Do conflito entre os professores e o ministério da Educação

O melhor texto, mais sensato e mais equilibrado que tenho lido sobre este assunto foi escrito pelo Paulo Pinto no Jugular. Sugiro a sua leitura.

Este artigo foi publicado em cinco dias and tagged . Bookmark the permalink.

20 Responses to Do conflito entre os professores e o ministério da Educação

  1. Carlos Vidal diz:

    Esse citado texto termina de forma muito pouco digna.
    Os professores não se manifestam para ganhar ou perder. Isto não é um jogo de futebol. Os professores não se manifestam para que o natal apague a sua contestação ou deixe de apagar. Os professores manifestam-se por aquilo que acham justo e pela sua integridade.

  2. papalagui diz:

    É sem dúvida uma das mais sensatas reflexões sobre esta situação. O extremar de posições foi o mal de todo este processo. Neste momento tenho alguma dificuldade em imaginar um recuo de alguma das partes que leve a negociação a bom porto.

  3. LR diz:

    Carlos,
    A bem da verdaade, «ficar a perder» não tem essa implicação futebolística que lhe atribuis.

  4. Carlos Vidal diz:

    Acaba por ter, creio-o LR; lendo o autor citado, Paulo Pinto. De certo modo, complementado por Pinto e Castro que dizia que tal levaria à vitória do PS e derrota da oposição. O simplismo é desses dois autores. Não é seu, LR, e espero que não seja meu (tento que não seja).

  5. Pingback: Educação Online » Blog Archive » Do conflito entre os professores e o ministério da Educação

  6. Ricardo Santos Pinto diz:

    À excepção da última parte, concordo com o «post» do Paulo Pinto.

  7. Paulo Pinto diz:

    Não quero envolver-me em polémica. Agradeço a leitura, os comentários e as apreciações. Mas digo e reafirmo: “Os professores, uma vez mais, vão ficar a perder.”
    (E quanto ao que diz o Carlos Vidal, já esperava tal calibre. Obrigado pelo “simplismo”. Colar-me às opiniões do JP e Castro e, sobretudo, ao PS é que não é nada simplista, demonstra, pelo contrário, e uma vez mais, a perspicácia e argúcia a que já nos habituou).

  8. Carlos Vidal diz:

    Caro Paulo Pinto, repare:
    “de certo modo, complementado por Pinto e Castro que dizia que tal levaria à vitória do PS e derrota da oposição”

    Não colei o seu texto ao de Pinto e Castro (duas cores complementares não estão coladas nem ligadas uma à outra) e nenhum de vós ao PS.

  9. Luis Moreira diz:

    Parece óbvio que só os professores é que ainda não perceberam.Correia de Campos foi embora por muito menos até porque tentava a única política que pode sustentar o SNS.E foi embora,porquê? Porque as sondagens diziam que a opinião pública estava contra ele.Então porque não se demite Maria de Lurdes? E porque não a demite Sócrates? Porque a opinião pública está a favor de Maria de Lurdes.Não inventem.É só por isto!

  10. Luis Moreira diz:

    E, já agora, com a manifestação dos camionistas que eram menos de um terço dos professores, o governo aguentou uma semana (?).Isto não diz nada aos professores? Será porque os camionistas faziam mossa na opinião pública?

  11. Algarviu diz:

    O texto de Paulo Pinto, entre críticas e elogios distribuídos salomonicamente ao ministério e aos professores para ganhar uma aura de imparcialidade, pretende atingir Mário Nogueira por este ter ousado meter o Estatuto da Carreira Docente ao barulho. Atitude desleal e reveladora das torpes intenções de MN.

    Mas que sentido fará uma avaliação dos professores se não tiver consequências na carreira? Onde está a leviandade de ligar a avaliação ao ECD? A mim parece-me óbvio que é uma ligação inevitável, a Paulo Pinto parece uma canalhice ( a palavra é minha, não de PP).

