Os números da madeirização


Venha a contestação a ministros, venham crises, avanços e recuos no apoio a bancos falidos, permaneça a ausência absoluta de ideias, de planos, de rumo. Toda esta turbulência não chega para criar um vendaval que aflija Sócrates. Ao invés, enfuna-lhe as velas e deixa-o mais perto de nova maioria absoluta.
Nem fazia falta esta sondagem para sabermos onde jaz o culpado: na liderança do PSD. Mesmo em tempos de quase desespero o maior partido da oposição deixa-se erodir mais do que o partido governante. E a culpa maior até nem é de Manuela Ferreira Leite. Ela apenas se deixou possuir pelo fantasma sebastiânico que foram impingindo aos laranjinhas: «ela é que nos vai redimir!» Agora, todos, incluindo a própria, continuam a mirar o nevoeiro sem que nada, além de mais e mais brumas, saia dali.
O “défice de oposição” que alguns já tinham identificado na Madeira chegou ao continente. A propósito do arquipélago, as perguntas sempre me pareceram óbvias: que oposição pode sobreviver naquela atmosfera asfixiante, marcada pelo nepotismo e pelo desprezo pelas regras da vida em democracia? Quem é que se sujeitaria a ser perseguido, ver bens seus expropriados e ter o nome arrastado pela lama todos os dias, apenas por brio cívico?
A mediocridade sabe impor-se com eficácia através do compadrio, da intimidação, da teimosia extrema. E assim vai afastando e inibindo a possível concorrência. Quando vemos que no PSD já todos parecem conformados com a ideia de entregar o ouro ao bandido e Portugal a esta maltosa por mais quatro anos, começamos a imaginar Sócrates daqui a 20 anos, ainda no poder, reinando absoluto sobre um país depauperado e definitivamente vencido.

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