou a URSS e nunca optou por criticar demasiado o período estalinista, para além de ter uma ideologia fortemente centralista, no espírito estalinista; ora, então, se ser estalinista é ser de extrema-esquerda, então o PCP é de extrema-esquerda. Em que ficamos? Eu diria que o PCP é estalinista, mas não é de extrema-esquerda. E aqui defino extrema-esquerda como sendo a Esquerda que está mais perto dos ideais Anarquistas, aquela que pretende subverter tanto quanto possível todas as relações de hierarquia, algo anátema para o PCP. Portanto, quem é de extrema-esquerda não pode ser estalinista, pois tal seria uma profunda contradição dadas as definições (que são habituais) acima dadas.

    “O que o articulista diz é que este caso é exemplificativo de como o BE se dá mal com o poder. O vereador eleito pelo BE aceitou (com a concordância do BE) partilhar o poder com o PS. Em lugar nenhum se diz que esse vereador é ou foi militante do BE (esta vale para ti também, Nuno).”

    Concordo que a frase pode ser dada à interpretação que lhe dás, mas é ambígua, sendo igualmente válida a interpretação que lhe dou.

    “Justamente, Viana. O que o articulista diz é que se o BE perde a sua irreverência, para uma boa parte do eleitorado (pouco interessada em saber se a Coreia do Norte é uma democracia ou não) deixa de se distinguir do PCP – e esse eleitorado preferirá o PCP. Lê bem.”

    Ok. Aqui talvez tenha sido precipitado, e a tua interpretação seja a mais correcta.

    “Mas não é mover o PS para a direita que o articulista quer, não achas?”

    O que acho é que o articulista escreveu um artigo claramente hostil para com o BE, com várias distorções propositadas, escrevendo-o do ponto de vista de alguém que apoio o governo PS (o modo como reduz a contestação ao governo às corporações é inequívoco). O que eu acho é que o articulista o que quer é que o governo mantenha a sua maioria absoluta, e se tivesse maioria relativa quereria que este arranjasse uma muleta parlamentar sem grandes concessões. É claramente um artigo de opinião alinhada, e nunca devia ter aparecido sem ser identificado como tal nas páginas do Nacional do Público, disfarçado de análise independente da reunião do fim-de-semana.

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