    E provavelmente quem vê esta questão como um jogo de futebol, ou uma luta fundamental da excelente e estóica ministra contra os privilégios dos calões dos professores, marionetas dos sindicatos e dos façanhudos sindicalistas, pode agarrar, pronta a usar, na argumentação de PP, tão equilibrada, tão sensata, tão serena, tão isenta, tão imparcial. Pois…

  12. viana diz:

    O texto de Paulo Pinto enferma de vários erros, o primeiro dos quais é dar a benefício da dúvida à Ministra da Educação quando esta já demonstrou por demais que tem um profundo desprezo pelos docentes. Basta atentar não só às sua declarações, mas também ao facto de ter tentado impôr um Estatuto da Carreira Docente e um sistema de Avaliação profundamente contestados pelos docentes. Não respeita a sua opinião, e quem não respeita a opinião dos outros não merece respeito, muito menos o benefíco da dúvida como lhe dá Paulo Pinto. Passagens como esta desqualificam desde logo um texto como “neutral”: “a ministra parece-me séria, competente e bem-intencionada”. Séria?!… como quando admite que este sistema de avaliação pode ser completamente reformulado para o ano, e nunca vir a ser aplicado na sua totalidade, mas não quer substituí-lo este ano por outro, mais simplificado, porque… tal seria perder a face, e poderia ser prejudicial para os objectivos eleitorais do PS?!… Sério é fazer jogo eleitoral com a Educação em Portugal?!!! Competente?!… desde quando é que um gestor de recursos humanos, como qualquer Ministro deve ser em grande parte, acaba com quase 100% de oposição entre os seus subordinados?! Isso é competência? É competência elaborar um sistema de avaliação que neste momentoi já vai no N remendo, porque era impraticável?!!! Bem-intencionada?!… quando cultiva a intransigência e idealizou o cargo de professor titular apenas para dividir os docentes, de modo a quebrar a resistência à “reforma”?!!! Tenham paciência…. ou Paulo Pinto é deveras ingénuo, ou está a gozar com a nossa cara.

    Temos depois esta pérola de parágrafo:

    “Sempre achei que neste processo falta sobretudo bom-senso. Do lado do ministério, não compreendo como é que se chegou a este ponto. Se havia erros, lacunas, complicações desnecessárias, má concepção e má organização interna do famigerado “processo de avaliação”, porque é que não foram detectadas mais cedo?”

    Humm… porque o ministério e a ministra na sua arrogância não considerou como legítimas as críticas dos professores?… O pecado original não é a incompetência do ministério e da ministra, é a sua recusa em ouvir, em dialogar, em fazer compromissos para ganhar apoios para a reforma do sistema de ensino. Mas, Paulo Pinto, talvez porque aceitar isso o incomodaria, passa ao lado desse pecado original, que ainda hoje se mantém.

    “Mas a firmeza da ministra, alvo de todas as farpas e de todos os insultos, em recusar-se a suspender o processo, é de louvar. Não andamos a brincar às avaliações, não andamos a brincar à educação. Está na hora de este país deixar as meias-reformas, os processos inacabados.”

    Não andamos a brincar às avaliações?!!! Mas o sistema de avaliação já foi “simplificado” N vezes e foi prometido revê-lo totalmente para o ano, e isso ainda passa por “reforma” e “séria”. Caro Paulo Pinto, neste momento já não há reforma qualquer! Ainda não se deu conta? Anda a dormir?! Acabou. o que há apenas é exactamente uma brincadeira duma meia-reforma que está prometido que será provisória. E, obviamente, dar a entender, como é habitual nos apoiantes do PS, que ou este sistema de avaliação se mantém, ou não há avalicão (este ano), é duma tal desonestidade intelectual que desqualifica o Paulo Pinto de qualquer neutralidade.

    “E se só falta um ano para as eleições, maior é a admiração que deve suscitar.”

    O quê?!!… Francamente, então não é demais óbvio que a única razão porque a ministra ainda não cedeu, ou se dimitiu, foi exactamente porque o PS acha que a acontecer tal o PS será prejudicado nas eleições que se avizinham? É ingénuo, ou gosta de engolir propaganda ao pequeno-almoço? Acredita sinceramente que a ministra se mantém porque Sócrates acha que ela está a fazer um grande e essencial trabalho apesar de tal manutenção ir prejudicar o PS nas eleições em 2009??!

    Quanto aos exagero de alguns professores, o Paulo Pinto devia saber que os professores são humanos, não são robots para ensinar. Qualquer pessoa, bom talvez não o Paulo Pinto, umas mais do que outras, reage por vezes de maneira emocional e excessiva. Não é benéfico, mas é compreensível.

