Grécia: Nova inflamação urbana (Câmara dos Comuns)


O que tem acontecido nestes últimos dias na Grécia não é caso virgem na Europa. França, em maior dimensão, Dinamarca, em menor proporção, já tiveram estes actos de vandalismo. E nada indica que a Grécia seja o último Estado europeu a experimentar este caos urbano.

Nada justifica a morte, no sábado, de um jovem de 15 anos, que minutos antes de morrer, atacara, com outros, um carro da polícia. Por isso, a Justiça grega funcionou e o polícia que matou o adolescente está detido. Como nada legitima os actos de vandalismo perpetrados um pouco por todas as cidades gregas. Além da instabilidade urbana que está criada, centenas de estabelecimentos, como muitas viaturas, foram destruídas, por uma fúria sem razão nem sentido. Num Estado de Direito Democrático é a Justiça que deve funcionar, não a rua comandar.

A polícia grega, não obstante a mancha que um elemento seu cometeu, tem actuado bem, defendendo, como lhe compete, o bem público dos arruaceiros.

Por outro lado, lamenta-se que o maior partido da oposição, o PASOK, surja agora a pedir eleições antecipadas, quando há pouco mais de um ano um Governo foi eleito e os socialistas perderam. Que os comunistas gregos queiram a desordem e a pobreza, isso é natural, tanto que andam na rua a solidarizar-se com o vandalismo. Agora que os socialistas procurem neste momento de vulnerabilidade aproveitar a seu favor o descontentamento, não é sinal de força, mas sim de fraqueza.
Carlos Manuel Castro na Câmara dos Comuns

Papandreou, Secretário-Geral da Internacional Socialista, que devia ter renunciado à liderança do PASOK, o ano passado, pela derrota que averbou, quer surgir agora como o salvador. Nem Caramanlis (Primeiro-Ministro) o é, nem o PASOK se apresenta, actualmente, como tal.

A Grécia há muito que precisa de se desligar das famílias políticas – Papandreou (PASOK) e Caramanlis (Nova Democracia) – que governam o país há décadas.

Quanto à inflamação urbana, é bom ter presente que nenhuma sociedade europeia está imune ao seu emergir. E os tempos que se avizinham são mais favoráveis para o seu aparecimento. É bom estarmos de prevenção!

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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