Ainda sobre sondagens

Um zn que não o nosso, colocou este comentário no Spectrum, sobre o modo como se faz sondagens:
Trabalhei durante dois anos na Marktest. Costumava fazer sondagens sobre inúmeros temas, entre os quais política. Sobre estas há muito a dizer…
1. As sondagens ditas políticas da Marktest são na verdade sondagens sobre temas variados, ENTRE OS QUAIS, política. Por exemplo, era habitual começar-se um questionário com azeites, para logo de seguida, perguntar à pessoa se avaliava como positiva ou negativa a acção de José Sócrates;
2. Em segundo lugar, por estarmos a falar de um call-center, de precariedade, de mais de 70% da força de trabalho a recibo-verde, de pressão e de prémios por produtividade, não podemos sequer partir do pressuposto que as sondagens são realizadas com um mínimo de qualidade. Os questionários são realizados à velocidade de luz (muitas vezes, mal feitos, visto que o objectivo é – compreensivelmente – ganhar dinheiro), o que impede o entrevistado de reflectir minimamente sobre a questão.
3. A cereja no bolo: existem perguntas que são realizadas de modo a induzir uma determinada resposta. Lembro-me de uma questão particularmente abjecta que me ficou na memória: “Como sabe os sindicatos da função pública propuseram uma greve contra a proposta de aumentos salariais. Concorda com esta iniciativa?”. Escusado será dizer que tanto eu, como muito dos meus colegas adulteraram a pergunta, acrescentando “…contra a proposta de aumentos salariais, realizado pelo governo”.

Conclusão: não se fiem na Marktest

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