    Torna-se óbvio que Paulo Pinto não tem a mais pequena ideia do que se passa na Educação, com fica supreso pelo facto dos professores quererem re-negociar o Estatuto da Carreira Docente (ECD) em conjunto com o Sistema de Avaliação (SA). Mas as duas coisas estão ligadas desde a nascença! O ECD foi elaborado com o SA em mente. A razão principal de ser do professor titular é o SA, é definir quem coordena o SA. Pergunte a qualquer professor, e eles lhe dirão que os seus protestos são tanto contra o SA como contra o ECD. Porque acha que o descontentamento é tão geral? Ele já vem detrás, do ECD, mas só agora é que amadureceu o suficiente para explodir com o rastilho que foi o SA. E o ministério e a ministra sabem disso. E disseram aos sindicatos que TUDO estava em cima da mesa. Depois vieram mentir, “re-interpretar” as suas palavras… porque acha que os sindicatos aceitaram desconvocar as greves e conversar?! Porque lhes foi dito: querem conversar apenas sobre aquilo que nós quisermos?…

    Quanto à perda de apoio dos professores… veremos. Diria que tanta ingenuidade e ignorância não torna Paulo Pinto bem colocado para prever o futuro.

  13. joao diz:

    Este post é bem mais moderado que o costume por aquelas bandas. mais moderado e mais sensato. mas falta-lhe uma parte da história. dá um salto. depois de as greves terem sido suspensas o senhor doutor pedreira logo afirmou que se tratava de uma vitória do governo, que os sindicatos estavam a recuar… (isto é facto, que se pode confirmar com toda a certeza nos órgãos de informação – ouvi isto na manhã de sábado a caminho de uma formação…)

    depois, só depois, vem a reacção dos sindicatos…

    amputar este episódio impede a leitura correcta da história…

    e já agora eu sou dos que defende que a avaliação dos professores não é o problema central da educação.
    eu sou dos que defende que a avaliação não é um fim em si mesmo.
    a avaliação só faz sentido se servir para melhorar a qualidade das nossas escolas, da mesma forma que a avaliação dos alunos só faz sentido se permitir melhorar as suas aprendizagens.

    mas continua-se a escrever a história só com os retalhos que interessam…

  14. “Não respeita a sua opinião, e quem não respeita a opinião dos outros não merece respeito, muito menos o benefíco da dúvida como lhe dá Paulo Pinto.”

    O viana não respeita a opinião do Paulo Pinto (e nem a minha): basta ler os termos em que é escrito o seu comentário.

    Avaliando o comentário do viana com os mesmos critérios com que avalia o texto do Paulo Pinto, o viana também não é bem intencionado.

  15. viana diz:

    Filipe Moura, não respeito a opinião de quem toma os seus eleitores por estúpidos (a alternativa é Paulo Pinto ser estupidamente ingénuo). O que disse não respeita a algo que tenha escrito, por isso não precisa de se sentir afectado. Não concordo com várias das suas posições, como por exemplo a sua opinião de que a legitimidade democrática advém essencialmente de eleições regulares (ao que eu adicionaria, pelo menos, o respeito escrupuloso pelos programas eleitorais e pela opinião pública maioritária a cada momento), mas acho que argumenta de modo honesto e transparente. Não acho o mesmo relativamente a Paulo Pinto, no que se refere ao texto em apreço. Quem escreve que acha a ministra “séria, competente e bem-intencionada” tem necessariamente de estar a gozar com os seus leitores, ou então tem um problema grave de compreensão da realidade. Eu dei exemplos da falsidade de todos esses adjectivos usados para caracterizar a ministra de educação. Se o Filipe Moura quiser contra-argumentar, será bem-vindo. O próprio Paulo Pinto até se contradiz, pois inicia o 2o parágrafo a basicamente chamar incompetente ao ministério da educação (mas talvez ache que a ministra não deve ser responsabilizada pelo o que os seus serviços fazem?…). Obviamente, não fica por aqui. O Paulo Pinto acha os seus leitores estúpidos porque repete (por vezes implicitamente o que é ainda mais cobarde) exactamente a ladainha mentirosa do governo, mas sem dizer explicitamente que concorda com o governo e o apoia: que os professores não querem ser avaliados; que ou este modelo de avaliação é implementado ou os professores não serão avaliados; que a ministra até tem procurado compromissos mas os professores são inflexíveis; que os sindicatos “perceberam mal” quando o governo lhes disse que “tudo estava em cima da mesa” na reunião agendada para a próxima semana; que o ECD não tem nada a ver com o sistema de avaliação, e portanto não tem lógica agora levantar essa questão; e, para finalizar, que o governo mantém a sua intransigência porque acha que isso é no melhor interesse público, mesmo achando que perderá votos nas próximas eleições. Desculpe, Filipe Moura, mas é demais. Sabe, sou humano, como os professores, e como eles por vezes fico fulo. Por exemplo, quando me tomam, como leitor, por estúpido. Em particular, quando alguém esconde a sua posição perante dado assunto num “embrulho politicamente correcto” para aparentar moderação e “neutralidade”.

