Grécia 2: A paz social paga-se caro

Observar os motins gregos a partir de Portugal apresenta-se como uma tarefa difícil. A facilidade com que milhares de pessoas enfrentam a polícia nas ruas, destroem bancos e atacam esquadras, ocupam escolas e incendeiam carros, parece surpeender a maioria dos comentadores. Da parte dos blogs de direita por exemplo, não se viu ainda qualquer comentário digno de registo. Da parte dos jornais, as explicações sociológicas são pouco mais do que primárias. E da parte da esquerda, por fim, o desconforto não se esconde.
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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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1 Response to Grécia 2: A paz social paga-se caro

  1. Pinto diz:

    E qual é a explicação para que meia dúzia de bárbaros, rotulados de membros de claques de futebol (que nem sequer vêem o jogo) passem os seus lindos fins-de-semana a procurar confrontos com outros tipos do mesmo nipe, a partir estações de serviço e a incendiar autocarros? É a crise? É o capitalismo?

    Se o motivo fosse a crise económica e a actual qualidade de vida, porque razão os nosso pais que viveram (pelo menos a grande maioria) em incertezas que não se comparam com as de hoje, que emigravam clandestinamente para a França à procura não sabiam muito bem de quê, que eram empilhados em barcos para a África para guardar o “Império”, que trabalhavam literalmente de sol a sol, não se revoltavam da mesma forma? Eram cobardes? Ou serão os jovens de hoje um exemplo de coragem?

    A causa destas escaramuças são as mesmas que provocaram o Maio de 68 e os incidentes de 2005 na França: NADA EM CONCRETO. Por muitos estudos siciológicos que se façam. Por muitaos motivos que se tentem arranjar depois.

    Muitos responsáveis pelo Maio de 68 admitem hoje não saber bem o que os revoltava a não ser ideologias emocionais e doentias.
    Deixo aqui a entrevista de um antigo membro do movimento maoísta Gauche Prolétarienne e activista do Maio de 68, Olivier Rolin:
    “Foi um dos protagonistas do Maio de 68 em França. Encontra alguma legitimidade no paralelo que se tentou estabelecer entre essa revolução e a recente crise à volta do Contrato de Primeiro Emprego (CPE)?
    Não. O movimento do Maio de 68 era revolucionário, utópico e radical, enquanto que o movimento anti-CPE é conservador, quer segurança laboral. Não é um movimento que deseja uma sociedade nova. É um movimento que quer agarrar-se a formas antigas da sociedade.
    (…)
    No Maio de 68, eu integrava um movimento maoísta e acreditava que o futuro viria da Revolução Cultural chinesa, mas agora sabemos que era uma loucura. Os jovens de hoje não são ideólogos nem revolucionários, são conservadores e pragmáticos, então, não há comparação. Eles não têm ideologia e é melhor assim. As ideologias são uma forma de deformação e mentira. Eu fui ideólogo, mas agora não admiro as ideologias e, por isso, Tigre de Papel não é um livro de um ex-combatente, mas um livro irónico sobre o passado.
    Que herança deixou a sua geração?
    [silêncio] Em França essa é uma questão muito dolorosa. Acho que não teremos deixado nada de positivo, não deixámos uma conquista, destruímos o ensino. Eu penso que um dos grandes males actuais da França é que o ensino não funciona, no seu conjunto, não forma cidadãos (…)
    (DN, 23 de Abril de 2006)

    É bom olhar para o passado com olhos de ver e reflectir um pouco e principalmente ouvirmos os outros, antes de andarmos a tentar arranjar justificações para o injustificável.

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