O Loureiro é mais feio que o Belmondo


Resnais e Belmondo na rodagem do filme Stavisky. A história de uma fraude envolvendo políticos e banqueiros que derrubou um governo e reforçou as correntes políticas anti-parlamentares.
Nenhum deles tem cara de Loureiro ou de Coelho. Mas a crise da política pode entrar pela porta do escândalo financeiro. Há uma perda de legitimidade do grande centrão se o caso BPN demonstrar a excessiva promiscuídade entre governantes e negócios. A queda em desgraça destes santinhos do regime pode levar ao derrube dos meninos de ouro. Quem estima a democracia, e não os mercadores do templo, deve pugnar por um regime em que a lei garanta que não haja confusões entre negócios e a política e que o governo não seja a antecâmara obrigatória da fortuna.

Não esquecer o argumento de Jorge Semprun, autor de vários livros notáveis e de outros muito maus. A Segunda Morte de Ramon Mercader e a Longa Viagem são dois livros fantásticos , do autor do porno-policial de merda, O Regresso de Netchaev. Irritam-me sempre livros em que o heroi é um macho tão dotado e experiente que convence uma puta deslumbrante a dar-lhe uma borla. Pior só a parte política. Netchaev é uma espécie de autor fetiche do Pacheco Pereira de uma mediocridade total, louco furioso e com um escrito imbecil, chamado o Catecismo Revolucionário. Bom para alimentar teorias da conspiração e mundos a preto e branco.
Fora isso, Senprun escreveu para Resnais uma das mais bonitas cenas de cama, no La guerre est finie. Infelizmente, só encontrei uma entrevista.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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7 Responses to O Loureiro é mais feio que o Belmondo

  1. Isto é um país do culto dos s-e-g-r-e-d-o-s … Morreu a Irmã Lúcia, ficou-nos o Loureiro, revela, revela, revela … como noss senhora aos Pastorinhos … por este andar ficaremos Santos tb.

  2. Bem. Estava a pensar no Elian Kazan ( o realizador das traições) … n há filme dele q n tenha um traidor … Neste do BPN bem podia aparecer um pelo menos!

  3. zeze diz:

    cai os de ouro sobra os de lata.

  4. António Figueira diz:

    Vi o Stavisky no dia do meu aniversário, Outubro de 75, no defunto Apolo 70. A família nessa altura dividia-se: uns em Paris, à espera do 25 de Novembro, outros cá pelo burgo, a fazer a revolução. Vi o filme sozinhito, e gostei à brava: hoje, acho que o filme devia ser mostrado de novo à clique dominante, a título educativo (para ganhar “perspectiva histórica”).

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  6. k.r. diz:

    “Quem estima a democracia, e não os mercadores do templo, deve pugnar”….

    Gosto muito desta mistura que para aí fazes….imagens bíblicas, política,
    Stavisky e um porno-policial de…. para contrastar. Mundo a preto e branco só em certos filmes e fotografias, não?
    Interessante isso da bela cena que Senprun escreveu para Resnais….apetece dizer, ‘as coisas que sabes!’

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