  16. Ricardo Santos Pinto diz:

    Colega Viana,

    É verdade que a Ministra nada tem de séria (muito pelo contrário) e que, quanto à competência, está à vista de todos.
    Mas hás-de concordar que, depois de tudo o que tem sido publicado contra os professores, na imprensa, na blogosfera em geral e no Jugular em particular, o texto do Paulo Pinto é bastante moderado e não embarca no costumeiro ataque feroz aos professores.
    Como disse antes, discordo completamente da última parte do «post».

  17. “Desculpe, Filipe Moura, mas é demais. Sabe, sou humano, como os professores, e como eles por vezes fico fulo.”

    Caro Viana, permite-me que te trate por tu. Afinal já nos conhecemos na blogosfera há uns anos, não é? E por isso mesmo conheço os teus comentários. E tenho a impressão que é raro comentares, e só comentas quando estás mesmo fulo, ou seja, quando “te salta a tampa”. Sinceramente, mais valia que comentasses mais vezes (seria um prazer), mas de uma forma menos emocional, em vez de deixares essa raiva toda acumular-se (desculpa se pareço paternalista!). Tenho respeito por ti, mas deixa-me que te diga: o Paulo Pinto pensa pela sua cabeça e não merece ser tratado da forma como aqui o tratas. Também ele é merecedor do teu respeito.

  18. Paulo Pinto diz:

    Caros: vim aqui espreitar. Sou tomado por ingénuo e ignorante e, pelos vistos, tomo os meus leitores por estúpidos. Até sou acusado de desonestidade intelectual. Desculpem, mas não alinho em discussões deste nível, muito menos fora do blogue onde escrevo.

  19. viana diz:

    Infelizmente não comento tanto quanto gostaria. Prefiro comentar apenas quando acho que tenho algo a acrescentar à discussão. Mas isso toma tempo que nem sempre tenho. Não comento apenas quando estou fulo, nem sequer estou fulo a maior parte das vezes em que comento. Mas, sem dúvida, que estar fulo, talvez mais corretamente, sentir-me indignado, constitui motivação extra para comentar.

    Quanto ao Paulo Pinto, não o conheço pessoalmente, nem sequer tinha lido nada dele antes de ler o post em questão. Não sei se é, nem quero saber, se é uma “pessoa respeitável”. As pessoas merecem respeito mediante os seus actos. O Paulo Pinto escreveu um post em que não respeita a inteligência dos seus leitores. Escreve um texto cheio de “pequenas” mentiras, a maior parte implícitas, algumas óbvias. Um texto paternalista (os professores, coitados, não se sabem controlar, manipulados pelos sindicatos, ainda se vão queimar), num tom falsamente neutral mas onde o apoio à política e atitude do governo é total (a única crítica é ao ministério da educação, corja de funcionários públicos incompetentes, mas à ministra não se lê uma crítica, é imputável). Sinceramente, prefiro quem assume as suas opiniões frontalmente, de modo honesto e transparente, mesmo que sejam diametralmente distintas das minhas. Não suporto quem tenta esconder a sua opinião, que por alguma razão acha “politicamente incorrecta”, por detrás de vestes “moderadas”.

  20. viana diz:

    Em resposta ao último comentário do Paulo Pinto, que ainda não era visível quando submeti o meu comentário anterior, lembro-lhe que o discurso não é apenas feito de adjectivos positivos, como “séria, competente e bem-intencionada”. Adjectivos negativos, como ingénuo, ignorante e estúpido são igualmente válidos e necessários. A sua ausência amputa a discussão, em nome dum respeitinho hipócrita que é um dos maiores males de Portugal a par da cunha. O que é importante e essencial é justificar a adjectivação que se utiliza, não a dita em si. Escrever e comentar em blogues não é o mesmo que escrever peças literárias côr-de-rosa.

Os comentários estão fechados.